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A nova edição do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2031) segue com o desafio de elaborar possíveis cenários e projeções para o médio e longo prazo de um mundo que ainda enfrenta as incertezas trazidas pela pandemia da Covid-19. No estudo mais recente, divulgado em maio deste ano, há a estimativa de um investimento de até R$ 126,4 bilhões para implantação de obras no segmento de transmissão de energia elétrica nos próximos 10 anos. 

Para o desenvolvimento do relatório, foi praticado o que os membros da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) classificam como “exercícios de sensibilidade”, fazendo uso de um conjunto de premissas sociodemográficas e de economia mundial a fim de  desenhar três cenários para a economia nacional: um cenário de referência, de maior probabilidade, e dois cenários alternativos – inferior e superior – desenvolvidos a partir da percepção do comportamento das variáveis consideradas chave para o crescimento econômico nos próximos dez anos.

Confira a seguir as principais projeções do plano decenal para o setor elétrico brasileiro: 

Investimentos

No cenário otimista, há a expectativa de um investimento total de R$ 126,4 bilhões para a expansão da transmissão de energia. Tal montante seria resultado da implantação de todas as obras ainda sem outorga, considerando a data de necessidade originalmente prevista nos estudos de planejamento e a data de tendência estimada, com base nos prazos médios do processo de outorga. 

No cenário de referência, considerando a base do PDE, leva-se em conta uma reavaliação preliminar da data de necessidade das obras sem outorga dentro do horizonte de 2031 e a atualização das suas respectivas datas de tendência. Em tais circunstâncias, o investimento previsto gira em torno de R$ 100,7 bilhões – destinando-se R$ 69,9 bi para Linhas  de Transmissão e R$ 30,8 bi para Subestações.

De forma geral, o cenário de referência considera cerca de 66% das obras sem outorga representadas no cenário otimista. Cabe destacar que esse cenário foi estabelecido a partir de análises elétricas que poderão ser atualizadas durante o ano de 2022.

Já no cenário pessimista – que exclui a implantação das obras sem outorga – o investimento cai drasticamente: R$ 51,6 bilhões aplicados na expansão.

Variações da estimativa de investimentos entre os cenários otimista, de referência e pessimista. Fonte: PDE 2031.

Aumento do consumo de energia eletrificada

Segundo o planejamento, o consumo de energia apresenta uma tendência de eletrificação ao longo do horizonte decenal. A expectativa é de que o consumo total de eletricidade cresça acima do ritmo de expansão econômica, resultando em uma elasticidade-renda de 1,20, sob influência tanto do consumo na rede quanto de autoprodução e Micro e à Minigeração Distribuída (MMGD). O consumo total de eletricidade tende a crescer 0,6 pontos percentuais anuais a mais que a economia brasileira entre 2021 e 2031. Este indicador é afetado tanto pelo consumo na rede quanto pela autoprodução não injetada esperados para o período, que crescem às respectivas taxas anuais de 3,5% e 3,3%, proporcionando um aumento de 3,5% a.a. do consumo total.

Nesta projeção, em análise comparativa entre classes de consumo e entre décadas, espera-se que o incremento da classe residencial ocorra de modo mais brando, enquanto na indústria o crescimento seja mais vigoroso, aproveitando a alta capacidade ociosa atual. O consumo na classe comercial deve crescer mais do que na indústria e nas residências. Para o setor energético, a expectativa é de forte expansão de consumo via autoprodução.

No cenário de referência, espera-se que a carga de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) cresça à taxa média de 3,4% a.a. entre 2021 e 2031. Já os dois cenários alternativos para os requisitos de geração mostram uma diferença no ano final do horizonte em estudo de 14,4 GW médios (14%) entre os cenários superior e inferior.

Avanços do SIN 

Ainda visando antever o horizonte decenal do SIN, o documento desenvolvido no primeiro trimestre deste ano mantém a previsão de avanços metodológicos no processo de construção da expansão do parque gerador do Sistema Integrado, como o uso do modelo computacional de decisão de investimentos (MDI), desenvolvido pela EPE. 

Também foram consideradas como tecnologias candidatas para o cenário de referência os resíduos sólidos urbanos (RSU), as usinas fotovoltaicas flutuantes, a resposta da demanda e a ampliação e modernização do parque hidrelétrico existente.

Sobre os investimentos esperados para o sistema, os estudos de planejamento concluídos até agosto de 2021 recomendaram, originalmente, uma aplicação total de R$ 126,4 bilhões dentro do horizonte de 2031. Deste total, R$ 51,8 bilhões são associados a empreendimentos com outorga (CO), enquanto R$ 74,6 bilhões são referentes a empreendimentos ainda sem outorga (SO).

Fonte hídrica em forte queda

O novo plano decenal expõe também a diversificação da matriz a partir de investimentos em fontes renováveis que vão além das hidrelétricas, como eólica, biomassa e fotovoltaica, complementada pela expansão de geração despachável, como as termelétricas a gás natural. A fonte hídrica, que no começo do século representava 83% da capacidade instalada, deverá reduzir sua participação relativa para 46% até o final do horizonte (considerando também o crescimento da geração distribuída). 

O futuro do armazenamento de energia

O estudo diz também que as tecnologias de armazenamento de energia, como baterias eletroquímicas e capacitores eletroquímicos, podem prestar diversos serviços no setor de transmissão – tais recursos propiciam aplicações como equilíbrio de carga, controle de frequência, controle de tensão, estabilização da rede, entre outros. 

O PDE 2031 destaca que os sistemas de armazenamento se apresentam como alternativas particularmente interessantes para eliminar problemas sistêmicos em locais nos quais a expansão do sistema de transmissão é complexa, como por exemplo em áreas com densa ocupação urbana e/ou com restrições ambientais. O documento ainda salienta que os sistemas de armazenamento de energia podem ser instalados no SIN com o objetivo de postergar ampliações no sistema e/ou reforços em instalações já em operação, evitando a antecipação de substituições que só viriam a ocorrer ao final da vida útil física. 

A velocidade de implantação dos sistemas de armazenamento (média de seis meses para contratação e comissionamento) em relação à construção/repotenciação de linhas de transmissão também é vista de maneira positiva pelos desenvolvedores do Plano Decenal, em decorrência da eliminação de problemas sistêmicos nos dispositivos de armazenamento em um horizonte de curto prazo, proporcionando tempo hábil para a entrada em operação das soluções convencionais. 

Sobre o PDE 

O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) é um estudo elaborado anualmente pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) sob as diretrizes e o apoio das equipes do Ministério de Minas e Energia, coordenados pelas Secretarias de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE/MME) e de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (SPG/MME). 

Os estudos do plano subsidiam decisões de política energética e fornecem ao mercado informações que permitem a análise do desenvolvimento do sistema elétrico e das condições de adequabilidade de suprimento sob diferentes cenários futuros possíveis.

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