Energia solar fotovoltaica no Brasil

fev, 2018

Recebi o convite de O Setor Elétrico para escrever mensalmente sobre esta fonte de energia que deixou de ser uma tendência mundial para se tornar uma realidade em muitos países. Vamos inaugurar a coluna oferecendo um breve panorama sobre a fonte.

A energia solar fotovoltaica (FV) cresce com robustez no Brasil. Mesmo o país atravessando umas das mais graves crises de sua história, esta fonte de energia conseguiu se sobressair e atrair a atenção de todos.

Vejam a comparação entre o desempenho do PIB e o da geração distribuída solar FV, por número de instalações, nos últimos 3 anos:

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O payback (tempo de retorno sobre o investimento) de um sistema instalado varia, em média, no Brasil, entre quatro e seis anos. Difícil uma aplicação trazer tão rápido retorno. Isso se explica porque os preços dos equipamentos que compõem um sistema fotovoltaico caíram cerca de 80% nos últimos dez anos, enquanto o custo da energia elétrica subiu acentuadamente.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê que em 2024 o Brasil terá 886,7 mil de sistemas instalados, o que corresponde a menos de 1% das unidades consumidoras possíveis. Hoje, para se ter uma ideia do crescimento que nos espera, temos cerca de 20 mil sistemas instalados, segundo dados da Aneel, o que significa que o setor deverá crescer 4333,5% nos próximos sete anos.

A energia solar FV representa hoje apenas 0,02% da matriz. No entanto, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou recentemente que a participação da fonte deverá passar para 10% da matriz até 2030. Um crescimento de 500 vezes em 13 anos.

Um marco para o setor no Brasil foi a edição da resolução normativa 482/12 da Aneel, que regulamentou a micro e a minigeração distribuída ao criar um sistema de compensação de energia elétrica. Esta resolução foi aprimorada pela RN 687/15. Para aqueles que estudam investir no setor, é necessário se aprofundar.

Além de ser uma importante fonte complementar, a energia solar fotovoltaica apresenta vantagens ao ser instalada no Brasil, pois temos uma alta incidência de radiação solar no país. O pior sol no Brasil é melhor que o melhor sol na Alemanha. Além disso, o pico de consumo no Brasil ocorre entre 12h e 17h, o que coincide com o pico de geração de energia dos sistemas fotovoltaicos.

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Figura 1 – Irradiação solar no mundo.

Embora o Brasil tenha uma matriz elétrica extremamente limpa, cerca de 15% dessa energia se perde na transmissão e na distribuição. Esse volume é significativo e equivale a toda energia consumida pelo comércio no país. Aqui se destaca uma outra relevante vantagem da energia solar – na geração distribuída, esse percentual se reduz a quase zero, pois a energia excedente gerada em uma residência é injetada novamente na rede e é consumida quase que imediatamente por outra.

Porém, alguns gargalos ainda precisam ser superados, tais como: desconhecimento da tecnologia pela maior parte da população, carência de financiamento de médio e longo prazo, tributação excessiva, segurança jurídica que garanta o cumprimento dos contratos, falta de políticas públicas para incentivo do setor, etc.

Já existem trabalhos, em todas estas frentes, capitaneados pela Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) e outras associações para que a energia solar FV continue crescendo aceleradamente.

*Ronaldo Koloszuk é diretor da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, conselheiro da Absolar e diretor comercial da Solar Group.

 

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