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Quando no início do século XX, o industrial Henry Ford precisou substituir os motores de sua fábrica, ele percebeu que teria um grande problema. Isso porque seria necessário também atualizar a linha elétrica que alimentava estes equipamentos. Se para isso fosse empregada a solução usual, o trabalho manual seria gigantesco, uma vez que cada cabo teria que ser aberto e testado, gerando desperdício de tempo e material. Como o objetivo de Ford sempre foi ter processos mais eficientes, ele acabou empregando uma solução alternativa para atualizar sua linha elétrica: desenvolveu uma linha de distribuição com barras, com módulos de acesso a cada distância determinada, possibilitando que a linha pudesse ser reconfigurada constantemente sem prejuízos. Nasceu aí o barramento blindado ou buzway.

O engenheiro projetista Thales de Azevedo Filho, sócio proprietário da Thales de Azevedo Filho Engenheiros Associados, explica que, segundo suas origens, o uso do barramento blindado difundiu-se principalmente na área industrial e depois comercial, atrelado a shopping centers, por exemplo. Conforme Azevedo Filho, uma construção como esta, composta por inúmeras lojas que costumam ter seu layout alterado constantemente, não poderia prescindir do barramento blindado. 

Não obstante, segundo o engenheiro, o emprego do barramento blindado tem crescido bastante na parte de distribuição elétrica de edificações, facilitando a vida de empresas que decidem unificar salas para aumentar sua área útil. “O barramento blindado facilita a conexão do medidor com as linhas das salas unificadas, pois permite a derivação através de uma janela de acesso no próprio barramento. Sem ele, seria preciso que o eletricista pegasse cada cabo manualmente e fizesse a modificação, o que daria muito mais trabalho”, diz.

O vice-presidente de Comunicação e Recursos Associativos da Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais de Minas Gerais (Abrasip-MG), Breno Assis, explica que o aumento da utilização de barramentos blindados em edificações surge como resposta a uma demanda antiga da área da construção civil que é a de deixar para trás os processos artesanais e caminhar para a industrialização. O sócio proprietário da Thales de Azevedo Filho Engenheiros Associados complementa: “o barramento blindado acena como um passo adiante na pré-fabricação. Com ele, evita-se a confusão do canteiro, a improvisação da obra, que gera um passivo técnico muito grande e também desperdício financeiro”, explica.

Outra razão que pode explicar o uso de barramentos blindados para além de instalações industriais e comerciais é a evolução tecnológica dos materiais que o compõem. O  vice-presidente de Comunicação e Recursos Associativos da Abrasip-MG relata que o estudo de novos processos industriais para a montagem desses barramentos, como a busca por materiais isolantes mais eficientes, culminou na compactação cada vez maior desses materiais. Essa compactação, por sua vez, tornou mais fácil a instalação e a manutenção, em suma, o manuseio do barramento blindado. A compactação também foi responsável, segundo Assis, por aumentar o grau de proteção do sistema. “Os barramentos que já foram muito abertos, mais acessíveis, hoje contam com graus de proteção bem maiores, que possibilitam inclusive seu uso até em linhas submersas”, diz.

A descoberta de que o alumínio poderia substituir o cobre na composição dos barramentos sem que ele perdesse suas propriedades condutoras também foi grande impulsionador do sistema. Isto porque o preço do alumínio é bem menor do que o do cobre. Para se ter uma ideia, após o início da guerra na Ucrânia, que viu os preços das commodities dispararem, a tonelada do alumínio atingiu o preço de 4 mil dólares, enquanto a tonelada do cobre disparou para quase 11 mil dólares. Conforme Azevedo Filho, essa diferença, que é de quase 4 vezes quanto ao material bruto, cai para um terço no que se refere ao material manufaturado, pronto para substituir o cobre com a seção equivalente. “Mesmo assim é um ganho em custo financeiro fantástico”, afirma.

Além de ter um custo menor, o alumínio é mais leve que o cobre, o que facilita sua instalação e suporte. Outra vantagem é que ele é menos oxidável. O fato de ser mais sustentável do que o cobre o torna ainda mais atraente ao mercado, em um período onde  a preocupação ambiental é crescente. Segundo Azevedo Filho, a única desvantagem do alumínio em relação ao cobre é que, em contato com o oxigênio, ele gera óxido de alumínio (alumina), que prejudica o contato elétrico. “A indústria, porém, resolveu facilmente este problema  ao fabricar os barramentos de alumínio com uma finíssima camada de estanho em sua terminação”, diz. 

Conforme o sócio proprietário da Thales de Azevedo Filho Engenheiros Associados, a película de estanho no barramento de alumínio também resolveu uma outra questão que assombrava muitos profissionais da área: a impossibilidade de emendar o alumínio do barramento e o cobre da fiação da edificação, já que, por serem materiais eletroquimicamente distintos, geram uma tensão responsável por uma corrosão galvânica. “O estanho possibilitou a emenda ao ficar como elemento de sacrifício entre o alumínio e cobre”, explica.

Além de estanho, a terminação do barramento de alumínio pode ser cobreada. Essa composição, segundo o engenheiro Breno Assis, permite a superação de outro obstáculo muito comum na área, que é o fato de os eletricistas responsáveis pela instalação do equipamento não estarem familiarizados em trabalhar com o material. As soldas e as conexões distintas, o fato de  alumínio e cobre juntos poderem causar corrosão no cabo, tudo isso deixava os profissionais inseguros. 

O barramento blindado também se torna uma opção interessante porque fios e cabos quando queimam produzem gases tóxicos, os chamados halogênios, os grandes responsáveis pelas vítimas fatais em um incêndio. “No barramento blindado não há estes componentes que liberam halogênio”, diz Azevedo Filho. O equipamento é basicamente composto por barras condutoras acondicionadas em invólucro metálico, que permite ao material condutor uma grande vida útil, com pouca necessidade de manutenção. 

As diversas vantagens proporcionadas pelo barramento blindado não significam, porém, que o sistema substituirá os cabos tradicionais de uma vez por todas. Há, por exemplo, tecnologias de cabos que possuem cobertura à base de compostos termoplásticos não halogenados. Ou seja, não é preciso o uso do barramento blindado para evitar a produção de gases tóxicos. Além disso, de acordo com Azevedo Filho, há lugares em que o aspecto modular não é necessário, como, por exemplo, estabelecimentos residenciais. Mesmo quando há, em alguns casos não é viável, por isso, segundo o projetista, é sempre recomendável um estudo econômico antes de decidir por uma ou outra tecnologia. 

“Eu não posso dizer se o barramento blindado é melhor do que o fio comum para qualquer situação. Mas o que eu consigo afirmar é que se trata de uma tecnologia mais segura, mais prática e mais barata, em que é possível reduzir em até 80% o uso de mão de obra de montagem”, conclui.

Clique aqui para fazer o download da pesquisa na íntegra.

Autor:

Por Bruno Moreira.

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