O choque que vem de baixo

mar, 2018

É frequente ouvirmos a descrição de casos e ocorrências em que trabalhadores relatam ter sentido choque ao tocar objetos ou partes metálicas sabidamente, efetivamente e comprovadamente aterradas.

E vem a dúvida!

“Se estava aterrada, como é que deu choque?”

Ora, para compreender o caso, há a necessidade de lembrar que o choque é a passagem de corrente de um ponto a outro ponto do corpo submetidos a potenciais diferentes ou, em outras palavras, com diferença de tensão. Normalmente, esse outro ponto é a terra, o próprio piso, ou ainda outra máquina ou outro corpo condutor que esteja na zona de alcance.

Supondo que se trate de uma coluna metálica de suporte de estrutura, do galpão ou de um poste, cuja base está efetivamente aterrada, e, ao tocá-la, o trabalhador que está com os pés no chão tenha a sensação de choque, isso indica que os pés que estão no chão estão em potencial diferente de zero, mesmo sendo terra, chão. Por que isso acontece?

Ora, condutores enterrados ou outras estruturas de máquinas ou equipamentos com defeito (fuga) podem colocar sob potencial diverso de 0 V a região do piso próxima à coluna. São fugas que, por conta da alta resistência do contato à terra, não estabelecem correntes suficientemente altas a ponto de sensibilizar e fazer operar os dispositivos de proteção convencionais (fusíveis e disjuntores).

Nessas condições é que acontecem fenômenos “inexplicáveis”, como o cachorro que não passa em certas regiões de piso de quintal (fio descascado sob o piso); minhocas que saem do chão inexplicavelmente (descarga de fase à terra nas proximidades); regiões de piso inexplicavelmente em temperatura mais elevada que o restante; campainhas que “zumbem” sem que alguém aperte o botão além do inevitável aumento na fatura de energia elétrica; e uma série de outras ocorrências que poderiam ser detectadas por dispositivos DR, que reconhecem a condição de fuga à terra e operam interrompendo a alimentação a montante da fuga.

Não é sem razão que, para esquemas IT, a ABNT NBR 5410 estabelece a obrigatoriedade de uso de DR.

É bom lembrar que essas situações podem ocorrer no ambiente de trabalho, nas nossas residências, tanto em áreas externas, quanto internas (laje), assim como na via pública, principalmente, em regiões de distribuição subterrânea, considerando os agravantes que são instalações sujeitas à umidade e que, frequentemente, esses circuitos nem mesmo possuem dispositivos de proteção apropriado e também costumam ser carentes de manutenção.

 

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 Figura 1 – Caixa de piso em via pública.

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Figura 2 – Caixa subterrânea em ambiente industrial.

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 Figura 3 – Ponto de fuga em conexão sob o piso: o vilão escondido.

 

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