Os Desafios da Geração e Transmissão

mar, 2020

No final de  2019,  o  Seminário  Nacional  de  Produção e Transmissão de Energia Elétrica (SNPTEE), realizado em Belo Horizonte (MG), sediou a apresentação de mais um grande congresso brasileiro. Nossas dimensões continentais nos permitem resolver não só os sérios problemas técnicos relacionados à estabilidade, confiabilidade e manutenção destes sistemas elétricos, suas interligações e regras de contingência,  mas  também  a  manter os sistemas operando de forma sustentável, adequada e viável financeiramente, e esta última variável parece ser o maior desafio.

Figura 1 – Carga de Energia do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A figura 1 apresenta o comportamento da carga de energia do Sistema Interligado  Nacional  (SIN)  no  biênio  2018/2019,  onde  se  pode  observar  a variação da demanda média mensal. Em períodos extremos, a demanda média de julho de 2019 foi 15% menor que a de janeiro do mesmo ano.    Para suprir esta demanda, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)  faz a gestão das fontes e do sistema com a operação das usinas, conforme apresentado na figura 2 (hidráulicas, térmicas, eólicas e outras). Notar que o cruzamento da geração e consumo (figura 3) definirá os perfis de operação    e qual usina despachará e qual ficará na espera. Será que o “MIX” adotado entre hidráulicas, térmicas, eólicas e outras seria a solução mais favorável? Certamente, é a solução “possível” e otimizada em função dos diversos aspectos técnicos e econômicos que devem ser seguidos.

Figura 2 – Produção de Energia – Sistema Interligado Nacional (SIN).

As fotovoltaicas centralizadas ainda não atingiram demanda média acima dos 500MW mensais em 2019 e não aparecem no  gráfico  da figura 2. Outras fontes também não estão representadas como as de geração distribuída (por exemplo, as de biomassa, fotovoltaicas e plantas de cogeração térmica). Este segmento de GD tende a crescer, sendo, portanto, necessárias constantes revisões de modelos adotados. Outra expectativa considera a limpeza das fontes sem a produção de energia com combustíveis fosseis, dando o lugar merecido à eficiência energética. Será?

Figura 3 – Carga de Energia do Sistema Interligado Nacional e Produção de Energia (SIN).

Em uma época de incertezas da economia, meio ambiente imprevisível, futuro incerto com o coronavírus, a imprevisibilidade de operação e investimentos parece ser mais um bom desafio além daqueles reportados no SNPTEE.

 


José Starosta é diretor da Ação Engenharia e Instalações e membro da diretoria do Deinfra-Fiesp e da SBQEE.

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