Preocupação com risco de explosão em áreas classificadas chega aos equipamentos não elétricos

jul, 2010

Edição 53 – Junho de 2010

Por Dácio de Miranda Jordão

O risco de explosão ou de incêndio, provocado por equipamentos não elétricos (mecânicos, hidráulicos e pneumáticos) em áreas classificadas passou a fazer parte também do tema segurança no trabalho.

 

Oficialmente, o começo foi no Comitê de Normalização Técnica da Comunidade Europeia, com o desenvolvimento de um conjunto de normas técnicas da série 13463, que estabelece os requisitos para que os equipamentos não elétricos possam operar em atmosferas potencialmente explosivas sem que se constituam em fonte de ignição.

Esse conjunto de normas encontra-se ainda em fase de elaboração e as normas já publicadas ou em processo de desenvolvimento são as que seguem:

NORMA

TIPO DE PROTEÇÃO

DESCRIÇÃO

EN 13463-1:2001 Part 1 Métodos e requisitos básicos.

 

EN 13463-2:2004 Protection by flow restricting enclosure (symbol: fr) O contato entre a atmosfera explosiva e a fonte de ignição é evitado a partir de uma selagem eficiente do invólucro. A selagem restringe a respiração do invólucro de modo a suportar as variações internas quando o ar aquece ou resfria, de acordo com o estado de operação do equipamento.
EN 13463-3:2005 Protection by flameproof enclosure (symbol: d) Uma explosão interna ao equipamento não propaga para a atmosfera externa. Este tipo de proteção utiliza juntas à prova de explosão e invólucros robustos.
prEN 13463-4 Protection by inherent safety (symbol: g) Baixo potencial de energia.
EN 13463-5:2003 Protection by constructional safety (symbol: c) O risco de ignição é eliminado pela especificação do equipamento.
EN 13463-6:2005 Protection by control of ignition sources (symbol: b) As fontes de ignição somente acontecem em caso de falha ou operação anormal. O equipamento é protegido por dispositivo que detecta falhas e evita o surgimento da fonte de ignição.
prEN 13463-7 Protection by pressurisation (symbol: p) Projeto ainda não disponível. Em geral, o invólucro é purgado com um gás de proteção (ar) e pressurizado de modo a prevenir a entrada de uma atmosfera explosiva externa.
EN 13463-8:2003 Protection by liquid immersion (symbol: k) O invólucro é preenchido com um líquido capaz de evitar o contato com a fonte de ignição ou resfria a superfície quente (por exemplo, uma caixa de engrenagens).

Posteriormente, foi formado um comitê misto ISO/IEC para desenvolver normas e procedimentos no âmbito internacional sobre o mesmo assunto. Esse comitê misto já elaborou um conjunto de normas seguindo o mesmo princípio adotado pela comunidade europeia. Essas normas são identificadas pelo número de série 80079, conforme a seguir:

ISO/IEC 80079 – NON-ELECTRICAL EQUIPMENT FOR USE IN EXPLOSIVE ATMOSPHERES

ISO/IEC 80079-34 Ed. 1.0

Explosive atmospheres – Application of quality systems for electrical and non-electrical equipment.

ISO/IEC 80079-36 Ed. 1.0

Explosive atmospheres – Non-electrical equipment for use in explosive atmospheres – Basic methods and requirements.

ISO/IEC 80079-37 Ed. 1.0

Explosive atmospheres – Non-electrical equipment for use in explosive atmospheres – Non-electrical type of protection constructional safety ‘c’, control of ignition sources ‘b’, liquid immersion ‘k’.

IEC Standards based on prEN 50495 and EN 13463-6

Safety devices required for the safe functioning of equipment with respect to explosion risk and Non-electrical equipment for use in potentially explosive atmospheres – Part 6: Protection by control of ignition source ‘b’.

É importante ressaltar que, com a criação desse grupo de trabalho da IEC, que está sendo conduzido pelo SC 31M (Subcomitê 31M), o Brasil também participará das discussões para a formatação dessas normas, via CT-31 do Cobei/ABNT. Desse trabalho, resultará normas internacionais e, consequentemente, normas brasileiras e logo haverá também, acreditamos, a inclusão desses tipos de equipamentos no processo de Avaliação da Conformidade do Sistema Brasileiro, gerenciado pelo Inmetro.

De modo geral, percebe-se uma preocupação mundial a respeito do risco de explosão e incêndio causados pela operação de equipamentos industriais, sejam de origem elétrica, eletrônica ou não.

Essa questão está em constante evolução e, pelo fato de o Brasil ser membro da IEC, estamos acompanhando passo a passo todo esse esforço no sentido de melhorar o nível de segurança de nossas instalações industriais. Como exemplo, vê-se a recente publicação da Portaria Inmetro 179, de 17 de maio de 2010, que trouxe para o âmbito da certificação de conformidade os ambientes industriais que manuseiam, processam ou armazenam materiais combustíveis na forma de pó, além de outras modificações também importantes.

 

Comentários

Deixe uma mensagem