Aspectos do fator de potência em regime de carga baixa – parte II

nov, 2019

Na edição passada, trouxemos um caso de planta industrial que apresenta cobrança de excedente de energia reativa em período de baixa carga, quando o sistema de compensação reativa clássico não possui condições de operar pelo comportamento da carga, respeitando-se as premissas de não tornar a carga capacitiva, evitando sobretensões e cobrança de excedentes de reativos capacitivos na madrugada, quando a regra de cobrança é invertida e os excedentes de energia reativa são aplicados às instalações com fator de potência capacitivo neste período.

Tabela 1 – Perfil de carga dos dias úteis.

O cálculo  desta energia reativa excedente segue as premissas da  port aria 414 da Agência Nacional de  Energia Elétrica (Aneel). A tabela 1 indica o perfil de carga típico dos 22 dias úteis do mês e o fator de potência é sempre corrigido pelo sistema de compensação existente. As t abelas 2 e 3 apresentam os perfis de carga dos quatro sábados e quatro domingos do mês. Durante período parcial dos sábados, o reativo consumido é corrigido pelo sistema existente e durante os períodos com carga baixa 43kW e 5 8kvar, o sistema de  compensação de energia reativa não opera.

Tabela 2 – Perfil de carga dos sábados.
Tabela 3 – Perfil de carga dos domingos.

A tabela 4 resume os consumos de energia ativa e reativa em períodos de ponta e fora de ponta, considerando 22 dias úteis e quatro finais de semana, bem como o cálculo da energia reativa excedente nestes períodos. Considerando que o cálculo da demanda relativa à energia reativa consumida apresentou sempre valores menores que zero, a mesma é, neste caso, desconsiderada.

Tabela 4 – resumo de consumo e custos.

Conclusões

  • Os valores cobrados de excedente de energia reativa não compensada são da ordem de 0,5% da conta.
  • A tarifa aplicada para o cálculo do excedente da energia reativa excedente, por conta da resolução 414 da Aneel, é da ordem de 80% da tarifa da energia consumida fora de ponta e próximo a 25% da tarifa da energia consumida na ponta.
  • Caso  seja  desejável  a compensação da  energia  reativa consumida  em baixa carga, deve-se prever uma solução que se adeque ao perfil de carga, sem que torne a instalação capacitiva (não só para se evitar sobretensões, mas até para evitar a cobrança na madrugada), neste caso, algo em torno de 50kvar de forma fixa com os devidos cuidados e compatíveis à solução de compensação existente para os períodos de carga.

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