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Eletricidade estática em atmosferas explosivas – Riscos, controle e mitigação – Parte 05/08

6 – Aterramento e equipotencialização

A equipotencialização é a técnica utilizada para minimizar a diferença de potencial entre dois objetos condutivos, de forma que fiquem no mesmo valor. Os objetos, nestes casos, não são aterrados. O aterramento, por outro lado, é a técnica de equalizar a diferença de potencial entre dois objetos condutivos e o terra. A combinação das técnicas de equipotencialização e de aterramento é utilizada de forma a manter o potencial do sistema sob consideração no potencial zero do sistema de terra.

Podem ser citados como os principais objetivos dos circuitos de aterramento e equipotencialização:

  • Eliminar a possibilidade de choques elétricos para as pessoas;
  • Proporcionar a devida operação de dispositivos de proteção de forma que o tempo de duração das correntes de falta seja minimizado;
  • Equalizar o potencial de tensão de partes metálicas não destinadas à condução de corrente;
  • Evitar o acúmulo de cargas eletrostáticas geradas pela movimentação de fluidos nos equipamentos de

As atividades de  equipotencialização  e de aterramento de aeronaves durante o processo de reabastecimento evita o acúmulo de cargas eletrostáticas que são geradas pela movimentação do querosene ou da gasolina de aviação, as quais poderiam, em caso contrário, causar a ignição dos vapores combustíveis.

Em áreas classificadas, a eliminação das fontes de ignição pode ser considerada como um requisito fundamental,  sendo  que a implantação de um sistema efetivo de aterramento e de equipotencialização representa um critério básico de projeto.

Além de evitar o acúmulo de eletricidade estática, o sistema de aterramento contribui também para a devida atuação de dispositivos de proteção contra faltas à terra, no caso da ocorrência de falhas do isolamento para a terra em equipamentos e circuitos elétricos, os quais rapidamente desligam o circuito. Caso contrário, poderia ocorrer a existência de pontos quentes com temperatura excessiva (acima da classe de temperatura do local da instalação) ou que poderiam ser gerados arcos elétricos devido à falha do isolamento.

7 – Aterramento de caminhões para controle de eletricidade estática

Os caminhões de transporte de produtos inflamáveis reconhecidamente apresentam características de geração de acúmulo de cargas eletrostáticas, durante as operações de enchimento e descarregamento (pela parte de cima ou de baixo), bem como durante a movimentação destes fluidos durante o deslocamento (transporte) e por ações do vento sobre a sua superfície externa. Estas características de risco eletrostático são agravadas em função das características isolantes dos pneus, fabricados com borracha, que não apresentam adequadas características condutivas.

De forma a não permitir o acúmulo de cargas eletrostáticas em caminhões de transporte de produtos inflamáveis, além de uma série de procedimentos de segurança a serem atendidos pelos equipamentos e pelo pessoal de operação, uma das medidas efetivas é o aterramento do veículo em uma estrutura aterrada e a monitoração da continuidade deste aterramento durante as operações de enchimento e descarregamento. Dentre as principais ações que devem ser executadas na operação de caminhões contendo produtos inflamáveis capazes de gerar atmosferas explosivas, podem ser citadas as seguintes:

  • Assegurar que o caminhão esteja continuamente conectado a um objeto ou estrutura aterrada;
  • Não deve ser “presumido” que uma estrutura esteja “aparentemente” aterrada, o que deve de fato confirmado;
  • Assegurar que o caminhão possua uma conexão com o sistema de aterramento que seja continuamente  monitorada  durante as operações de carregamento e de descarregamento;
  • Sempre que possível, deve ser verificado se uma interrupção manual na conexão de aterramento de fato provoque a operação de um intertravamento automático que pare a operação de transferência de produtos;
  • Um caminhão devidamente aterrado assegura que as mangueiras não acumulam eletricidade estática somente nos casos que estas tenham sido fabricadas de material condutivo e que estejam em adequadas condições de manutenção, submetidas a procedimentos de inspeções periódicas ou testes regulares.


Roberval Bulgarelli é consultor técnico e engenheiro sênior da Petrobras. É representante do Brasil no TC-31 da IEC e no IECEx e coordenador do Subcomitê SC-31 do Comitê Brasileiro de Eletricidade (Cobei). | Email: bulgarelli@petrobras.com.br

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