Um ano depois, poucas distribuidoras se adequaram a tarifa branca

jul, 2019

Por Ricardo Hayashi, responsável por produtos para Conexões Inteligentes da Atech

A tarifa branca, uma opção tarifária com variação do valor da energia conforme o período de consumo durante o dia, já está em vigor desde janeiro de 2018. Com ela, o consumidor passa a ter possibilidade de pagar valores diferentes em função da hora e do dia da semana. Se o cliente adotar hábitos que priorizem o uso da energia fora do período de ponta e intermediário – aqueles com maior demanda de energia na área de concessão – a opção pela tarifa branca oferece a oportunidade de reduzir o valor pago pela energia consumida em até 17%.

Entretanto, caso o seu consumo de energia se concentre nos horários de pico a despesa total poderá ser maior. Para o consumidor residencial não chega a ser um grande problema, já que da mesma forma que ele pode aderir ao novo modelo de tarifação de consumo, caso a mudança não gere benefícios, é possível solicitar a volta ao modelo convencional, pedido que deve ser atendido pela concessionária em 30 dias.

Mas a adesão ao novo modelo tarifário tem sido muito abaixo do esperado, e o número de unidades consumidoras que optaram pela modalidade correspondeu a menos de 1% do potencial para o período.

Onde está o ponto fraco dessa cadeia? Alguns especialistas indicam que a falta de conhecimento e informação, dificuldade de entendimento e riscos envolvidos são os maiores obstáculos. A maior parte dos consumidores não tem informações detalhadas sobre o seu perfil diário de consumo – informações que somente podem ser obtidas com a instalação de medidores inteligentes, o que na verdade parece ser o ponto fraco, já que poucas concessionárias modernizaram e automatizaram a sua infraestrutura para medição de energia elétrica.

Para que o consumidor possa aderir à tarifa branca, é preciso instalar um medidor inteligente de modo que ele possa acompanhar o seu perfil de consumo em tempo real e também receba a fatura discriminada com os valores de demanda em cada período: ponta (aquele com maior demanda de energia), fora de ponta (aquele com menor demanda de energia) e intermediário (via de regra, uma hora antes e uma hora depois do horário de ponta).

Mas além da necessidade de medidores inteligentes para impulsionar a adesão à nova modalidade tarifária, é preciso que a concessionária conte com uma tecnologia de conectividade confiável e resiliente, capaz de enviar constantemente os dados sobre o consumo e também informações sobre demanda, sobrecarga, interrupções e outros eventos.

Nesse cenário, a implantação da tecnologia de Redes Mesh entrega a conectividade necessária para o aproveitamento de todos os recursos dos medidores inteligentes. Simples de implantar e de baixo investimento para implantação, operação e manutenção (em relação às demais tecnologias), as Redes Mesh apresentam a vantagem de sua topologia permitir que cada terminal de rádio conectado ao medidor poder se comunicar com outro rádio que está mais próximo dele, ou seja, atuando como um repetidor ao mesmo tempo que coleta dados do medidor, transmitindo as mensagens de rádio para rádio até, finalmente, alcançar a um gateway (ponto de acesso à rede principal da empresa) o que garante uma grande área de cobertura com o mínimo de equipamentos e infraestrutura, impossível de se conseguir com as outras tecnologias de rádio.

Além de oferecer a conectividade fundamental para a implantação de medidores inteligentes, a tecnologia de Redes Mesh também oferece outras vantagens para as concessionárias, como a capacidade de monitorar a saúde da estrutura da rede de distribuição de energia, com acesso a informações em tempo real de todos os locais, inclusive para automação da rede de distribuição conectando os religadores, sensores de falta, banco de capacitores e reguladores de tensão, aumentando a segurança, a eficiência, a disponibilidade e a confiabilidade no fornecimento de energia.

Em termos estratégicos, a implantação de conectividade por meio da tecnologia de Redes Mesh e de medidores inteligentes vão gerar novos modelos de gestão de medição nas distribuidoras de energia, com acompanhamento online da evolução e demandas do consumidor. Ao final, o resultado é um uso mais racional da rede elétrica, redução das perdas comerciais e rentabilidade para as concessionárias de energia e, para os clientes, um serviço de qualidade e uma cobrança mais justa – uma situação ganha-ganha.

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