Força-tarefa para alavancar o setor eletroeletrônico

maio, 2009

Edição 40, Maio de 2009

Por Flávia Lima

Estudo da Abinee propõe medidas para que segmento aumente sua participação no PIB brasileiro, passando de 4,2% para 7% até 2020

Setor de componentes foi o grande vilão da balança comercial de 2008

O dragão chinês e os tigres asiáticos abocanharam uma fatia considerável do mercado de eletroeletrônicos de todo o mundo nos últimos anos. O Brasil deixou de produzir equipamentos para importar componentes e apenas montá-los aqui e, se nenhuma medida for tomada com o intuito de incentivar o desenvolvimento brasileiro nesse segmento, o País passará também de montador a um completo importador. A consequência mais evidente dessa situação é a balança comercial do setor, que, só em 2008, registrou déficit de US$ 22 bilhões. Preocupada com o futuro da indústria de eletroeletrônicos, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) desenvolveu um estudo que projeta o setor para o ano de 2020.

Em entrevista coletiva, o presidente da entidade, Humberto Barbato, adiantou algumas considerações do estudo, que está sendo elaborado pela LCA Consultores e que será efetivamente apresentado ao Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e outras autoridades, na abertura do Fórum Abinee TEC – no próximo dia 1° de junho, no Anhembi, em São Paulo (SP). Barbato diz que o estudo traz a situação atual e projeta o setor para o futuro, apresentando sugestões do que deve ser feito para se atingir as metas desejadas para daqui dez anos. “Nosso principal objetivo é que o setor reverta seu atual déficit e aumente sua participação no PIB brasileiro de 4,2% para 7%”, declara.

O trabalho, que foi iniciado em outubro do ano passado, foi motivado pela constante perda de competitividade da indústria eletroeletrônica diante de outros países, principalmente, do leste asiático, que poderia levar o Brasil à desindustrialização. Segundo Barbato, fomentar a indústria de eletroeletrônicos, automaticamente, implicará a geração de empregos e trará mais desenvolvimento ao País: “Queremos reverter esse quadro nos próximos dez anos, deixar de ser apenas montadores para desenvolver produtos aqui também”.

O estudo – Foram avaliadas as tendências tecnológicas e quais medidas o País deve tomar para acompanhá-las. A criação de um núcleo dentro do próprio governo dedicado ao assunto é uma das propostas sugeridas pelo trabalho. Outra sugestão importante é a criação de mecanismos que incentivem a aproximação entre as indústrias e a academia para que projetos e pesquisas importantes sejam desenvolvidos no País.

Questionado sobre incentivos e renúncias fiscais, Barbato esclarece que essas ações são fundamentais para gerar atratividade, mas existem outras medidas governamentais que podem ser feitas para favorecer o ambiente. “Se algo não for feito, esse déficit tende a aumentar cada vez mais e não poderá ser pago com soja e carne, produtos primários, que o Brasil é um grande exportador, mas que não têm grande valor agregado”.

Componentes passivos já foram fabricados no País. O desafio é trazer essa produção de volta e concorrer com o produto asiático em preço e qualidade. O objetivo é chegar a um processo produtivo avançado (PPA) e ser competitivo com relação ao importado.

Escala – O Brasil é o quinto país mais consumidor de computadores do mundo, adquirindo cerca de 12 milhões de computadores por ano e, só em 2008, foram consumidos 42 milhões de aparelhos celulares. “É um mercado economicamente viável. Cabe a nós criarmos condições para trazer esses investimentos para o País e atender à demanda interna e também à externa”, diz o presidente da Abinee.

Mão-de-obra – Barbato afirma ainda que essa força-tarefa para alavancar o setor não deve prejudicar a mão-de-obra, que, diferentemente da maioria dos países asiáticos, deverá ser competitiva. Segundo ele, para isso serão necessárias condições favoráveis, como desoneração do INSS, por exemplo. As sugestões propostas pelo estudo passam por mais infraestrutura, desburocratização de processos e desoneração de taxas e tributos.

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