A obesidade atinge cerca de 80% das instalações Ex

dez, 2010

Ed.58 – Novembro de 2010

Por Dácio Miranda Jordão

As instalações elétricas e eletrônicas em áreas classificadas, segundo dados estatísticos, estão com o peso acima do desejável.

Isso se deve ao fato de que a maioria dos equipamentos ainda continua sendo especificada com o tipo de proteção à prova de explosão, metálica, com junção corpo-tampa flangeado, efeito da herança técnica adquirida nos primórdios dos projetos da indústria de petróleo vinda da filosofia americana.

 

O tipo de proteção à prova de explosão foi a primeira solução desenvolvida para a utilização de equipamentos elétricos em ambientes de atmosfera explosiva há mais de 100 anos. Sua invenção se deve à Inglaterra ou à Alemanha. Não se sabe exatamente em qual país isso aconteceu. Mas o seu nascimento foi fruto de uma necessidade proveniente da atividade principal da época, que era mineração subterrânea, principalmente de carvão. Foi também quando se começou a utilizar a eletricidade para fins industriais. A tarefa era complicada, ou seja, projetar um equipamento (invólucro) capaz de suportar as condições adversas de um ambiente com presença de gás inflamável – gás de mina (grisu) –, de pó combustível (carvão) e, além disso, com robustez suficiente para suportar impacto, pois esse equipamento era instalado em um espaço limitado, com forte movimentação de carga (ferramentas de escavação, vagões de transporte de minério, etc.). Daí nasceu o famosíssimo equipamento à prova de explosão.

Sua concepção foi baseada no princípio de que esse invólucro teria de ser suficientemente robusto para suportar uma pressão de explosão interna sem se romper, e não deveria permitir que essa explosão se propagasse para o meio externo, apesar da junção corpo-tampa, entrada de cabos (eletrodutos ou prensa-cabos), acionamentos, lâmpadas de sinalização, etc. Para que essas condições fossem atendidas, esse invólucro deveria ser feito de material resistente a pressões de explosão e todas as suas eventuais folgas de eixos, manoplas de operação, etc., deveriam ser dimensionadas de modo que, em caso de uma explosão interna, elas garantissem que os gases oriundos dessa combustão não fossem capazes de propagá-la para o meio externo (área classificada). O resultado foi então um invólucro metálico, de paredes espessas, e muito pesado.

Durante décadas essa foi a solução mais praticada na indústria de processo, principalmente nos Estados Unidos, e se constituiu no principal tipo de invólucro reconhecido pela tecnologia americana. Como o Brasil não tinha normas sobre esse assunto, a nossa referência era a americana e por isso as nossas instalações em áreas classificadas foram fortemente marcadas com o estilo Tio Sam.

Na Europa foi diferente, pois se desenvolveram novas tecnologias, com ênfase em soluções que resultavam em equipamentos mais leves, mais parecidos com os industriais comuns, destacando-se com enormes vantagens, o conceito de “segurança aumentada”, que possibilitou a construção de invólucros de plástico, que possuem resistência mecânica compatível com o uso industrial, mais resistentes à corrosão e de vida útil maior do que os tradicionais à prova de explosão. Mesmo os invólucros à prova de explosão europeus seguiram um caminho diferente, em que a junção corpo-tampa no compartimento à prova de explosão é rosqueada, ao invés de flangeada e a parte que recebe os cabos de alimentação ficam em um compartimento do tipo segurança aumentada, onde são feitas as ligações ao equipamento. Essa solução, a nosso ver, está muito à frente da tradicional americana.

Esses equipamentos já são comercializados no Brasil e existem algumas iniciativas para a fabricação em nosso País. Nota-se ainda sua utilização pouco frequente devido principalmente ao elevado nível de desinformação dos responsáveis pelos projetos das instalações em áreas classificadas, resultando com isso na prática indiscriminada de “prova de explosão”, desde que o ambiente seja de indústria que manuseia, processa ou armazena produto inflamável. É algo similar ao processo utilizado pelos psicólogos e psiquiatras chamado de “estímulo-resposta”, ou seja, o psicólogo diz: área classificada!  O paciente responde: à prova de explosão corpo-tampa flangeado!

É necessário ainda um trabalho de disseminação dessas novas tecnologias, de modo que as nossas instalações sejam submetidas a uma dieta para perderem peso e serem mais esbeltas, mais funcionais, mais elegantes, mais práticas, com menos chances de ocorrência de efeitos colaterais.

Comentários

Uma Resposta

  1. Roverto Capiva disse:

    O tipo à prova de explosão ainda tem boa relação custo x benefício graças ao seu preço baixo e tecnologia já dominada pelos fabricantes brasileiros. Como todos os outros tipos Ex, exige mão-de-obra capacitada. Isto precisa ser desenvolvido em maior escala.

Deixe uma mensagem