Retrofit de sistemas de iluminação

nov, 2009

Edição 45, Outubro de 2009

Por Juliana Iwashita

Grande parte dos sistemas de iluminação de instalações elétricas antigas possui significativo potencial de economia de energia, uma vez que apresentam equipamentos de tecnologia obsoletas, com alto consumo energético.

A substituição e a modernização do sistema de iluminação, ou retrofit do sistema, como também é conhecido, e a análise do potencial de economia de energia, podem ser resumidamente explicadas no seguinte passo a passo:

1º Passo

Realização de um diagnóstico energético do sistema de iluminação. Levantamento dos equipamentos utilizados (tipos de luminárias, lâmpadas e reatores) e das cargas de iluminação: potência instalada e tempo de uso de cada ambiente da instalação para estimativa da demanda e consumo de energia elétrica, respectivamente.

 

2º Passo

Análise da densidade de potência de cada ambiente (W/m2). Ambientes com densidades de potência elevadas possuem maior potencial de economia de energia. Para uma referência de valores eficientes podem ser considerados os valores recomendados pela ASHRAE Standard 90.1 (Tabela. 9.6.1 – Lighting Power Densities using the Space-by-Space Method)

 

3º Passo

Medição dos níveis de iluminância dos ambientes e comparação com os níveis recomendados pela norma NBR 5413 – Iluminância de interiores.

 

4º Passo

Projeto do novo sistema de iluminação, considerando-se a possibilidade de substituição dos equipamentos existentes por equipamentos mais eficientes, como a substituição de luminárias tipo calhas por luminárias com refletores em alumínio anodizado, a substituição de lâmpadas fluorescentes tubulares de halofosfato (T12 e T10) por lâmpadas fluorescentes com pó trifósforo (T8 ou T5) e a substituição de reatores eletromagnéticos por reatores eletrônicos. Nesta nova proposta, devem ser adequados os níveis de iluminância do ambiente de acordo com a norma NBR 5413. Deve-se verificar a necessidade de redução ou aumento da quantidade de pontos de luz ou potências instaladas por ponto para adequação dos níveis de iluminância.

5º Passo

Análise dos sistemas de controle existentes e previsão de sistemas mais eficientes, caso seja possível, como maior segmentação do controle por meio de interruptores, aproveitamento da iluminação natural, utilização de sensores de presença e/ou luminosidade e sistemas de automação.

6º Passo

Elaboração de um plano de manutenção do novo sistema de iluminação, incluindo periodicidade de limpeza dos equipamentos e substituição programada de lâmpadas e reatores conforme vida útil do sistema. Tal passo é importante para garantir que o nível de iluminância recomendado para o ambiente continue sendo atingido.

7º Passo

Análise da nova potência instalada do sistema proposto versus a potência instalada originalmente.

8º Passo

Cálculo da economia de energia do sistema considerando o consumo mensal ou anual dos sistemas novo e antigo e cálculo do retorno do investimento.

 

Exemplos de retrofits de sistemas de iluminação

Faculdade de Engenharia Elétrica, Escola Politécnica – US P**

 

Hall de entrada

Antes: Muito ma l iluminado por luminárias com lâmpadas mistas, instaladas a uma altura de 6,0 m, sem aproveitam ento da iluminação natural.

Depois: A solução adotada consistiu em uma iluminação indireta, por meio de projetores com lâmpadas a vapor metálico bilateral de 150 W instaladas a 4,0 m do solo. A mudança do sistema , além de valorizar a entrada, possibilita a ausência de ofuscam entos e uma ma nutenção mais fácil. Por estarem instalados em uma altura menor, andaimes não são ma is necessários para ma nutenção. A utilização de fotocélulas aciona o acendimento da iluminação artificial na ausência da natural.

 


Exemplos de retrofits de sistemas de iluminação

Faculdade de Engenharia Elétrica, Escola Politécnica – US P**

Áreas de circulação

Antes: Estavam instaladas luminárias tipo calha para duas lâmpadas de 40 W e reatores eletroma gnéticos. Excesso de ofuscam ento na circulação.

Depois: Os nichos originais do edifício, onde originalmente existiam lâmpadas incandescentes, foram recuperados e serviram como nicho para luminárias reflexivas para duas lâmpadas fluorescentes compactas de 18 W.

 

Salas de aula

Antes: Estavam instaladas luminárias tipo calha para duas lâmpadas de 40 W e reatores eletroma gnéticos, am biente com elevado grau de ofuscam ento e sem iluminação adequada para a lousa.

Depois: As salas de aula sofreram reforma geral e ganharam iluminação geral e localizada para o plano vertical da lousa, por meio de wa ll wa shers. Foram instaladas luminárias com alto rendimento e controle de ofuscam ento para duas lâmpadas de 32 W, reatores eletrônicos e sensores de presença do tipo ultrassônico e infravermelho, que garantem o desligam ento automático da iluminação 20 minutos após a última detecção de movimento.

 


 

* Juliana Iwashita é arquiteta pela FAU-USP, mestre em engenharia elétrica pela POLI-USP e consultora luminotécnica.

**Projeto premiado na Categoria Corporações 2005: Prêmio Abilux de Projetos de Iluminação

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