Projetos de eficiência energética devem ser implantados antes da Geração Distribuída (incluindo as fotovoltaicas)

out, 2016

De fato, causa bastante interesse aos consumidores em geral a possibilidade de cada qual, individualmente, ou em consórcio, condomínio ou outra agregação prevista, gerar sua própria energia. As resoluções Aneel 482 e 676 são bastante flexíveis e apontam para interessantes mudanças, que, se implantadas com responsabilidade, podem trazer bons resultados. Existem alguns aspectos que já foram aqui discutidos sobre a real necessidade técnica de sistemas de geração distribuída, em especial, os sistemas fotovoltaicos (PV) estarem conectados em paralelo com as redes de distribuição das concessionárias locais. Mesmo os sistemas com geradores operados em situação isolada ou “ilhados” merecem atenção em função da pobre regulação de tensão devido à baixa potência de curto-circuito. Também a situação de perda financeira das distribuidoras deve ser cuidadosamente avaliada, caso contrário, os outros consumidores sem geração própria pagarão a conta com redução da qualidade ou aumento de tarifa, caso a distribuidora “sobreviva”.

Chama a atenção que nem sempre as ações de eficiência energética são consideradas de forma natural previamente à implantação de qualquer novo sistema de Geração Distribuída (GD), uma vez que o custo por kWh economizado é bem menor que aquele a ser investido para a nova geração. Portanto, o novo sistema, se dimensionado em função de um novo cenário mais eficiente, terá um custo bem menor de implantação. Esta constatação é aplicável mesmo na especificação de sistemas com outros tipos de fonte (geradores, por exemplo). Ainda, esta constatação é muito aplicável em situações de fontes de “backup” não interligadas. O tratamento de cargas “nervosas” com a instalação de filtros é também, em geral, mais econômico que o custo do aumento da potência dos equipamentos de geração.

Muito simplificadamente, e como forma de exercitar o conceito, nos propusemos avaliar uma ação de eficiência energética anterior à implantação da PV, com a substituição de 100 lâmpadas fluorescentes compactas por lâmpadas Leds, operando por 300 horas por mês, conforme o cenário representado nas Tabelas 1 e 2 (cenários variam caso a caso).

Neste cenário foram desconsideradas análises temporais financeiras como as correções monetárias e custos financeiros, variações projetadas de custo de energia, custos projetados da substituição das lâmpadas fluorescentes compactas (a vida estimada da lâmpada Led é superior a três vezes àquela da fluorescente compacta), custos de manutenção, garantia e outros. A simulação foi consolidada com informações obtidas de simulações do “portal solar”:

Tabela 1 – Parâmetros considerados na análise
ed-129_col-qualidade_tab-1
Tabela 2 – Resultados da simulação
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Os pontos de observação e conclusões desta análise são as seguintes:

  • O investimento para o retrofit do sistema de iluminação é de R$ 1.620,00 e o custo de implantação do sistema “PV1” é de R$ 47.000 e do “PV2” é de 13.000 (diferença de implantação entre os dois sistemas de R$ 34.000);
  • O custo da energia economizada (relação entre investimento para a Ação de Eficiência Energética e energia economizada) neste projeto é da ordem de R$ 0,05/kWh ao longo da vida da lâmpada; o custo da geração PV nos 25 anos é de R$ 0,26 e o da distribuidora de aproximadamente R$ 0,50 (AES; Eletropaulo; B3);
  • Cada projeto de eficiência energética tem seu custo de implantação e vida útil e deve ser comparado as demais condições de suprimento da energia;
  • A percepção de payback máximo pode ser equivocada. Este indicador quando avaliado isoladamente não representa a viabilidade do projeto.

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