Engenheiro sim, mas sempre pensando em custos

abr, 2011

Edição 62 – Março de 2011

Uma constante para quem desenvolve produtos ou planeja projetos é que, além da funcionalidade e das qualidades desejáveis, nunca se pode deixar de lado a questão econômica relacionada ao retorno dos investimentos.

 

Alguns “privilegiados” conseguem vender seus produtos até mesmo sem atender aos quesitos do binômio acima. O que se observa, no entanto, é que esta situação é de curta duração e confina seu leque de clientes a alguns poucos desavisados ou temporariamente distraídos por não perceberem alguns custos embutidos em produtos concebidos sem os devidos cuidados impostos pela saudável concorrência.

 

Há sempre, em qualquer empresa e em qualquer setor produtivo, o aporte de capital de investidores que têm expectativa de retorno positivo e temos que, além de observar os direitos dos clientes finais e a boa funcionalidade do produto, proporcionar resultados consistentes e sustentáveis para que estes parceiros se sintam encorajados a continuar esta caminhada de crescimento em etapas futuras.

O mercado vem continuamente confirmando isto em muitos setores; basta observar com atenção.

O setor elétrico é rico em exemplos e vemos isto ocorrer desde a comercialização de pequenas turbinas até a de medidores de energia elétrica.

Há poucos dias, uma grande empresa distribuidora concretizou a compra de aproximadamente 500 mil medidores de energia eletrônicos monofásicos (sem qualquer outra função além da medição de energia elétrica ativa que, neste segmento do atendimento em baixa tensão, é a única funcionalidade que alimenta a tarifa atual) e o preço, sem impostos, ficou na casa dos R$ 18,00 cada.

É interessante notar que os fornecedores envolvidos enfrentaram concorrência pesada e que são dos pioneiros nesta fase iniciada há seis anos, quando conseguimos (na empresa em que eu trabalhava na época) comprar medidores eletrônicos a R$ 44,00 quando se comprava os eletromecânicos por preços próximos de R$ 90,00.

Eles sobreviveram a despeito das expectativas sombrias que se ouvia na época e pelas quais este preço significava prejuízo e sacrifício da qualidade. Conclui-se hoje que isto não ocorreu de forma sistêmica.

Claro que há problemas de qualidade em quaisquer produtos e cabe, portanto, a quem compra ter uma especificação técnica consistente e permanentemente atualizada (porém, resguardadas daquelas “sugestões” advindas de influências espúrias de lobbies de fornecedores) e manter procedimentos adequados de inspeção de recebimento e de acompanhamento da qualidade dos medidores instalados.

Ganham os clientes finais com tarifas menos pesadas e, até que as condições regulatórias do setor elétrico permitam, este é o caminho adotado pela maioria das distribuidoras.

Com as novas tecnologias que se avizinham deveremos ter uma nova geração de medidores capazes de se integrarem a uma rede de comunicação de forma a tornar a operação do sistema de distribuição mais eficiente e a permitir novas tarifas que levarão a uma maior eficiência do uso de energia no segmento de baixa tensão.

Vamos ter que recomeçar todo este processo de racionalização de custos, mas agora num mercado mais global, pois todos os fabricantes de medidores têm pelo menos um fornecedor na Ásia para garantir produtos mais em conta.

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