Eletronorte desenvolve centro de monitoramento para otimizar gestão de ativos e apoiar decisões estratégicas

Considerada uma necessidade na era da indústria 4.0, a manutenção preditiva (aquela associada às práticas de revisão com caráter preventivo e antecipado) se faz presente há muito tempo na lista dos maiores objetivos do setor elétrico brasileiro, área cujos reparos são feitos, em sua grande maioria, de maneira corretiva. Visando atingir esse importante propósito e dar mais inteligência e agilidade à manutenção de ativos de transmissão e geração, o Grupo Eletronorte desenvolveu e vem aprimorando o Centro de Monitoramento de Gestão de Ativos, sistema que fornece suporte em tempo integral para decisões gerenciais e estratégicas. 

Por meio de uma apresentação visual e padronizada em painéis, a plataforma – que está implantada na sede da empresa, em Brasília – exibe suas ferramentas e resultados obtidos durante a manutenção e operação dos equipamentos, fornecendo uma visão nítida e em tempo real da saúde e das curvas de desempenho de equipamentos como transformadores, reatores e geradores de energia. Com isso, a empresa pretende atingir o nível de manutenção prescritiva, modelo que utiliza coleta de dados e softwares para identificar, aprender e reconhecer as tendências e padrões de comportamentos.

A Eletronorte atua hoje na geração e na transmissão. Seu parque gerador conta com cinco hidrelétricas – Coaracy Nunes, Samuel, Curuá-Una, Tucuruí e Balbina –, além de usinas termelétricas em Rondônia, Acre, Roraima, Amapá e Amazonas. Com uma capacidade de geração instalada de 9.109,80 MW, a Eletronorte opera mais de 11 mil quilômetros de linhas de transmissão e 59 subestações.

Origem e desenvolvimento

A superintendente de gestão da manutenção de sistemas da Eletronorte, Lilian Ferreira, explica que a ideia de criar uma central, por meio da qual fosse possível gerenciar ativos surgiu de um desejo antigo da companhia, principalmente por parte das equipes de engenharia de manutenção. “Desejávamos obter respostas mais rápidas e ágeis, além de tomada de decisão em relação à situação e condição dos ativos que se encontram no campo”, afirma. 

Antes dessa virada tecnológica executada pela Eletronorte, o monitoramento da companhia baseava-se em um sistema muito mais simples e moroso, conforme relata Lilian: “Antes era tudo no papel. Possuíamos um painel na parede com gráficos em papel. A análise era mais lenta, pois o engenheiro precisava fazer cálculos para saber se o equipamento teria que ser tirado de operação ou não. Agora o sistema faz isso instantaneamente, dando alarmes caso os valores estejam fora do esperado. Com dados online, conseguimos – além da agilidade e de uma facilidade para equipes de engenharia de manutenção – tomar uma decisão mais rápida”.

Para que a empresa conseguisse alcançar tamanha mudança, foi necessário que o desenvolvimento da tecnologia atingisse um nível ideal de maturidade, principalmente no que diz respeito ao sensoriamento. Tal amadurecimento permite que a concessionária dê passos importantes rumo à implementação do sistema em todos os seus parques. “Começamos com o monitoramento de temperatura dos nossos transformadores e reatores. Partimos então para o monitoramento de buchas desses equipamentos e, atualmente, temos confiança no que desenvolvemos ao longo do tempo, de forma que decidimos criar esse centro”, afirma a superintendente.

Lilian Ferreira explica também que o projeto é baseado nos aspectos voltados à implementação da norma de gestão de ativos, visando a certificação da ISO 55000. “Dentre as diretrizes da norma, há toda essa questão focada nos processos de operar e manter o sistema. Por isso, dentro do projeto de manutenção estamos focados nesta parte de monitoramento e predição dos ativos”, complementa.

Plataforma é operada internamente pelas equipes de proteção e controle, equipamentos, engenharia de projetos e operação. Imagem: Reprodução/Eletronorte.

“Decisão ousada”

Os últimos dois anos foram fundamentais para o processo de centralização dos sistemas de monitoramento já presentes na empresa de energia, indica o diretor de Operação e Manutenção da Eletronorte, Antonio Augusto Bechara Pardauil. Apontado como o grande sponsor da proposta, o engenheiro avalia como ousada – e plenamente justificável – a decisão de investir em uma criação como essa, uma vez que ela oferece grandes benefícios para o grupo, que atualmente detém uma série de usinas térmicas e hidrelétricas e mais de 11 mil quilômetros em linhas de transmissão.

“Ao embarcarmos na tecnologia de digitalização, trazendo o que há de melhor no mundo e customizando com os interesses da empresa, os ganhos são fantásticos. Primeiramente, evitamos a exposição de pessoas ao risco de monitorar os equipamentos em campo – uma vez que a ação é feita de maneira remota. Outra vantagem importantíssima é a melhora e a eficientização na construção do planejamento da manutenção, pois as prioridades são estabelecidas em função da saúde real dos dispositivos. Com isso, garantimos que a gestão eficaz de todos os equipamentos de geração e transformação de energia estejam sob controle. É uma ousadia trazer essa centralização? Sim. Contudo, acredito que seja uma questão de sobrevivência de uma empresa de energia ter um monitoramento pleno de todos os ativos de geração e transmissão”, justifica Pardauil. 

Funcionalidades

A instalação está equipada com painéis SAP Analytics Cloud, do sistema DianE, desenvolvido pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel). De acordo com o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do DianE, Christian Ducharme, um dos principais ganhos possibilitados pelo sistema do Cepel é a prevenção a sinistros: “Conseguimos acompanhar vários parâmetros e perceber quando o equipamento está ficando crítico, em condições não adequadas para a operação. Quando isso ocorre, mandamos alarmes e e-mails para os gestores para que tomem uma decisão enquanto o problema ainda é pequeno”, afirma. 

Quem também teve papel de destaque para o aprimoramento da tecnologia presente no projeto foi a Treetech, fornecendo grande parte dos dispositivos eletrônicos inteligentes (como monitores de temperatura, monitores de bucha e rede de comunicação) utilizados pela Eletronorte. Para o diretor comercial da Treetech, Marcio da Costa, a mudança da manutenção para o patamar preditivo contribui com a disponibilidade, confiabilidade e previsibilidade do setor elétrico: “É como se fosse uma corrente formada por elos. Temos que fortalecer todos os elos para que a corrente se torne mais resistente”, compara.

O centro de monitoramento conta ainda com o Sistema Integrado de Apoio à Análise de Perturbações (SINAPE.NET), desenvolvido para fornecer informações às equipes de proteção e controle, além do Sistema de Monitoramento de Equipamentos (SIMME), elaborado pela equipe interna para monitorar as turbinas de Tucuruí. Também foi firmado contrato para aumentar a segurança cibernética das redes, através da detecção e correlação avançadas de ameaças, detecção e respostas a incidentes, gerenciamento de logs e relatórios customizáveis.

Internamente, o sistema é operado pelas equipes de proteção e controle, equipamentos, engenharia de projetos e operação.

Painéis presentes no centro de monitoramento. Imagem: Reprodução/Eletronorte.

Resultados e planos para o futuro

Graças à central, já é possível observar um grande avanço no planejamento de manutenção da empresa, conforme avalia o diretor de Operação e Manutenção do grupo: “A usina de Tucuruí já é 100% monitorada na parte de vibração, o que permite adequar o planejamento de manutenção para alocarmos nossas horas de trabalho e os insumos de manutenção para atender à priorização dos equipamentos em função do estado deles. Com isso, começamos a revisitar o planejamento da manutenção online, ou seja: primeiro irei atuar naquele equipamento que já possui algum sinal de desgaste. Consigo ainda traçar as curvas de tendência do desempenho, e com isso aloco melhor os meus recursos necessários para a execução cada vez mais eficiente da manutenção”. 

Ainda de acordo com o executivo, outro resultado importante que já pode ser observado é a mitigação do risco de surpresas por falhas de equipamentos. “Uma falha grave em um equipamento de geração ou transmissão de energia leva a grandes indisponibilidades e a prejuízos financeiros proporcionais a isso”, explica. 

Atualmente, 42% das buchas pertencentes à Eletronorte já são monitoradas de forma remota. Pardauil revela que há o plano para que uma sequência de implementações aprimore o papel desempenhado pelo centro de controle. Entre os próximos passos estão a ampliação do programa de monitoramento para o sistema HVDC e o acompanhamento dos gases DGA em transformadores na usina de Tucuruí. A expectativa é que, até o próximo ano, todas as malhas de equipamentos estejam 100% monitoradas, o que incluirá a geração de relatórios diagnósticos, otimizando todos os recursos da empresa – tanto os de colaboradores quanto os recursos para a compra de materiais. “O tempo irá dizer que foi uma decisão acertada, não tenho dúvidas”, conclui o diretor. 

Metaverso

De olho nos avanços tecnológicos mais recentes, a Eletronorte também está desenvolvendo um projeto de Realidade Virtual e Aumentada com uso de óculos virtuais para ambiente imersivo do Sistema HVDC, com o propósito de recriar subestações e equipamentos para agilizar treinamentos e melhorar o desempenho da manutenção. Lilian Ferreira explica que as equipes que hoje estão no campo terão acesso a um ambiente do metaverso, no qual, junto à equipe de engenharia de manutenção, será possível interagir com tal realidade virtual.

Clique aqui para fazer o download da pesquisa na íntegra.

Autora:

Por Fernanda Pacheco

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