Visão mesópica e o impacto na iluminação pública

out, 2011

Edição 68 / Setembro de 2011
Por Juliana Iwashita

Um dos temas de destaque do último encontro da Comissão Internacional de Iluminação (CIE) foi a fotometria mesópica e sua relação com as fontes de luz branca fria. A região de luminância mesópica (entre 0,005 cd/m2 e 5 cd/m2) está entre a condição escotópica e a fotópica. Isto é, retrata a condição de brilho em uma região intermediária entre uma condição sem luz e com luz, respectivamente. É a condição de aplicações como a iluminação pública, iluminação de áreas ao ar livre, iluminação de túneis e iluminação de emergência. Na região mesópica, a sensibilidade espectral do sistema visual humano não é constante, mas muda conforme o nível de luminosidade.

Esta questão é importante e atual, pois, em 2010, a CIE publicou o documento técnico CIE191: Recommended System for Mesopic Photometry Based on Visual Performance. Este documento foi fruto do trabalho do Comitê Técnico TC1-58: Desempenho visual no intervalo mesópico, iniciado em 2004 e finalizado em 2009, mas, atualmente, está sendo base de referência para a elaboração de uma norma internacional ISO/CIE.

Embora a visão mesópica esteja há muito tempo sendo estudada e discutida não existia até então nenhuma documentação internacional definida. Até 2010 a base de toda a fotometria era a fotópica, criada em 1924 e a escotópica, criada em 1951, porém sem muito uso prático em fotometria.

O novo sistema fotométrico mesópico descreve a eficiência luminosa espectral, Vmes(l) na região mesópica como uma combinação linear da eficiência luminosa fotópica V (l) e da escotópica V ‘(l).

O uso deste novo sistema mesópico altera o desempenho luminoso e, consequentemente, a eficácia luminosa de lâmpadas nas condições com pouca luminosidade, como na iluminação pública.

A Tabela 1 lista os S/P ratios (relação escotópica/fotópica) de fontes luminosas usadas em iluminação externa. Estes S/P ratios correspondem a valores típicos para estas fontes de luz, uma vez que podem variar dentro da mesma família de lâmpadas, conforme o tipo e a potência da lâmpada.

As fontes de luz com S/P > 1 possuem maior conteúdo do seu desempenho espectral na região de comprimento de ondas curtas e são mesopicamente mais eficientes que as outras fontes com S/P < 1. Isso significa que as fontes de luz com maior conteúdo de azul no espectro da lâmpada possuem maiores S/P ratios.

Tabela 1 – S/P ratios típicos (desempenho luminoso escotópico-fotópico) de diferentes tipos de fontes luminosas

Isso significa que as fontes de luz brancas, como os Leds brancos frios e as lâmpadas metálicas frias, possuem melhor desempenho visual em condições de baixa luminância que fontes tradicionais, como lâmpadas de sódio e de mercúrio.

A tecnologia Led, por ter a possibilidade de produzir luz variando suas propriedades espectrais, pode otimizar efetivamente suas eficácias luminosas para aplicações em condições mesópicas. Dessa forma, o uso da fotometria mesópica deve abrir ainda mais o caminho para o utilização de Leds na iluminação externa e pública.

Segundo expectativas da CIE, o uso da fotometria mesópica irá promover o desenvolvimento de produtos de iluminação otimizados mesopicamente, pois dará aos fabricantes fundamentos para desenvolver fontes de luz otimizadas para uso em aplicações de baixa luminosidade, resultando em condições visuais e energéticas mais eficientes.

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