Carro elétrico: uma realidade que se impõe

maio, 2018

A mobilidade elétrica se tornou a maior tendência mundial da indústria automotiva e governos lideram essa agenda ao promoverem projetos com veículos elétricos no transporte público, com o objetivo de reduzir ruídos e poluentes e contribuir para a melhoria da qualidade de vida.

São muitas as vantagens para os consumidores. O combustível é significativamente mais econômico. Enquanto a eficiência energética de um carro elétrico supera 80%, os carros a combustão não ultrapassam os 20%. Como não há perda de energia com calor, a maior parte do consumo é convertida em movimento, reduzindo significativamente o desperdício de energia.

As vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in saltaram de cerca de 22 mil (2009) para cerca 750 mil (2016), um aumento de 133% ao ano. Somente em 2017, foram vendidos mais de 1 milhão de carros elétricos no mundo. O gráfico 1 mostra este robusto crescimento.

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Na China, maior mercado global de veículos a combustão, os elétricos saíram de 0,7% e abocanharam 3% da fatia de mercado. Para 2018, a meta do governo Chinês é de chegar em 8% de elétricos no market share.

Em alguns países escandinavos, nestes primeiros meses de 2018, os elétricos já detêm uma fatia superior a 30% de market share. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que cerca de 30% de todos os veículos vendidos no mundo, em 2030, serão elétricos. Este aumento significativo na demanda acelerará a queda dos preços destes veículos, deixando-os mais atrativos do que os movidos a combustão.

As cidades chinesas começam a liderar essa agenda. Shenzhen, a capital das novas tecnologias da China, com 12 milhões de habitantes, surpreendeu ao mundo ao anunciar, no final de 2017, que atingiu 100% de ônibus elétricos na frota da cidade, com 16.359 unidades. Lá toda a frota da polícia e dos correios, além de 12.518 táxis, são elétricos.

Na Europa, esse processo se intensificou recentemente, após ação coordenada de governos para reduzir impostos e taxas, promover a infraestrutura de recarga, realizar incentivos financeiros e proibir a venda de veículos a diesel num horizonte de médio prazo, entre outras ações.

Diversas capitais europeias anunciaram políticas públicas para fomentar a compra e uso dos veículos elétricos. Durante a COP21, Paris liderou a assinatura de medidas para promover a energia limpa e o uso de mobilidade elétrica junto a outras 1.000 cidades pelo mundo. Paris, Milão, Oslo e Londres são exemplos, pois criaram zonas de baixa emissão nas cidades e estipularam metas de penetração entre 80% e 100% de frotas elétricas no transporte público até 2030, além de anunciar incentivos financeiros para fomentar o setor, como a redução ou isenção das taxas de propriedade (IPVA), de circulação (pedágios), de estacionamentos, ou mesmo redução de impostos e subsídios diretos, entre outras medidas.

De acordo com esta tendência, as montadoras já estão correndo para tentar liderar essa transição. As principais fabricantes globais já colocaram uma data limite para que seus lançamentos sejam todos elétricos ou híbridos plug-in.

O aumento da frota de carros elétricos amplia o mercado de geração de energia solar, o que tem sido acompanhado de perto pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). São Paulo lançará, em breve, sua primeira frota de ônibus elétricos alimentados por esta fonte. Agora, é preciso que o governo acorde para essa realidade e ajude a criar um ambiente propício para que nossas indústrias acompanhem esta evolução da indústria 4.0. Uma oportunidade que não pode escapar.

 

Este artigo contou com a colaboração de Adalberto Maluf, diretor da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) e diretor de Marketing, Sustentabilidade e Novos Negócios da BYD Brasil.

 

 

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