O ano de 2017 da energia eólica

abr, 2018

A ABEEólica lançou, no início de abril, seu Boletim Anual de Geração da ABEEólica, um compilado dos principais dados do setor em 2017. As informaçôes mostram um setor maduro, dinâmico e que cresce de forma vigorosa. Em 2017, foram adicionados à matriz elétrica brasileira mais 2 GW de energia eólica em 79 novos parques, fazendo com que o setor chegasse ao final de 2017 com 12,77 GW de capacidade instalada em 508 parques eólicos, representando 8,1% da matriz. Foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho em 2017 e o investimento no período foi de R$ 11,4 bilhões. Estes dados principais mostram um ano de trabalho intenso e de implantação consistente de projetos contratados em anos anteriores.

2017 também foi um período em que os benefícios da fonte eólica ficaram ainda mais presentes. No Nordeste, por exemplo, a fonte eólica foi a salvação num ano de secas de reservatórios das hidrelétricas, chegando a suprir mais de 60% da energia da região. No total, a produção de energia eólica de 2017 apurada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) foi 26,5% superior à de 2016 e, pela primeira vez, a fonte chegou a atingir dois dígitos na matriz de produção, representando 10% da energia do país em agosto e 11% em setembro, meses que fazem parte da chamada “safra dos ventos”.

Boas notícias também vieram das comparações mundiais. De acordo com dados do  Global Wind Energy Council (GWEC), o Brasil ultrapassou o Canadá e ocupa agora a oitava posição no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica.

 

Presenciamos ainda em 2017 os bons resultados dos leilões de transmissão, indicando que estamos no caminho certo para uma solução estrutural do problema de escoamento de energia. No que se refere a financiamentos, o que observamos no ano foi uma movimentação em direção ao fortalecimento do mercado de bancos privados, o que deve levar a uma ampliação de ofertas de possibilidades de financiamento para os empreendedores do setor. Este novo cenário que vai se desenhando e que a indústria eólica avalia como positivo foi impulsionado, entre outras coisas, pela decisão do BNDES de substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP).

A principal notícia do setor no ano, no entanto, veio “aos 45 do segundo tempo”, nos dias 18 e 20 de dezembro, com a realização dos leilões A-4 e A-6, sendo que foi neste último que a fonte eólica se destacou. No A-6 foram comercializados 1,39 GW de capacidade eólica. Considerando também o resultado  do A-4, foram comercializados um total de 1,45 GW de energia eólica em 2017, o que equivale a um investimento de mais de R$ 8 bilhões. Importante registrar que a fonte eólica foi a mais competitiva, atingindo valores menores que as grandes hidrelétricas, o que está em linha com tendências mundiais, como bem indicou o relatório “Renewable Power Generation Costs in 2017”, lançado pela International Renewable Energy Agency (Irena) e que mostra a queda de preços das energias eólica e solar no mundo.

De forma geral, portanto, 2017 foi um bom ano para o setor de energia eólica, não apenas pelos dados de crescimento de produção e de novas instalações, mas, principalmente, pela retomada dos leilões. Convido, portanto, todos os leitores da “O Setor Elétrico” a consultarem os dados do Boletim Anual de Dados da ABEEólica, que está disponível no www.abeeolica.org.br.

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