Os recordes da energia eólica

out, 2018

No domingo, 19 de agosto, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) registrou um novo recorde horário de geração eólica, com máxima diária de 8.247 MW às 9h28, atendendo 98% da demanda do Nordeste. No período de 8h às 10h, a energia eólica atendeu a praticamente 100% da demanda da região. Mesmo considerando que aos domingos a demanda por energia é mais baixa, esses percentuais de atendimento são muito significativos.

Pouco mais de um mês antes, em 23 de julho, uma segunda-feira, o recorde de geração batido foi o de média diária: naquele dia as eólicas abasteceram 72% da demanda do Nordeste, com uma geração de 7.062Mwmed. O cenário, portanto, mostra que estamos acumulando recordes de forma consistente, tanto aos finais de semana como nos dias de semana, tanto em médias diárias como em horários específicos. Todos estes recordes, juntos, demonstram a força da energia eólica no Brasil.

E como explicar a força da eólica brasileira? Bom, em primeiro lugar, pelos nossos bons ventos. Para produzir energia eólica, são necessários bons ventos: estáveis, com a intensidade certa e sem mudanças bruscas de velocidade ou de direção. O Brasil tem a sorte de ter uma quantidade enorme deste tipo de vento, o que explica em grande medida o sucesso da eólica no Brasil nos últimos anos: saímos de menos de 1GW de capacidade instalada em 2010 para 13,4 GW em agosto de 2018. Já são mais de 500 parques eólicos em funcionamento, com mais de 6.600 aerogeradores em 12 Estados. Outro fator que explica o eficiente desenvolvimento da energia eólica no Brasil é o seu grande potencial. Estimamos que o Brasil tenha, em terra, um potencial de mais de 500 GW.

 

O sucesso da eólica no Brasil também pode ser explicado pelo rápido desenvolvimento de uma cadeia produtiva local e eficiente, que começou com índice de nacionalização próximo de 60% e alcançou a fabricação em território nacional de 80% de um aerogerador, conforme regras de financiamento do Programa FINAME do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O desenvolvimento da eólica no Brasil já acumula um investimento de mais de US$ 32 bilhões nos últimos sete anos, segundo dados Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Segundo dados de 2017 do Climatescope da BNEF, o Brasil é o 2º país mais atrativo mundialmente e o 1º colocado neste ranking para a América Latina e Caribe para atratividade de investimentos em energias renováveis.

 

A qualidade do nosso vento, nosso enorme potencial, uma eficiente cadeia produtiva, atração de investimentos e a consolidação de leilões competitivos colocam, portanto, o Brasil em posição de destaque no cenário mundial de geração de energia eólica. São estes os fatores que explicam porque a energia eólica cresceu tanto e seguirá crescendo no Brasil.

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