10º Fórum do Biogás: Setor tem papel importante na transição energética do país

Considerado o maior evento de biogás da América Latina, o evento ocorre em São Paulo, entre os dias 13 e 14 de novembro.

O biogás e o biometano estão entre os principais protagonistas na rota da transição energética e descarbonização da matriz e da economia no Brasil e no mundo. É nesse contexto que o Fórum do Biogás, o maior evento do setor na América Latina, realizado pela Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), chega à sua décima edição, debatendo o presente e o futuro das fontes.

Ao considerar a projeção da ABiogás de alcançar 6,6 milhões de metros cúbicos (m³) de biometano por dia até 2029, estima-se a geração de 46 mil empregos. Contudo, se conseguirmos atingir o potencial total teórico do biogás, estimado em 216 milhões de m³ por dia, equivalente a 78,8 bilhões de m³ por ano, o setor poderia contribuir para a criação de aproximadamente 800 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Esses e outros números integram o estudo realizado pela entidade em parceria com o projeto GEF Biogás Brasil.

O 10º Fórum do Biogás, que conta com apoio da World Biogas Association (WBA), é um evento abrangente e dinâmico, destacando temas cruciais para o futuro do setor. As discussões incluirão visões estratégicas para o avanço do biogás e do biometano, análise dos desafios e oportunidades na transição energética, exploração de opções de financiamento sustentável, estratégias para transformar a mobilidade, e ênfase na valorização do atributo verde dessas fontes.

Além disso, serão abordados desafios e oportunidades na infraestrutura de distribuição de biometano, tendências de powershoring e neoindustrialização verde, o papel do hidrogênio renovável, reflexões sobre a importância da diversidade no futuro energético, termelétricas de biogás como catalisadoras na transformação de resíduos em energia sustentável, a complementaridade entre o gás natural e o biometano, a legislação direcionando o futuro do setor, e a exploração de soluções avançadas e inovadoras no campo do biogás e do biometano. Este Fórum oferecerá uma oportunidade única para aprofundar o entendimento e explorar o potencial transformador dessas fontes energéticas no cenário atual.

Renata Isfer, presidente executiva da ABiogás, ressalta a relevância do Fórum do Biogás, um evento de destaque no setor. “Chegamos à décima edição do Fórum da ABiogás em um momento crucial e transformador para o setor. A tecnologia para a cadeia de biogás e biometano já se desenvolveu; as autoridades e os governos reconheceram a importância fundamental dessas fontes na matriz energética brasileira, especialmente para a descarbonização de setores desafiadores, e para a busca da independência e autossuficiência energética. Por isso, estamos colaborando intensamente para tornar essas transformações realidade, e acreditamos que nos próximos anos testemunharemos esse avanço.”

Redução de emissões de gases de efeito estufa e geração de emprego na cadeia do biogás- em parceria, o projeto GEF Biogás Brasil e a ABiogás revelam a primeira estimativa de impacto de geração de emprego e de redução de emissões de gases de efeito estufa pelo setor de biogás no Brasil. O projeto GEF Biogás Brasil é liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com o CIBiogás como principal entidade executora.

O estudo inédito utilizou como ponto de partida dados da ABiogás sobre o potencial teórico de produção de biogás no país. Já as metodologias para o cálculo de geração de emprego e de redução de emissões de GEE foram desenvolvidas pelo projeto GEF Biogás Brasil. A pesquisa revela dados nacionais, regionais e estaduais. Esse levantamento atende a uma demanda que o setor do biogás possui: quantificar os impactos ambientais e sociais positivos que a produção e o consumo de biogás podem gerar para o Brasil.

Gustavo Ramos, coordenador nacional do projeto GEF Biogás Brasil e assessor da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SETEC), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), destaca a importância da iniciativa. “Esses dados irão auxiliar, principalmente, os gestores públicos, agentes políticos e a sociedade civil na tomada de decisões em direção a uma economia circular e sustentável. Nosso estudo também pode servir como referência para a construção e implementação de políticas públicas voltadas ao setor de biogás, desde a esfera federal até a municipal.”

Os infográficos serão disponibilizados nos sites da ABiogás e do projeto GEF Biogás Brasil logo após o lançamento, durante o Fórum da ABiogás. O relatório técnico com os parâmetros utilizados, bem como uma ferramenta digital para estimar a redução das emissões de GEE para projetos de biogás, também serão lançados em breve.

O projeto GEF Biogás Brasil tem o objetivo de fortalecer as cadeias de produção, comercialização e inovação tecnológica no setor de biogás e biometano, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa e estimulando a economia circular no Brasil.

O biogás e o biometano são essenciais para a transição energética em diferentes meios de atuação, como na geração de energia elétrica, no setor de transportes, na produção de hidrogênio renovável e biofertilizantes. Além disso, podem ser produzidos a partir de resíduos do saneamento básico, do setor sucroenergético, da produção agrícola e da criação de animais. O setor é um grande potencializador da economia circular na cidade e no campo, permitindo o uso de materiais que, antes, seriam descartados.

Panorama do setor- Atualmente, com tecnologias já maduras, o Brasil conta com 885 plantas de biogás. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de 2021 a 2022, a contribuição do biogás para a oferta interna de energia passou de 376 mil para 438 mil tep (Tonelada Equivalente de Petróleo).

No setor elétrico, a maior parte das plantas é de micro e minigeração distribuída. Até abril de 2023, eram 116 MW de potência instalada, divididos em 469 unidades, provenientes de diferentes matérias-primas. As plantas de geração centralizada eram 246 MW de potência instalada, divididos em 50 unidades. Quanto aos estados, Minas Gerais é o de maior desenvolvimento de plantas de biogás para geração de energia elétrica, com 193 plantas. O Paraná conta com 91 e, em Santa Catarina, funcionam outras 47 plantas.

O país possui hoje 20 plantas de biometano, com uma produção estimada em 985 mil m³ por dia, de acordo com o CIBiogás. Destas, 14 são destinadas ao consumo no próprio local de produção. As outras seis são voltadas para comercialização, devidamente autorizadas pela ANP, com uma capacidade instalada de 417 mil m³ de biometano por dia. No entanto, projetos já mapeados pela ABiogás apontam para 87 plantas em 2029, o que resultará em uma produção de 6,6 milhões de m³ de biometano por dia. Mais da metade desses empreendimentos é de resíduos de saneamento (52%), seguido pelo setor sucroenergético (42%), produção agrícola (5%) e proteína animal (1%).

No setor do agronegócio, o biometano é o destino de resíduos e ainda fornece biofertilizante, que pode ser utilizado em plantações, fechando o ciclo da economia circular.

Se todo o resíduo disponível hoje no Brasil fosse utilizado para a produção de biometano, o setor sucroenergético poderia produzir 57,6 milhões de m³ por dia de biometano. A proteína animal poderia produzir até 38,9 milhões de m³ por dia, enquanto os resíduos da produção agrícola teriam capacidade para produzir 18,2 milhões de m³ por dia de biometano. O saneamento básico, por sua vez, teria a projeção de 6,1 milhões de m³ por dia de biometano.

O biometano é tecnicamente equivalente e intercambiável com o gás natural, conforme resoluções da ANP, além de regulatoriamente equivalente ao gás, por meio da Lei 14.134/2021 (“Lei do Gás”). Devido a essas características, o biometano utiliza a mesma infraestrutura que o gás natural, seja por meio de gasodutos de distribuição e transporte, seja na forma de distribuição via GNC (Gás Natural Comprimido) e GNL (Gás Natural Liquefeito). Destaca-se ainda que esse compartilhamento de infraestrutura já ocorre, com duas plantas injetando biometano nos gasodutos brasileiros.

O aproveitamento do biogás e do biometano é a alternativa madura mais competitiva de alcançar os compromissos climáticos nos setores de maior dificuldade de descarbonização, como a indústria e o transporte. Além de contribuir para a independência e autossuficiência energética no Brasil.

A interseção entre powershoring e o setor de biogás e biometano no Brasil destaca-se como um elemento catalisador para a transformação do panorama energético. O powershoring, caracterizado pela descentralização e digitalização da produção e distribuição de energia, encontra no biogás e biometano fontes promissoras para sua implementação. A capacidade de produção distribuída dessas fontes, aliada à flexibilidade proporcionada pelo powershoring, potencializa a geração de energia de forma mais eficiente e sustentável. Além disso, a descentralização promovida pelo powershoring pode viabilizar projetos locais de produção de biogás, aproveitando resíduos regionais para impulsionar a matriz energética brasileira de maneira mais autônoma e resiliente. Essa convergência entre powershoring e biogás/biometano exemplifica uma abordagem inovadora e alinhada com os princípios de uma transição energética sustentável no contexto brasileiro.

Hidrogênio renovável – Além do biogás, com a rota da eletrólise, o biometano também é uma alternativa viável para a produção de hidrogênio renovável, por meio da reforma a vapor do metano.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil apresenta um potencial técnico de produção de hidrogênio a partir do biogás de 21,5 MT (milhões de toneladas), correspondendo a 23% do consumo mundial em 2021. Com esse potencial, seria possível suprir mais de 30 vezes a demanda de ureia agrícola do Brasil, uma vez que 80% dessa demanda nacional é atualmente importada.

Conforme a análise da EPE, o potencial técnico de produção de hidrogênio a partir do biogás no Brasil poderia não apenas atender significativamente à demanda interna de ureia agrícola, mas também contribuir de forma expressiva para a redução da dependência do país em relação às importações desse insumo.

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