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Como ficou o jargão “10 ohms em qualquer época do ano” para o caso de aterramento não natural, com a nova ABNT NBR 5419?

Edição 119 – Dezembro de 2015
Espaço 5419
Por José Barbosa de Oliveira*

A versão anterior da ABNT NBR 5419:2005 apresentava uma recomendação de resistência de aterramento de aproximadamente 10 ohms para eletrodo de aterramento não natural, que desencadeou uma prática de avaliação de todo o SPDA através desse valor. Logo, alcançar um valor menor que 10 ohms era indevidamente considerada condição sine qua non para um SPDA adequado, de tal modo que se tornou comum encontrar uma nota nos projetos solicitando que a resistência de aterramento deveria apresentar um valor mínimo de 10 ohms em qualquer época do ano.

Avaliar todo o SPDA somente e através de um relatório da resistência de aterramento é, no mínimo, uma irresponsabilidade muito grande. É muito possível um SPDA não atender sequer a uma linha da ABNT NBR 5419 e se obter do seu aterramento um valor menor que 10 ohms de resistência, principalmente quando não se aplicam os conceitos da ABNT NBR 15749:2009, que é a norma que regulamenta métodos para medição de resistência de aterramento.

 

Contrariando a prática adotada, a nova ABNT NBR 5419:2015 não apresenta um valor de referência para a resistência de aterramento e, por consequência, não exige sua medição nas inspeções periódicas para o caso de aterramento não natural. O valor ideal para a resistência de aterramento sempre será o menor valor possível, sem que isso comprometa a configuração básica. Mas há uma distância entre o ideal e o mínimo.

 

O valor mínimo da resistência de aterramento é conseguido atendendo a duas exigências da nova ABNT NBR 5419, que compõem a configuração básica. A primeira é o dimensionamento de um anel eletricamente contínuo ao longo de toda sua extensão, contornando todo o volume de proteção, tendo pelo menos 80% do seu comprimento enterrado a, no mínimo, 50 centímetros de profundidade e afastado em torno de 1 metro das paredes onde estão instalados os condutores de descidas. A segunda consiste em atender à condição:

O comprimento  é obtido no gráfico a seguir, que o relaciona com a resistividade do solo em que o eletrodo de aterramento será instalado.

Ore é o raio médio da área abrangida pelo eletrodo de aterramento em forma de anel.

Caso a condição anterior não seja atendida, deverá haver uma complementação do eletrodo de aterramento não natural em anel, por meio de eletrodos na horizontal (cabos) ou na vertical (hastes). Para a complementação por cabos na horizontal, o comprimento por condutor de descida deverá ser, considerando o eletrodo de aterramento posicionado em uma camada de mesma resistividade:

E para a complementação por hastes na vertical, o comprimento por condutor de descida deverá ser:

Nesse caso, para um eletrodo de aterramento não natural, a medição da resistividade do solo torna-se fundamental e poderá ser realizada observando os critérios definidos na ABNT NBR 7117:2012.

É importante ressaltar que o valor a ser buscado em aterramentos já instalados, segundo consta da seção 7 da ABNT BR 5419-3, é o de continuidade elétrica dos condutores e emendas do subsistema de aterramento para garantir a sua integridade física.

Sempre é bom lembrar que um aterramento, por meio das armaduras de aço eletricamente contínuas das fundações da estrutura, é a melhor solução e deverá ser observada antes de se adotar uma solução por elementos adicionais.


*José Barbosa de Oliveira é engenheiro eletricista e membro da comissão de estudos CE 03:64.10, do CB-3 da ABNT.

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