A importância do ponto de conexão

out, 2017

O Módulo 8 do Prodist nos apresenta em seu capítulo 11 a possibilidade de as distribuidoras exigirem de seus clientes estudos relativos à qualidade da energia nos pontos de acoplamento, de entrega ou de conexão, e podemos neste instante por conveniência aproximá-los para um só.

A preocupação está claramente evidente no comportamento da rede de alimentação quando cargas perturbadoras de seus clientes venham a entrar em operação. Aspectos relacionados às distorções de tensão na rede da distribuidora quando cargas com alto conteúdo de correntes harmônicas operarem, desequilíbrios de tensão, transientes de manobra de cargas ou capacitores e, mesmo a regulação de tensão em regime permanente, são pontos de preocupação e cada consumidor, à sua maneira, busca as melhores respostas com as melhores ferramentas. O que se espera é que as projeções iniciais sejam alcançadas considerando as premissas modeladas em função das características da rede que é fornecida pela distribuidora pelas características das cargas assumidas e os filtros que poderão ou não serem instalados em função das simulações efetuadas.

Naturalmente buscam-se atender aos famosos limites que são definidos pelas diversas normas cuja gestão nem sempre atende às recomendações daqueles que definem estes limites nos grupos de estudos destas normas. O que parece claro é que os envolvidos devam entender os valores normalizados como de referência e não aqueles estritamente máximos. Observar que nas simulações em geral todas as condições são relacionadas às piores situações que quase nunca ou mesmo nunca acontecem e investimentos podem ser feitos desnecessariamente. Efetivamente, temos uma boa lição de casa relacionada à alimentação de nossos sistemas de cálculos, informações tão próximas da realidade quanto possível.

Esta mesma preocupação é estendida aos outros pontos de conexão com as distribuidoras, porém de novas fontes. Na última Conferência Brasileira sobre Qualidade de Energia Elétrica (CBQEE), realizada em Curitiba (PR), pudemos participar de uma excelente discussão técnica entre o ONS, a Eletrosul e o professor Paulo Ribeiro (especialista no assunto) sobre a conexão das usinas eólicas ao grid da rede básica.

Da mesma forma, situações preocupantes estão ocorrendo quando as micro ou minigeradoras de energia fotovoltaica são conectadas ao grid das distribuidoras. Perturbações de tensão podem ocorrer e as resoluções Aneel 482 e 677 devem tratar deste tema. Por outro lado, a potência de curto-circuito mantida pela distribuidora sempre assume fundamental importância ao bom equilibro e ao comportamento da tensão.

Temos muito o que fazer, muito por descobrir e muito por compartilhar. Afinal de contas, as fontes renováveis, cargas nervosas e filtros adequados têm muito a contribuir para operações sustentáveis e energeticamente eficientes.

Boa sorte ao novo presidente da CBQEE Mateus Teixeira e equipe. Parabéns ao Gilson Paulillo e equipe pela gestão que termina.

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