Manutenção ou gestão, eis a questão

dez, 2018

Manutenção ou gestão, sinônimos ou palavras que expressam significados diferentes? Parecem ser palavras simples, mas que têm um significado amplo e com grande relevância. As pessoas que lideram uma organização são conhecidas por desenvolver um trabalho de manter a empresa ou por geri-la? A mesma analogia poderíamos fazer em nossas casas com o orçamento doméstico, a agenda da família e muitos outros exemplos.

Tendo em vista a importância do assunto, existe uma Norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que trata da questão, a série ISO 55000, que se intitula “Gestão de Ativos”. O 33º Congresso Brasileiro de Manutenção e Gestão de Ativos, realizado no mês de outubro, apresentou grande destaque para essa série de Normas.

Diversos profissionais que estiveram presentes ao evento demonstraram suas experiências com o assunto, enfatizando a importância da aplicação da Norma da ABNT, que disciplina as ações relacionadas à gestão de ativos.

A implementação da Norma tem como resultados esperados a otimização do desempenho e dos custos associados ao ciclo de vida dos ativos, obtendo a maximização de resultados dos investimentos nos ativos, para que se atenda à satisfação dos clientes e acionistas, agregando valor ao negócio.

Uma das metodologias estabelecidas pela Norma é a elaboração de um “Plano estratégico de gestão de ativos”. Este plano faz a relação entre os objetivos organizacionais de negócio da empresa com os objetivos das ações de gestão de ativos.

Esse conjunto de técnicas se aplicam perfeitamente às redes subterrâneas, que são ativos importantes do sistema elétrico e crítico para a operação da organização. Essa criticidade deve-se ao fato de que uma falha em seu funcionamento pode deixar toda uma empresa, um parque eólico ou solar ou até mesmo um bairro (no caso da rede pública de distribuição) sem energia elétrica.

Apesar das redes subterrâneas existirem há mais de 100 anos e possuir alta confiabilidade, podemos concluir que realizar sua manutenção já é uma atividade madura, tendo em vista as décadas de aperfeiçoamento pelo qual esse trabalho já passou.

Porém, evoluir e melhorar deve ser a meta de qualquer processo e a dinâmica trazida pela série de Normas ISO 55000 é um aliado robusto neste objetivo para o desenvolvimento das ações de gestão deste importante ativo que são as redes subterrâneas.

Diferente do dilema vivido por Hamlet, gestão e manutenção não são uma questão de escolha entre uma decisão ou outra. Ambas convivem em harmonia, sendo que elas ocupam lugares diferentes. As ações de manutenção devem fazer parte de uma estratégia de gestão e que por sua vez precisa estar alinhada com a estratégia de negócio da própria organização.

A Associação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos – Abraman desenvolve um trabalho muito relevante como sendo um catalisador do emprego da Norma de gestão de ativos, que faz uma distinção muito clara entre esses papéis, de modo que toda a comunidade envolvida possa evoluir, deixando de ser apenas uma simples manutenção e passando a se fazer gestão.

É comum em muitas empresas encarar a manutenção como o “mal necessário”, logo o ponto relevante desta “releitura” do cuidado com os ativos é que a manutenção agregada à gestão de ativos deixa de ser vista como um custo da operação para fazer parte da estratégia da empresa para atingir seus resultados. É uma mudança de conceito relevante.

Desta forma, a adoção da ISO nas ações de manutenção das redes subterrâneas é uma excelente oportunidade para os responsáveis por manter os ativos, pois será necessário rever as técnicas desenvolvidas a décadas para evolui-las de modo a se encaixar na estratégia de gestão dos ativos que estão inseridas na gestão estratégica do negócio da organização.

Portanto, não há de haver um duelo entre manutenção e gestão, para evitar que ocorra o mesmo fim da obra de Shakespeare, ambos feridos e mortos. O que deve existir é um convívio em que cada atribuição esteja em seu papel, mas principalmente que as pessoas responsáveis pelas organizações possam dar valor à gestão dos ativos, para apoiar o atingimento dos objetivos estratégicos de negócio.

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