No aniversário de 89 anos, Nansen promove encontro para falar de futuro

ago, 2019

Com o tema “Cenários para o setor elétrico 2030”, multinacional chinesa do grupo Sanxing conduz  debate que revelou novidades sobre o setor

No dia em que celebrava 89 anos e um ano após ter se transformado em uma empresa multinacional, após a compra pela chinesa Sanxing, a Nansen promoveu uma mesa de debates em São Paulo, ocasião em que reuniu fornecedores, clientes, distribuidores e atores do sistema elétrico.  O tema do encontro, ocorrido no hotel Unique, tratou do futuro da eletromobilidade e das redes inteligentes. Estas duas tecnologias têm recebido dedicação contínua da Nansen e estão nos planos da companhia, que vai completar 100 anos em 2030.

Da mesa de debate participaram o presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira, o diretor de Metrologia Legal do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Marcos Trevisan e o superintendente de Redes Inteligentes e Projetos Especiais da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Julio Omori. A mediação foi feita pelo CEO da Nansen, Alexandre Suprizzi, que abriu o debate anunciando a empresa como uma “nova Nansen”, que se tornou uma multinacional, com presença global e em expansão no Brasil e América Latina.

Na visão de Madureira, o setor de distribuição está passando pela maior modificação dos últimos tempos, quando a relação de negócios transcendeu a distribuição. “A abertura de mercado é uma demanda da sociedade. A própria comercialização livre, que começou com os grandes clientes, abre a perspectiva de acesso aos demais consumidores como alternativa ao seu fornecimento”, ressalta. Para o presidente da Abradee a expectativa enquanto distribuidora, é definir a melhor tarifa para este novo mercado, de forma a não gerar custo adicional para o consumidor: “estamos preparados, mas a preocupação é quanto à segurança nesta migração”.

O superintendente Copel, Omori, comemora os resultados com a implantação dos medidores inteligentes em um projeto piloto, na cidade de Ipiranga, a cerca de 175 quilômetros da capital, Curitiba. Os smart grids, fornecidos pela Nansen, dão uma visão de monitoramento do sistema, com análise de desempenho de dados bastante específicos como potência, tensão e vários parâmetros, gerados para a distribuidora a cada 15 minutos. “Estamos surpresos com o resultado que se tem na mão quando implanta um projeto como esse, que muda completamente a vida de uma distribuidora. Projeto de redes inteligentes se mostrou viável não só pela redução do custo operacional, como em melhoria da qualidade da energia”, informa Omori. Segundo ele a intenção da Copel, até 2030, é a cobertura de 100% dos consumidores com redes inteligentes, sistema que ele define como um divisor de águas. “Saber onde tem a falha do sistema antes do consumidor avisar, é fantástico”, exemplifica.

Para Marcos Trevisan, do Inmetro, 2030 começa nos próximos dias, quando será inaugurado um sistema criptográfico contra fraude na medição. A base da tecnologia é a proteção da informação, como é feito atualmente no sistema bancário, e servirá para toda a indústria de medidores –  energia, água e gás. A segurança estará garantida mediante o uso de um chip dentro do medidor. É um processo similar ao da assinatura digital, mas voltado para “coisas” e não pessoas. Para Suprizzi, o CEO da Nansen, a medida, que chega em boa hora, “impacta muito positivamente as redes inteligentes, facilitando a vida dos fabricantes e acelerando os processos de homologação e, consequentemente, o desenvolvimento do setor.”

 

Futuro

O presidente da Abradee, Marcos Madureira, vislumbra para o futuro a necessidade de se ter uma rede totalmente diferente da que se tem hoje, com muito mais controle e automatismos. “Precisaremos ter  softwares e processos diferentes, sem aumentar o ônus para o consumidor. Nossa discussão, dentro do novo modelo do negócio de distribuição, é identificar o que deverá ser investido nas chamadas redes inteligentes, para poder oferecer produtos distintos para determinados consumidores. Tecnologicamente temos muito o que aprender, mas é preciso discutir, entre várias coisas,  a forma de remuneração para as empresas . Há países onde isso já está acontecendo, temos que buscar estes bons exemplos.”

Para Julio Omori, da Copel,  eletromobilidade ainda é incipiente no Brasil, mas enxerga que o mercado, quando for efetivamente aberto será “extremante grande e rápido.”  O projeto da Copel é de não só dotar rodovias de postos de atendimento para carros elétricos, mas desenvolver um eletroposto nacional de carga rápida. “Temos a vantagem de estar saindo na frente. Em Curitiba temos feito estudos de simulação considerando a entrada de veículos elétricos no mercado”. De acordo com Omori a Copel se interessa  na eletromobilidade não como novo negócio, mas independente disso,  aumentando o fluxo de potência da rede de modo a deixá-la mais robusta para ter a disponibilidade que o mercado vai precisar.

Entre as diversas presenças foram registrados representantes da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Administración Nacional de Electricidad (Ande) do Paraguai, Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Laboratórios CGCRE e Labelo, Companhia Paranaense de Energia (Copel), Comitê de Integração Elétrica Regional (Cier), Empresa de Servicios Públicos de Medellín y Colombia (EPM), DME Poços de Caldas, DAP Comércio e Distribuidora, Salfatis Distribuidores, Distribuidor da Nicaragua, Energisa, EDP São Paulo, Ente nazionale per l’energia elettrica (Enel), Grupo Equatorial e Ministério de Energia do Chile.

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