CINASE Campinas: de olho na transição energética, evento discute como readequar cem anos de práticas em apenas uma década

Nos dias 09 e 10 de novembro, a cidade de Campinas (SP) recebeu pela primeira vez a Edição Especial Sudeste do Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE), evento itinerante que há mais de uma década conecta profissionais de todo o País às novas tendências e discussões que estão modificando e revolucionando o mercado brasileiro e mundial de eletricidade, oferecendo congresso técnico e exposição simultânea de empresas altamente consolidadas.

No encontro, realizado no Expo Dom Pedro, área estratégica e privilegiada da segunda maior região metropolitana do estado de São Paulo, temas como inovação, novas tecnologias, operação e manutenção do sistema elétrico e transição energética não ficaram de fora das mais de 20 horas de programação. As questões foram debatidas por profissionais com elevado nível técnico e por executivos de instituições como Grupo CPFL, Neoenergia, CGTI, Eldorado, CPqD, BYD, ABB, Schneider, Tramontina, Weg, e muitas outras.

Desafios para a próxima década e para as próximas gerações

Com o tema “Gestão da Inovação no Setor Elétrico – Investimentos e Soluções”, a palestra de abertura foi conduzida pelo diretor comercial da CPFL Soluções, Flávio Souza, e pelo diretor de Estratégia e Inovação da CPFL Energia, Renato Povia. Durante a apresentação, foi discutida a realidade de que “ainda estamos nos primeiros dias de transição energética, mas nos próximos 10 anos provavelmente teremos mais mudanças do que nos 100 anteriores”, com destaque para o que os especialistas classificam como as cinco diretrizes de tal transformação acelerada: redes inteligentes; digitalização; liberação do mercado; centralidade no cliente; e foco nas práticas de ESG (Governança ambiental, social e corporativa).

A discussão encaminhou-se para algumas das questões de maior relevância quando o assunto é gestão da inovação: como traduzir tal projeção sobre o mercado de energia em uma realidade tangível e como readaptar e “reaprender” práticas que já são adotadas há décadas? Para Flávio Souza, é necessário estar atento à conexão cada vez mais próxima entre o mercado livre de energia e a digitalização. “Imaginem que o ambiente onde a liberalização de mercado, em que o próprio consumidor escolherá de quem irá comprar energia, se dará em um cenário digital. Hoje o cliente compra e recebe uma fatura, mas no futuro ele poderá pegar um aplicativo em seu celular e escolher de quem comprar energia, de forma digital. A dúvida não é mais se isso irá acontecer, mas quando irá”, repercutiu.

A conferência prosseguiu com um painel de debates onde se discutiram os caminhos adotados para que as fontes renováveis de energia impulsionem a transição energética. Mediado pela professora e pesquisadora na FEEC Unicamp, Danúsia Arantes, o bate-papo contou com a participação do professor da Universidade de Campinas, Walmir Freitas; do especialista em regulação na ABEEólica, Riomar Merino Jorge; e do diretor de Operações na CPFL Renováveis e CPFL Geração, Francisco Di Mase Galvão. 

Durante a cativante conversa, o público teve a oportunidade de conhecer detalhes sobre a implantação e os resultados já obtidos pelo maior laboratório vivo da América Latina para a integração de tecnologias emergentes em sistemas de distribuição. O projeto foi concebido pelo professor Freitas, que já atuou como pesquisador principal em mais de 50 projetos de P&D para concessionárias e agências governamentais brasileiras, canadenses, indianas e da Costa Rica. Segundo o acadêmico, esses projetos atraíram mais de R$ 200 milhões em investimentos, tendo a implementação do laboratório como um de seus resultados mais tangíveis. Freitas explica que o conceito de “laboratório vivo” vem do fato de o projeto ter sido instalado em áreas fora das dependências da universidade, como em residências e comércios da região – visando uma maior probabilidade de sucesso tecnológico e de geração de valor para sociedade.

A discussão também abrangeu os avanços do movimento de regulação da eólica offshore, através da Portaria Interministerial MME/MMA 03/2022, que define as diretrizes para criação do Portal Único de Gestão do Uso das Áreas Offshore (PUG-offshore) – ferramenta digital, online e pública que cria um balcão único para o acompanhamento de projetos a partir dessa modalidade de geração. O tema foi abordado por Merino Jorge, que destacou o grande potencial do Brasil na transição energética mundial. Para o especialista, a previsão é de que o País possa contar com os primeiros parques eólicos offshore até o fim da década. 

Já o diretor de Operações na CPFL enfatizou a importância de ações empresariais focadas em ESG, uma vez que “a sustentabilidade de uma empresa é a sustentabilidade da sociedade”. Di Mase Galvão ainda frisou a necessidade de investimentos em uma melhor estrutura da transmissão – uma vez que a produção de energia limpa se concentra na região Nordeste do País, enquanto a maior demanda vem da região Sudeste – e resumiu habilmente a urgência em se adotar medidas para a consolidação da transição energética, ao afirmar que “é insustentável pensar que as próximas gerações irão depender de fontes fósseis”.

Relevância e oportunidades

O evento ofereceu mais de 50 outras palestras e painéis de debates, explorando uma vasta pluralidade de temas que se estendeu ao longo dos dois dias de programação. Não ficaram de fora da pauta discussões sobre a contribuição do hidrogênio verde para o desenvolvimento energético sustentável; os desafios para o avanço da eletromobilidade no Brasil; a segurança e a confiabilidade da energia solar fotovoltaica; e as aplicações da Indústria 4.0 e IoT na área elétrica.

A 41ª edição do CINASE contou ainda com a exibição de cases de sucesso, como as ações de inovação e digitalização das redes na Neoenergia e o papel desempenhado pela CPFL Soluções para a eficiência energética no projeto de modernização do Complexo Esportivo do Pacaembu, local cuja gestão foi assumida pela concessionária Allegra Pacaembu em 2020 e tem a reinauguração prevista para janeiro de 2024, com o intuito de se tornar “o maior e melhor centro de convivência, esporte e lazer da cidade de São Paulo”. 

Fazendo jus ao slogan “ponto de encontro da engenharia elétrica”, a conferência ofereceu também a oportunidade de conhecer as novas soluções e tendências apresentadas por 35 grandes empresas do setor, entre fabricantes, distribuidores de materiais elétricos e prestadores de serviço. Em sua última edição do ano, o Circuito Nacional do Setor Elétrico mais uma vez se mostrou como sendo o ecossistema ideal para a atualização profissional através do aprimoramento de conhecimentos, além de oferecer uma grande oportunidade para a realização de negócios e muito networking. Em 2023 tem muito mais CINASE!

Marque na agenda!

CINASE – Edição Sudeste – Rio de Janeiro (RJ)

10 e 11 de maio de 2023

CINASE – Edição Norte – Belém (PA)

26 e 27 de julho de 2023

CINASE – Edição Nordeste – Fortaleza (CE)

13 e 14 de setembro de 2023

CINASE – Edição Sul – Curitiba (PR)

04 e 05 de outubro de 2023

Por Fernanda Pacheco

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