Ventos que fortalecem o Brasil

fev, 2018

Para o setor de energias renováveis, o ano de 2018 começou com uma ótima notícia: o Governo Brasileiro aprovou, no dia 17 de janeiro, por unanimidade, o início do processo de adesão do Brasil à Agência Internacional de Energia Renovável (Irena). Fazer parte da Irena certamente nos colocará num novo patamar de maturidade perante a comunidade internacional.

Nos últimos anos, o Brasil já vem apresentando resultados sólidos e positivos em relação à importância da eólica na matriz elétrica, com crescimento sustentável e sucessivos recordes de geração. Com seus mais de 500 parques eólicos em operação, produtividade bem acima da média mundial, leilões com alta competitividade e um crescimento sustentável da fonte eólica com benefícios sociais concretos, acredito que o Brasil tem muito a contribuir nas discussões da Irena. Além disso, temos muito a ganhar com o aprendizado de outros países e certamente nos beneficiaremos muito do conhecimento que a agência tem acumulado.

Há discussões amplas que interessam a todos os países, como é o caso, por exemplo, do potencial disruptivo da energia eólica e de todas as novas renováveis, exigindo evolução de sistemas e formas de atuar que perderam sua validade frente às necessidades do mundo moderno. Para as eólicas, por exemplo, existe um desafio muito importante e que tem sido enfrentado de forma muito eficiente pela indústria e pelo Operador Nacional do Sistema (ONS): trata-se da inserção das eólicas na matriz considerando sua variabilidade. Em um vídeo* sobre disrupções produzido pela ABEEólica no ano passado, o ONS conta, por exemplo, como tem lidado com a variabilidade natural da fonte de uma forma previsível e que não tem causado qualquer prejuízo ao sistema. Além disso, é importante lembrar que as eólicas têm salvado o Nordeste da seca já há bastante tempo devido ao baixo volume dos reservatórios da região. Há dias em que atendemos mais de 60% da região. Isso mostra a força das eólicas, já consolidada como sendo de fundamental importância na matriz elétrica brasileira e representa um aprendizado brasileiro que pode ser compartilhado com outros países. Este é apenas um dos exemplos de temas que podem ser de interesse global.

A Irena possui hoje 152 países membros e cerca de 30 estão em processo de adesão, como o Brasil. Criada em 2009, a agência tem realizado um trabalho sério, sistemático e profundo, o que a colocou, em pouco tempo, numa posição de autoridade mundial em energia renovável. Os estudos realizados pela agência, por exemplo, são largamente utilizados por empresas e governo, uma vez que trazem leituras de cenário amplas, de alta inteligência, produzidas por profissionais com grande conhecimento do setor. Um dos últimos estudos divulgados pela agência, por exemplo, o “Renewable Power Generation Costs in 2017”, trouxe um panorama da queda dos custos das renováveis ao redor do mundo, fato este que estamos constatando nos últimos leilões realizados no Brasil e em outros países.

Estou certa de que a decisão de aderir à Irena foi uma atuação certeira do Governo Brasileiro que nos trará resultados positivos concretos. Nós temos um dos melhores ventos do mundo e estamos conseguindo utilizá-lo de maneira muito eficiente, com resultados consistentes nos últimos anos. São ventos que não apenas abastecem cada vez mais lares e indústrias brasileiras, mas também são ventos que podem ajudar o País a ir mais longe na arena internacional e conquistar um papel de destaque nas discussões sobre energia eólica.

 

 

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