Novo laboratório do Cepel contribuirá para desenvolvimento de pesquisas no setor de energia solar

nov, 2019

“É fundamental a oportunidade de avaliar os módulos fotovoltaicos ao longo do tempo de operação. Até porque, quando se faz um plano de negócios, existe a expectativa de que o projeto dure um determinado tempo e por decréscimo do desempenho e da eficiência pode haver uma redução da produção de energia, trazendo implicações para o resultado financeiro de determinado empreendimento. Portanto, poder acompanhar essa avaliação a partir desta iniciativa do Cepel é fundamental”, destacou Reive Barros, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), na inauguração do Laboratório de Sistemas Fotovoltaicos – Simulador Solar (LabSol), na manhã do dia 25 de outubro.

A cerimônia contou também com a presença do diretor de Transmissão da Eletrobras e presidente do Conselho Deliberativo do Cepel, Marcio Szechtman; do gerente executivo do Cenpes/Petrobras, Orlando Ribeiro; do presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Thiago Barral; do presidente da Chesf, Fábio Lopes; do diretor de Operação e Manutenção de Furnas, Djair Roberto Fernandes; do vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Marcio Trannin; e dos diretores do Cepel Amilcar Guerreiro, Raul Balbi Sollero e Aracilba Rocha, dentre outras autoridades e executivos do setor.

O LabSol é resultado de uma parceria com a Petrobras, que, na qualidade de Associado Especial do Cepel, investiu cerca de um milhão de reais para a aquisição do simulador solar. O Cepel aportou recursos da ordem de R$ 300 mil para obras e infraestrutura do laboratório.

Orlando Ribeiro assinalou que o convênio de quatro anos com o Cepel prevê investimentos da ordem de R$ 20 milhões, abrangendo vários projetos, a exemplo dos laboratórios de Sistemas Fotovoltaicos e de Smart Grids, bem como um projeto de eólica offshore. “A transição energética para a matriz de baixo carbono é um fato inexorável. Estamos focando esforços na área de P&D em todas as energias renováveis, e a solar é uma parte importante deste projeto […] No que diz respeito à parceria com o Cepel, é importante destacar também o valor da pesquisa aplicada. O Brasil é um dos maiores geradores de conhecimento científico do mundo (13º lugar no ranking de publicações científicas), mas, no ranking da inovação, estamos em 65º lugar. Laboratórios como este, que permitem a introdução de novas tecnologias, tem um valor muito importante para que cheguemos finalmente à inovação, que vai ser aplicada e gerar valor para as empresas e para a sociedade como um todo”.

“Queria ressaltar a importância de a Petrobras e o Cenpes incluírem na sua carteira de projetos institucionais com o Cepel, esse laboratório [LabSol] e o de Smart Grids. É uma visão pouco comum nos nossos meios que uma empresa fora do Sistema Eletrobras veja, em iniciativas como esta, uma oportunidade de grande crescimento tecnológico […] Acho que o LabSol é uma comprovação de que o Cepel não parou no tempo e que está acoplado às necessidades tecnológicas brasileiras e mundiais”, afirmou Marcio Szechtman.

De acordo com Thiago Barral, a EPE abriu uma consulta pública para o Plano Decenal 2029 e, dentro do cenário referencial, a energia solar fotovoltaica tem um crescimento expressivo, tanto na modalidade de geração centralizada (grandes usinas), quanto na geração distribuída. “Mesmo com as mudanças discutidas pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], na nossa visão, isso não vai frear o crescimento da fotovoltaica. Portanto, existe uma demanda muito grande por serviços associados à fonte fotovoltaica, como a capacitação de técnicos e a certificação de equipamentos. É um mercado novo que vem crescendo; todo esforço de pesquisa, inovação, e provimento de serviços nessa área tem o potencial para que essa fonte possa ser incorporada da forma mais econômica e com qualidade técnica, para que a experiência do consumidor/”prossumidor” seja de qualidade e também para que os projetos em larga escala possam ser competitivos”, considerou.

 

Diferenciais do LabSol e capacidade

O grande diferencial do LabSol é seu simulador solar. Além de ter a maior área útil de ensaio existente no Brasil (3 m x 3 m de área iluminada), contemplando assim qualquer módulo fotovoltaico comercial existente, o equipamento possui a melhor classe de exatidão do mercado mundial (A+A+A+), assegurando alta confiabilidade aos ensaios. “O simulador vai dar informações para a aplicação e o uso de painéis fotovoltaicos, algo que vai ser relevante para nos prepararmos para a geração de energia no futuro de forma sustentável. Certamente, vamos tirar grande proveito desse novo laboratório”, afirmou Oscar Chamberlain, gerente-geral de P&D em Refino e Gás Natural do Cenpes/Petrobras.

O simulador solar fornece iluminação com as mesmas características da luz solar natural, funcionando em uma instalação de teste abrigada e em condições controláveis. No simulador solar, é possível avaliar, com precisão, a eficiência, a curva de potência e outras grandezas elétricas de módulos fotovoltaicos. Assim, o LabSol está capacitado a executar projetos de P&D para os diversos agentes do setor e a realizar ensaios exigidos pelo Inmetro para atender ao Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). Atualmente, é obrigatória a etiquetagem para que módulos fotovoltaicos possam ser comercializados no país, assim como para inversores fotovoltaicos de até 10 kW e, para obtenção dessa etiqueta, o equipamento deve passar por ensaios normatizados, realizados por poucos laboratórios no Brasil. Os testes de módulos poderão ser feitos no LabSol, enquanto os inversores serão testados no Laboratório de Smart Grids, que também está sendo desenvolvido em parceria com a Petrobras.

O primeiro projeto de P&D a ser realizado no LabSol avaliará a degradação de centenas de módulos fotovoltaicos instalados em diferentes locais do Brasil e tem como cliente a Petrobras. A vida útil de módulos de silício cristalino, por exemplo, é de cerca de 25 anos. Ao longo desse período, há uma degradação progressiva do equipamento, causando perda de eficiência. Ou seja, com o decorrer dos anos, a energia gerada cai gradativamente. Desta forma, é muito importante conhecer a evolução da eficiência dos geradores fotovoltaicos sujeitos às condições climáticas e realidade brasileira para uma estimativa do retorno do investimento na implantação de empreendimentos do gênero.

Além deste projeto, o Cepel também executa, em parceria com Petrobras, projeto de P&D voltado à avaliação de desempenho de diferentes tecnologias fotovoltaicas operando em sistemas conectados à rede elétrica.

O diretor-geral do Cepel, Amilcar Guerreiro, assinalou que a pretensão é expandir o Labsol, capacitando-o a realizar também ensaios de envelhecimento acelerado de módulos fotovoltaicos. “Nossa intenção é que o LabSol seja o primeiro de um conjunto de laboratórios que realizarão ensaios de envelhecimento e caracterização de módulos fotovoltaicos. É importante que tenhamos resultados para a nossa realidade climática. As plantas brasileiras de maior porte estão localizadas em regiões quentes e com alto nível de irradiação solar, em situação bastante diversa da Europa e da maior parte dos Estados Unidos, de onde recebemos a maioria das informações. Com o crescimento da energia fotovoltaica no país, torna-se primordial termos dados brasileiros de desempenho e degradação dos geradores fotovoltaicos, não só para estimarmos, com maior precisão, a energia gerada pelas plantas ao longo de sua vida útil, como também elaborarmos procedimentos de manutenção tropicalizados e, até mesmo, subsidiarmos o desenvolvimento de tecnologias mais adequadas ao nosso clima”.

Comentários

Deixe uma mensagem