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Gestão humanística

A existência de uma empresa depende diretamente de pessoas, são elas as responsáveis pela movimentação, inovação, tomada de decisões, relação com clientes, liderança, motivação, enfim, todo o quadro organizacional empresarial necessita da intervenção humana. Assim sendo, temas como o gerenciamento de pessoas e equipes, educação, bem-estar físico e emocional devem ser parte da cultura organizacional. A abordagem humanística buscará a elevação de consciência entre as pessoas e o alinhamento de suas ações, das equipes e até mesmo seus objetivos pessoais com a visão e missão da organização.

O trabalho é uma atividade vital que distingue o homem dos outros seres vivos, gerando consciência e intencionalidade, permite aquisições de bens à sua sobrevivência e construção futura, por ser de tão grande importância deve ocorrer em ambiente favorável não somente ao aprendizado de plantar e colher conhecimentos, mas à percepção acerca da dignidade e unidade humana. Quando paramos para analisar quantas horas diárias nos dedicamos ao trabalho, não é apenas o tempo em que estamos no local em que trabalhamos, mas em qualquer outro momento no qual pensamos sobre ele: as metas, os problemas e suas soluções. Por tamanha quantia de nossas vidas ser dedicada ao trabalho, faz-se necessário uma gestão genuinamente preocupada com pessoas, pensada para desenvolver relações saudáveis, agradáveis, motivadoras e com propósito, diminuindo desgastes e a chance de que o trabalho seja encarado como fardo.

A abordagem humanística, sendo incorporada aos avanços tecnológicos, auxiliará pessoas a deixarem a estreita perspectiva mecanicista para, renovando sua visão e proporcionando sentimentos de plenitude e unidade, trazendo resultados tais como um maior altruísmo nas relações humanas e saldo financeiro positivo. O desenvolvimento e implementação dessa abordagem trará melhorias na qualidade de vida individual e coletiva, incentivarão a parceria e cooperação, o trabalho em equipe e, finalmente, estimularão maior crescimento e evolução.

A gestão humanística não deve ser confundida com paternalismo ou fraternidade, embora a fraternidade esteja presente este não é o objetivo dessa gestão, ela estimula e incentiva o altruísmo, ela representa a conexão positiva entre as pessoas. Exige que as organizações sejam transparentes e ética em suas comunicações e que indiquem esforços ao profundo entrosamento entre pessoas e equipes.

Na visão humanística, o conhecimento deve passar a ser visto como um recurso estratégico tendo maior investimento na capacitação contínua de seus colaboradores. As capacitações, no ambiente empresarial, geram resultados diferentes dos da formação acadêmica: a formação acadêmica é de extrema importância por ser estruturante, mas o colaborador leva tempo até amadurecer profissionalmente. A capacitação no seio da organização, o treinamento, soma-se à formação acadêmica e permite comunicação direta com a visão e missão, proporcionando melhor assimilação e performance.

Em uma organização que faz uso da visão humanística, colaboradores passam a contar com estratégias mais eficientes na hora de lidar com seus desafios profissionais e melhores formas de acessar novos métodos e ferramentas gerenciais, que tragam autoconhecimento, desenvolvimento pessoal e capacidades de questionarem suas próprias convicções. Essas práticas podem reduzir quadros de ansiedade, diminuir o stress e, consequentemente, trazer felicidade e qualidade de vida aos colaboradores, dentro e fora do trabalho.

Ainda há muita divisão por setores e funções, egoísmo, individualismo em detrimento da união e do pensamento voltado ao time. Todos, então, estão convidados a refletir sobre a necessidade de serem implementadas essas mudanças mentais, mesmo não sendo fácil o trabalho em equipe, a restauração de uma integração coletiva entre os membros da equipe e da organização é a melhor alternativa à empatia.

A visão humanística permite aos colaboradores reconhecerem-se como iguais, facilita a administração de divergências e a resolução de conflitos, torna a comunicação imprescindível nas tomadas de decisão e, além disso, permite o entendimento acerca da importância da sinergia e pertencimento e de como ela é necessária ao fluxo do conhecimento.

Por mais que pareçam distintos, os sistemas de uma empresa são integrados e dependem uns dos outros para manterem-se em funcionamento. Os colaboradores, para compreenderem os sistemas mais complexos, precisarão observar o sistema integralmente e, ao fazerem isso, poderão sentir-se pertencentes e valorizados. Desse modo, por terem compreendido e observado a importância de seu trabalho à organização, terão condições e motivações de melhorarem seu desempenho e sua produtividade.

O monitoramento do ambiente interno permitirá aos gestores observarem o relacionamento entre as pessoas, a sinergia delas com as áreas e equipes e o grau de complexidade das tarefas: levantamento de atividades, recursos, tecnologias, perfis comportamentais e habilidades, inclusive no que diz respeito ao contato externo, com fornecedores. Além disso, poderão fomentar o capital intelectual e incentivar colaboradores a observar e detectar pontos fortes e fracos da organização, e, munidos com tais informações, terão dados suficientes para a elaboração de estratégias que visam melhorar processos administrativos, adequando-os às melhores circunstâncias e garantindo constante inovação em relação às organizações concorrentes.

O exemplo deve partir das lideranças para a criação de ambientes que promovam mudanças nas formas de pensar e seja estimulado não somente o compartilhamento de informações e conhecimentos, mas o desejo de se aprender a reaprender. Por meio dessa transformação (metanoia), poderá ser gerada sinergia entre pessoas e mentes e a confluência de todos em prol de um objetivo comum que rume em direção à excelência, o lucro passa a ser considerado um meio necessário para a empresa manter-se saudável.

A meritocracia pura e simplesmente pode gerar colapso social, já que a formação e a aprendizagem das pessoas não estão em níveis iguais, revela-se a gestão de pessoas baseada na meritocracia humanística como uma opção mais justa. Esse tipo de gestão, além de proporcionar funcionários bem selecionados, treinados e motivados, também oferecerá ambientes de trabalho mais agradáveis, possibilidade de novos caminhos à empresa e, como resultado, garantindo mais competitividade, produtividade e lucratividade. Essa abordagem deixa de ser utópica, quando implantada de forma séria, com o objetivo de valorizar ações sinérgicas, que aumentarão o sentimento de pertencimento coletivo entre os colaboradores.

Referência:
Textos extraídos do livro Reflexões para Gestores, do próprio autor.

*José Jorge Porto é graduado em Gestão Estratégica de empresas, Bacharel em Filosofia e Engenharia Elétrica. Trabalha atualmente na empresa Temon Técnica de Montagens, na gestão de comissionamentos e testes.

 

 

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