Em grande expansão, indústria elétrica da Região Sul está cada vez mais competitiva e tecnológica

Por: Edmilson Freitas

Com a participação dos grandes players do setor elétrico, Curitiba recebeu, entre os dias 4 e 5 de outubro, a última edição do CINASE de 2023

Com a participação de mais de cinco mil pessoas, nas quatro edições realizadas ao longo do ano, a última edição de 2023 do Circuito Nacional do Setor Elétrico – CINASE Região Sul, foi realizada em Curitiba/PR, entre os dias 4 e 5 de outubro. Assim como nas demais edições, o evento, composto por congresso e feira de exposição, reuniu especialistas renomados do universo das instalações elétricas, provedores de tecnologia e de profissionais, dirigentes de empresas e instituições do setor elétrico sediadas no estado do Paraná e região.

Ao longo dos dois dias, foram debatidos temas que estão na agenda dos principais players do setor elétrico, como geração distribuída (GD), ESG, hidrogênio verde (H2V), energias renováveis, mercado livre de energia, transição energética, infraestrutura de redes elétricas, redes subterrâneas de energia, eficiência energética, indústria 4.0, dentre outras pautas e discussões técnicas.

Parceira do CINASE no estado, a Copel Distribuição esteve presente por meio de vários dos seus executivos, que participaram dos debates realizados no auditório do evento. No painel de abertura, o diretor da empresa, Maximiliano Andres Orfali, destacou os investimentos da distribuidora no programa Rede Elétrica Inteligente (REI).  Sem custo para o consumidor, a nova tecnologia reduz o tempo de desligamento provocado por intempéries e outros fatores externos. Isso porque, quando ocorrem quedas de energia, o medidor inteligente avisa imediatamente a distribuidora. Além disso, o consumidor ainda pode monitorar o seu consumo, por meio de um aplicativo de celular.

“Trata-se do maior projeto em andamento de automatização de medidores da América Latina. Na primeira fase, já temos 525 mil medidores conectados ao sistema, com previsão de chegarmos em fevereiro de 2025 com mais de 1,6 milhão de medidores instalados no Paraná. O grande diferencial desse sistema é que os medidores inteligentes estão conectados diretamente ao centro de controle da Copel, onde é possível reconhecer em tempo real a situação da unidade consumidora. É um sistema realmente moderno, é o que a gente tem de melhor no mundo”, destacou Maximiliano. O superintendente da Copel, Júlio Shigeaki Omori, também esteve no local, onde falou sobre eletrificação das coisas e as tendências do mercado de energia. 

Energia solar – Para falar sobre o mercado de energia solar fotovoltaica foi escalado um time de especialistas de peso, que abordou todos os desafios e vantagens dessa modalidade de geração distribuída.  Para o professor e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, Gerson Tiepolo, o crescimento estrondoso da modalidade nas últimas duas décadas, por si só, já demonstra a viabilidade e a importância da energia solar na matriz elétrica global. “Há 20 anos a capacidade de geração de  energia solar mundial era em torno de 2 GW a 4 GW, sendo 50% de sistemas isolados, e outros 50% de sistemas interligados à rede. No ano passado, nós fechamos com 1,85 terawatts (TW) de capacidade instalada mundial, sendo 99,8% de sistemas conectados à rede”, destaca. 

Presente no debate, o gerente de GD da Copel, Adriano Prado de Souza, afirmou que a energia solar representa mais de 90% do mercado da geração distribuída no Paraná. “Hoje a geração fotovoltaica se confunde um pouco com o mercado de GD. Em 2021, só de minigeração distribuída, que vai de 75 kW a 3 MW, foram registrados 1.593 pedidos de conexão no estado. Em 2022, saltou para 3.343 pedidos, um crescimento de mais de 50%. Em 2023, esse número demonstra uma redução, no entanto, até setembro, já foram 1.714 pedidos, ou seja, já ultrapassamos 2021. Acreditamos que realmente é um mercado em franco crescimento, e neste sentido, a concessionária não pode e não será uma impedância para essa expansão”, destacou, que ressaltou ainda os desafios enfrentados pelas distribuidoras acerca do tema. O painel, que foi moderado pelo professor e engenheiro eletricista Danilo de Souza (UFMT), contou ainda com a participação dos professores Jair Urbanetz (UTFPR) e Janio Denis Gabriel (PUC-PR), e da especialista no tema Liciany Ribeiro, da Ribeiro Solar. 

Outro debate de destaque no CINASE Curitiba foi sobre a adoção de diretrizes de ESG no mercado de engenharia elétrica nacional. Embora o tema seja amplo, pequenas atitudes voltadas à reciclagem e ao uso racional dos recursos naturais, podem fazer a diferença para o planeta, como ressaltou o diretor da Reymaster Materiais Elétricos, Marco Stoppa. 

“Muitas empresas acham o assunto muito complexo, mas na verdade, para se chegar a estes objetivos, medidas simples podem ser implementadas. Por exemplo, na área ambiental, na Reymaster, temos projetos de descarte correto de lâmpadas, pilhas e baterias, redução de consumo de energia e água, reaproveitamento de água da chuva, separação de resíduos, substituição de toalhas de papel por secadores elétricos de mão, substituição do copo plástico por canecas. Isso promove uma mudança cultural no ambiente corporativo”, destacou o gestor, que mencionou ainda outras iniciativas da empresa correspondentes às demais áreas relacionadas ao tema ESG. 

Negócios e networking – Com 30 estandes das principais marcas de produtos e serviços do universo da engenharia elétrica nacional e do Paraná, a área de exposição do CINASE Curitiba contou com mais de três mil metros quadrados, abrigando o showroom de grandes marcas como: Neocable, Reymaster, Varixx, Weco, Engerey, Grupo Gimi, ABB, Boreal Fios e Cabos, Brval Electrical, Chint, Clamper, Embrastec, Frontec, Hellermann Tyton, Itaipu Transformadores, Kraus & Naimer, Minuzzi, Mitsubishi Electric, Pextron, Proauto, Romagnole, Schneider Electric, Siemens, Sil Fios e Cabos, Soprano, Trael Transformadores, Tramontina Eletrik, Transfor “V” by LubraOil, WEG e Wöhner.

“Como uma empresa de tecnologia, a Siemens tem muito orgulho de participar deste evento tão rico. Na Região Sul, eu sou responsável pelo atendimento nas áreas de geração, transmissão e distribuição da Siemens, e o que percebemos aqui foi a presença maciça dos nossos principais clientes, como a Celesc e a Copel, além dos integradores e das empresas que realmente trabalham no segmento elétrico, não só do Paraná, como também nos demais estados da Região”, afirmou Patrícia Franco, gerente regional de contas da Siemens.

Para além da feira, a executiva destacou a relevância dos debates conduzidos por especialistas no congresso do evento. “O CINASE Curitiba abordou todo o universo do setor elétrico, que se mostra muito conectado com as modernizações, com a IoT, Indústria 4.0 e com a digitalização. Isso está muito em linha com a Siemens e também com Curitiba, que é a cidade mais tecnológica da América Latina”, acrescentou Patrícia.

Participando pela primeira vez do CINASE, o gerente comercial da LubraOil, Francisco Silva, que trouxe para o seu estande a marca TransforV, que produz lubrificantes para transformadores, chamou atenção para a qualificação do público ao longo dos dois dias. “A experiência foi tão boa, que já estamos confirmados para as próximas quatro edições de 2024. O networking foi fantástico, as pessoas que vieram ao estande são aquelas realmente interessadas nos nossos produtos e isso é importantíssimo para a expansão dos negócios da empresa”, explica.

“Do ponto de vista de marketing e de vendas, para a Itaipu Transformadores, o Cinase foi uma decisão muito acertada. Com um público altamente qualificado, a gente consegue fazer excelentes contatos e networking com outros fabricantes. O setor elétrico se torna mais dinâmico e mais produtivo quando a gente fica todos juntos. Além disso, os temas discutidos são muitos pertinentes, especialmente pelo momento que o segmento passa, de atualização de normas, novas tendências e novas demandas. Então, trazer profissionais de renome para explorar todo este universo é fundamental para o desenvolvimento do nosso mercado”, destaca Alexandre Lopes, gerente comercial da Itaipu Transformadores. 

Parceiros cativos do CINASE, a Schneider Electric levou ao evento todo o seu portfólio e também ofereceu aos visitantes um passeio virtual interativo, com apresentação de produtos, manuseio e visita às instalações da empresa nos Estados Unidos. “O CINASE Curitiba foi um sucesso. É um espaço que proporciona uma troca bem democrática, trazendo diversos perfis para prestigiar o evento. Tivemos a oportunidade de conversar com muita gente do mercado e somar conhecimentos com especialistas de várias áreas. O CINASE é uma excelente oportunidade de fomento para o setor elétrico nacional”, avalia o gerente de marketing da Schneider, Fábio Kawamuro.  

Além de Curitiba, em 2023, O Grupo O Setor Elétrico realizou edições do CINASE no Rio de Janeiro/RJ, Belém/PA e Fortaleza /CE. Para o próximo ano, estão previstas edições em Porto Alegre/RS, Recife/PE, Vitória/ES e Brasília/DF. 

Premiação e reconhecimento 

Com o objetivo reconhecer e dar visibilidade a projetos e iniciativas que apresentam soluções inovadoras para o setor elétrico brasileiro, O Grupo O Setor Elétrico realiza, durante as edições do CINASE, o Prêmio O Setor Elétrico. Confira a seguir os vencedores dos projetos inscritos nas cinco categorias da edição de Curitiba:

Inovação Tecnológica –  Carregador inteligente para veículos elétricos / PUCPR – Proponente: Janio Denis Gabriel

Instalações Elétricas Industriais e Comerciais – Galeria Laguna / Construtora Laguna – Proponente:  Robson Elias Armstrong Vieira

Projeto Luminotécnico – Casa Hera / Luval Lighting Design  –  Proponente: Renata Catânio

Energias Renováveis – Instalação de um sistema fotovoltaico na empresa La Violetera / Universidade Positivo – Proponente: Jackson Milano

Vencedor máster:

Pesquisa & Desenvolvimento – Eletrovia com Carregadores Rápidos entre Paranaguá e Foz do Iguaçu- Copel / Lactec / Aneel Proponente: Alã Caio Marques da Silva e Rodrigo Braun dos Santos.

Homenagens 

Na ocasião, também foram homenageadas lideranças e personalidades que são referências regionais do segmento elétrico, são eles:

Julio Shigeaki Omori – É engenheiro eletricista pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná- UTFPR. Especialista em automação de processos industriais. Possui MBA em Gestão Empresarial. MBA em Inovação, Liderança e Gestão 4.0. Mestre em Engenharia Elétrica e Informática Industrial. Atualmente, é superintendente de Smart Grid e Projetos Especiais da COPEL Distribuição, professor dos cursos de engenharia elétrica e energia da Universidade Positivo, coordenador do grupo de trabalho Mobilidade Elétrica da Comissão de Integração Energética Regional (CIER) e coordenador grupo de trabalho de P&D da ABRADEE.

Claude Franck Loewenthal – É graduado em engenharia elétrica pela UFPR, Ciências Econômicas pela Faculdade de Ciências Econômicas do Paraná. Atualmente, é conselheiro do Instituto de Engenharia do Paraná. Integra o Comitê de Resolução de Disputas (Dispute Resolution Boards) para Obras de Engenharia. Ex-presidente e atual membro do Instituto e Câmara de Mediação Aplicada. É Mediador e Árbitro da Câmara de Mediação e Arbitragem do Paraná. Presidente da Associação Paranaense de Engenheiros Eletricistas e conselheiro Fiscal. Ex-conselheiro do CREA-PR e coordenador nacional das Câmaras de Especialização de Engenharia Elétrica. Conselheiro Suplente do Conselho Fiscal do IEP.

Lourival Lippmann Junior – É graduado em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Possui mestrado em Automação Industrial pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná e Técnico em Eletrônica pelo CEFET-PR. Atuou por mais de 20 anos como professor de engenharia nas instituições UTFPR e PUC-PR.  Atuou por 5 anos na indústria eletro-eletrônica na ITAUTEC e na SCHAUSE SA. Atualmente é pesquisador, atuando há mais de 36 anos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor elétrico no Instituto de Tecnologia Para o Desenvolvimento – LACTEC.

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