Quadros e painéis

jul, 2017

A crise econômica que assola o país apresenta uma faceta perversa ao mercado de quadros e painéis, notadamente, os de baixa tensão, que sofrem agora a influência na atualização técnica dos conjuntos de manobra e controle de baixa tensão.

Com as publicações da ABNT NBR IEC 61439-1:2016 Errata 1:2017 – Conjuntos de manobra e comando de baixa tensão – Parte 1: Regras gerais e da ABNT NBR IEC 61439-2:2016  – Conjuntos de manobra e comando de baixa tensão – Parte 2: Conjuntos de manobra e comando de potência, o mercado brasileiro tem o prazo de cinco anos, a contar da data da publicação em 02/05/2017, para atualizar seus produtos conforme a nova diretriz. Ou seja, no exato momento em que estamos no fundo do poço (assim esperamos), temos que nos preparar para grandes investimentos em projeto, desenvolvimento e ensaios dos quadros, painéis e barramentos blindados de baixa tensão.

Como notícias ruins nunca vêm em pequenas quantidades, há que se considerar ainda que a grande maioria dos laboratórios nacionais não tem acreditação Inmetro, muito menos ILAC (do inglês International Laboratory Accreditation Cooperation, uma cooperação internacional de organismos de acreditação de laboratórios e de inspeção formada há mais de 30 anos para ajudar a remover barreiras técnicas ao comércio – o acordo ILAC apoia a aceitação dos resultados de laboratórios acreditados), o que torna a busca de um certificado com validade e reconhecimento internacionais uma busca trabalhosa e onerosa.

Não obstante, os novos requisitos técnicos para verificação das características de performance dos conjuntos de manobra e controle de baixa tensão e barramentos blindados, em especial aqueles com capacidades de corrente nominal superiores a 4000A e/ou suportabilidade às correntes de curta-duração acima de 65kA/1s, ambas dependendo da impedância dos corpos de prova, na maioria das situações supera a capacidade dos nossos laboratórios, fato que nos obriga a procurar laboratórios no exterior, onde despesas evidentemente correm de Dólares ou Euros. Isso, no momento turbulento da nossa economia, acrescenta o risco cambial a todo o pacote de incertezas aos quais o desenvolvimento de um produto por si só já é bastante grande.

Não fossem todas as informações do parágrafo anterior uma areia movediça aterrorizante, cabe ainda uma última informação que pode surpreender aos desavisados. Quando se decide embarcar um equipamento para o exterior, contratar os serviços de um laboratório estrangeiro para executar os ensaios desejados, além das despesas apimentadas com aquele risco cambial já conhecido para frete e seguro internacionais, despesas aduaneiras, etc., o destemido fabricante brasileiro deve ainda considerar que os valores a serem pagos ao laboratório no exterior sofrerão acréscimo de 25% de Imposto de Renda calculado “por dentro”, como se diz no jargão da contabilidade. Isso resulta, na prática, em um acréscimo de 33% ao valor do serviço contratado, visto que quando se contrata um serviço no exterior, paga-se imposto de renda. Parece brincadeira, mas não é!

Das más notícias acima devemos também considerar que os fabricantes nacionais ainda têm uma desvantagem temporal. As multinacionais, principalmente as de origem europeia, estão vivenciando essa versão da IEC-61439 desde 19/08/2011, quando foi publicado o primeiro fascículo da “IEC 61439-1 Ed. 2.0 b – Low-voltage switchgear and controlgear assemblies – Part 1: General rules”, nesta publicação, ou seja, o seu prazo de convivência com a nova versão já findou e, notadamente, todas chegaram ao mercado brasileiro com seus novos painéis na conhecida “versão 61439”.

Agora, resta-nos correr atrás. Boa sorte!

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