Eficiência energética das instalações elétricas – parte 2

Quando falamos em eficiência energética, o que normalmente nos vem à cabeça é a racionalização do emprego da energia em seus usos finais, sejam eles cargas motóricas, resistivas, ou uma combinação delas, mas que de alguma forma, realize trabalho ou traga conforto ao usuário desta energia.

Como disse no primeiro capítulo desta série, “A energia mais barata, com menor impacto ambiental e mais eficiente que existe é a energia economizada”.

Como propus, devemos incluir as instalações elétricas propriamente ditas, sejam os condutores em seus mais amplos aspectos como comprimento linear, material, forma e seção transversal, conexões e suas características elétricas e químicas. Também devemos incorporar a concepção dos projetos e confiabilidade esperada por eles, que reduz ou amplia substancialmente a quantidade de materiais inseridos e estes, suas perdas Joule, outras perdas por ruído, vibração, indução nas mais diversas formas de acoplamento magnético, indesejáveis aos circuitos elétricos mais eficientes.

Dando continuidade, gostaria de propor a discussão sobre o material de construção dos circuitos, não só do minério/ligas ou materiais isolantes, mas também sobre a qualidade do produto final.

Esse tema geralmente é polêmico, pois:

  • Quem especifica o produto são os projetistas, que eticamente determinam as especificações gerais, mas não podem determinar marca ou modelo, para que haja livre concorrência;
  • Quem compra, geralmente é um empreiteiro, instalador ou construtor, cuja meta é comprar o mínimo para que o preço esmagado seja compatível com o preço que ele foi contratado para executar, ou seja, o custo da instalação é o mínimo que atenda a especificação pede, com a famosa “reengenharia”. Cabe ressaltar que quem compra, na grande maioria das vezes, não é o dono do empreendimento nem quem irá operá-lo;
  • Quem irá utilizar a instalação, geralmente não está envolvido no processo de construção, portanto, não participa da escolha dos materiais;
  • Quem é o proprietário, geralmente pressiona muito o custo da construção para baixo, em geral, sem muito critério, forçando os construtores e instaladores a executar com o mínimo de qualidade possível, o que sobremaneira influencia a qualidade dos materiais, geralmente para baixo.

Como visto acima, o “sistema” tem uma lógica perversa. Por mais exigente que seja a especificação e o projeto, que nasceu das premissas estabelecidas entre projeto e desejo do proprietário, sempre haverá a lógica perversa do custo baixo “a qualquer custo”.

Com base nessas premissas, como já falamos no artigo anterior, alguns modelos de certificação de instalações se preocupam com a racionalização do consumo da energia e também com alguns tópicos da qualidade da instalação, mas será que todas as possibilidades estão sendo avaliadas?

Vejamos o seguinte: A escolha de um condutor, por exemplo um barramento blindado ou um circuito de cabos, que atenda à máxima queda de tensão estabelecida pela distribuidora em consonância com a NBR-5410, é realmente a melhor opção? Vejamos pelo lado da dissipação térmica. Se um circuito elétrico tem em grande parte das vezes, máxima queda de tensão estabelecida de 7% desde a transformação até a última carga, conforme a NBR-5410, será que admitir toda essa perda por dissipação térmica, ao longo do ciclo de vida útil da instalação, não custará mais caro que investir em uma instalação com máxima eficiência, cuja queda de tensão seja de 3,5%, que custará o dobro no investimento, mas que em 7 ou 8 anos, pelo consumo previsto, pagará este investimento e o resto da vida útil será “lucro”? Provoco mais: será que executar uma instalação cujo índice de manutenção, por escolher melhores produtos, aqueles com menos manutenção prevista, que custe o dobro, mas que tenha manutenção decenal prevista, contra produtos com manutenção anual. Em quantos anos o “OPEX” custará mais que o “CAPEX” daquele com menos manutenção?

Acrescentando os custos de manutenção, vejamos que todos os técnicos que se aproximam de instalações elétricas energizadas para operação e manutenção fazem jus à adicionais de periculosidade em seus vencimentos. Se você avaliar estes custos, acrescidos ao ciclo de vida da instalação, suas decisões de compra seriam diferentes?

Como disse ao longo deste artigo, será que a decisão de compra atual persegue o menor custo de instalação, operação e manutenção da instalação ao longo do ciclo de vida dela? Se a resposta acima foi não, sugiro que você leia a próxima edição e também procure estudar este assunto mais à fundo. Até breve!

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