Com eólicas offshore e H2 verde, Brasil conseguiria suprir 40% da energia importada pela Europa, diz ISI-ER

O Brasil conseguiria suprir aproximadamente 40% da demanda de energia elétrica da Europa – equivalente à fatia fornecida atualmente pela Rússia – caso 100% da produção esperada nos futuros parques eólicos offshore (no mar) fosse destinada à exportação, tendo o chamado “hidrogênio verde” (H2 Verde) como meio de armazenamento.

A projeção foi apresentada pelo pesquisador líder do Laboratório de Sustentabilidade do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Juan Ruiz, durante o painel “Energia eólica e hidrogênio verde – uma associação viável”, no Fórum Nacional Eólico – Carta dos Ventos, realizado no último dia 29 de junho.

Durante a apresentação, o pesquisador do ISI-ER explicou que, com o potencial de produção offshore previsto pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil teria um excedente de 5.040 Terawatt-hora (TWh) de energia para exportação, o que representaria 1.764 TWh a serem aproveitados no destino final – o mercado europeu, por exemplo.

Para efeito de comparação, a importação de energia da Europa em 2020 foi estimada em 4 mil Terawatt-hora. “Desses 4 mil TWh, 38% foram fornecidos pela Rússia, que hoje está em conflito (com a Ucrânia), e é uma energia cinza”, disse Ruiz, se referindo à oferta do insumo por parte da Rússia baseada em combustíveis fósseis, ao contrário da que seria comercializada pelo Brasil, com origem em energias como a eólica.

O cenário sugerido por ele leva em conta projeções da EPE para demanda de energia elétrica no Brasil até 2026, o potencial offshore estimado nacionalmente em 700 Gigawatts (GW) e perdas esperadas de energia em etapas da produção e exportação, como a eletrólise – o processo químico utilizado para obtenção do hidrogênio verde – compressão e transporte até os mercados de destino.

A indústria do chamado hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis e potencial meio de armazenamento de energias limpas para exportação, está em processo de estruturação nacionalmente, e à espera de regulamentação.

No contexto da transição energética, esse hidrogênio também desponta como possibilidade de insumo para uso em processos industriais e para utilização como combustível em substituição aos tradicionalmente utilizados, considerados poluentes.

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