Alinhamento estratégico para o gerenciamento de ativos

As organizações de capital intensivo, principalmente de infraestrutura e que estão fundamentadas em operações de ativos físicos, como energia elétrica, aeroportos, transporte, siderurgia,  saneamento, adquirem ativos para entregar produtos ou serviços alinhados ao seu fim. Ou seja, além de um forte foco na gestão física dos ativos, há uma necessidade de ter um foco na gestão financeira, pois elas devem demonstrar a sustentabilidade financeira ou a lucratividade.

Quando os ativos não possuem um desempenho esperado, impactando em indisponibilidades, redução de preço das ações e falhas no cumprimento de metas corporativas, a equipe gestora deve realizar um alinhamento entre o valor monetário que se espera do ativo e os ganhos financeiros. 

Um impacto importante relacionado à decisões de curto prazo, podem comprometer significativamente os resultados financeiros a longo prazo, principalmente quando há reduções orçamentárias desalinhadas no gerenciamento de ativos. Quando as decisões de redução orçamentária são feitas contabilizando apenas o custo, os cortes de capital e orçamentos para o processo de manutenção e operação, elas podem trazer algum alívio para as demonstrações de resultados no curto prazo. O problema é que, abordagens desequilibradas e desalinhadas para gerenciar ativos, têm consequências financeiras que podem ser medidas em bilhões em custos evitáveis.

As normas de gerenciamento de ativos aumentaram significativamente a conscientização de que gerenciar ativos é buscar o equilíbrio no tríade custo, risco e desempenho. Com as interações corretas entre finanças e gerenciamento de ativos, uma companhia pode ter mais visibilidade dessas métricas.  Especialistas da área já devem ter a capacidade de mantê-los em equilíbrio, e para isto, os processos da empresa devem estar alinhados.

E isso se configura quando há alinhamento da gestão de ativos à gestão estratégica empresarial. E ainda, ganhos mensuráveis também são medidos quando se alinha a gestão técnica e a gestão financeira, ou seja, a gestão técnica dos ativos não pode ser otimizada sem a vinculação ao sistema de gestão financeira. O contrário é válido, os objetivos do planejamento financeiro de longo prazo e a distribuição dos recursos e investimentos não podem ser efetivamente alcançados sem a vinculação aos dados de operação e desempenho do sistema de gerenciamento técnico de ativos.

As normas de gestão de ativos trazem um aspecto relacionado ao ciclo de vida do ativo, compreendendo todas as etapas seguintes: momento em que se detecta a necessidade de um ativo; a necessidade de ampliação do negócio; elaboração de projetos; e responsabilidades após o fim de uso desses ativos. A gestão de ativos físico resulta em uma política clara do processo de renovação de ativos, os quais devem ser renovados, modernizados e a definição de até aqueles que devem desempenhar suas funções ao máximo de vida.

Neste mesmo contexto, são avaliados os momentos quando:

• Os custos operacionais e/ou de manutenção durante a vida remanescente do ativo
excedem o custo de substituição/renovação;

• Risco iminente de falha do ativo;

• Impacto de uma provável falha supera o custo de substituição;

• Uma provável falha pode comprometer a confiabilidade e a segurança do sistema
e de pessoas;

Para se alcançar o alinhamento é necessária uma abordagem de participação das diversas equipes da companhia. Assim, a organização será mais eficaz e eficiente, pois cada área participa da tomada de decisão e possui sua responsabilidade no processo, com o objetivo de atingir as metas organizacionais. Assim, por meio da aplicação dos padrões, as organizações se moverão no sentido de maximizar o valor, que pode derivar para todas as partes interessadas, gerenciando os ativos com um equilíbrio adequado.

Autora:

Por Lílian Ferreira Queiroz, engenheira eletricista, formada pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, possui MBA Executivo em Liderança e Gestão de Empresas Estatais pela Fundação COGE, MBA em Liderança, Inovação e Gestão 3.0 pela PUC RS,  MBA Executivo – Setor Elétrico – FGV e outros. Possui capacitação XBA – Programa Executivo Internacional de Gestão Exponencial STARTSE. É membro do Cigré, onde participa ativamente em eventos nacionais e internacionais. É especialista em Confiabilidade de ativos e participa ativamente nos temas de Gestão de Ativos. É Superintendente de Gestão da Manutenção na Eletrobras Eletronorte.

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