Edição especial do Cinase em São Paulo destaca assuntos técnicos de altíssima qualidade

nov, 2018

Evento itinerante contou com apresentações simultâneas de especialistas e em arenas com exposições técnicas de produtos e serviços das empresas participantes.

A edição especial do Cinase – Circuito Nacional do Setor Elétrico, ocorrida em São Paulo nos dias 3 e 4 de outubro, se destacou pela abordagem de assuntos técnicos de altíssima qualidade, de acordo com o público presente e consultores da revista O Setor Elétrico.  O evento teve caráter interativo, com a apresentação de mais de 30 palestras em dois auditórios simultâneos ministradas por especialistas do mais alto nível da engenharia elétrica nacional em oito módulos divididos em: Painéis de Média Tensão, Cabines de Média Tensão, Painéis de Baixa Tensão – IEC 61439, Distribuição de Energia & Subestações, Qualidade de Energia & Eficiência Energética, Instalações Elétricas de Baixa Tensão – Evolução & Tendências, Geração Distribuída & Energia Fotovoltaica e Iluminação, Aterramento & PDA. Ao final das apresentações, os especialistas participaram de um debate com o público presente.

Outro diferencial foi a disposição de duas arenas próximas aos estandes, onde os expositores apresentaram as características técnicas de seus produtos e serviços. No total foram 31 expositores e mais de 40 marcas presentes, sendo patrocinador máster do Cinase a Alubar Metais e Cabos.

Segundo Adolfo Vaiser, diretor da revista O Setor Elétrico e organizador do Cinase, o evento em São Paulo foi totalmente diferenciado dos outros modelos itinerantes. “O Cinase é um roadshow que circula o País, com o intuito de preencher uma carência técnica que existe Brasil afora. Aqui, preparamos um evento com o jeito que São Paulo merece ter, oferecendo debates com maior profundidade sobre os temas importantes ao setor. Essa foi a primeira vez que o evento tratou de cada assunto com mais de um especialista.”, destacou. “Para realizar o Cinase fazemos contato com entidades e empresas da região, envolvendo toda cadeia elétrica, desde concessionárias, Senais e indústrias. Agradeço a todos o patrocinadores e apoiadores que nos ajudaram a esse evento acontecer”, completou.

A abertura também contou com a palestra magna sobre o Novo Marco Regulatório do Setor Elétrico – Impacto para as Fontes Renováveis, apresentada por Antônio Celso de Abreu Junior, subsecretário de Energias Renováveis da Secretaria de Energia e Mineração do Governo do Estado de São Paulo.

Para o subsecretário, a evolução tecnológica hoje cresce a uma velocidade muito maior do que nos anos 60.  “Em 2009 começamos a perder capacidade de armazenamento de água nos reservatórios. Essa técnica para geração de energia dava muito certo nos anos 60. Hoje, nossa demanda por energia é muito maior do que os nossos reservatórios podem oferecer e para compensar esse risco geramos energia térmica ou por biomassa, mas tudo tem um preço. Esse risco também é precificado nas nossas tarifas”, explicou.

Segundo Abreu Junior é preciso repensar o novo marco regulatório do setor elétrico para o País não perder ainda mais competitividade. Entre os compromissos do setor elétrico, segundo o secretário,  é garantir a autoprodução e o acesso ao mercado livre, a desjudicialização, a alocação de custos e medidas de destravamento como mudanças de obrigação de contrato, possibilidade de redução de custos de transação na transmissão, de redução na transação na geração, possibilidade de separação de lastro e energia, estabelecer regras comerciais para máximo acoplamento entre formação de preço e operação e modernização do sistema de distribuição.

Outra medida estudada é a forma de incentivo às renováveis (energia solar e eólica) devido a sua importância na matriz energética. “Essa medida está sendo discutida no Congresso e é fundamental para que possamos construir um setor elétrico estável e competitivo, pois é assim que garantiremos nossos empregos. As renováveis entraram na nossa vida a uma velocidade muito maior do que ocorria antigamente e temos de aprender a lidar com elas na mesma velocidade”, conclui.

Confira a seguir um resumo dos principais assuntos abordados nesses dois dias do Cinase SP.

Padronização de subestações blindadas

Um pleito do setor elétrico nacional é a padronização de subestações blindadas. A medida reduziria o tempo de aprovação de projetos, de instalação e de entrega ao cliente. O assunto foi discutido no painel Padronização nacional de subestações de entrada de energia com conjuntos blindados, no módulo Painéis de média tensão, cabines de média tensão, no primeiro dia do evento.

Segundo Leandro Alves Ferreira, gerente de Padrões, P&D e Eficiência Energética da Eletropaulo, a ideia foi falar do modelo utilizado pela distribuidora, pensando numa padronização nacional, já que existe muita diferença entre as concessionárias.

O grupo EDP também apresentou um novo cenário em 2018 de padrão técnico do fornecimento de energia em média tensão. Dentro desse panorama, a EDP decidiu padronizar a utilização de conjuntos blindados em subestações convencionais.

Ainda no módulo Painéis de Média Tensão, Claudio Mardegan, da Engepower, falou sobre a NR10 e a Compartimentação de Painéis Elétricos, especificamente de painel arco resistente.

Redes subterrâneas

As redes subterrâneas estão presentes nas melhores cidades, indústrias e comércios do mundo, oferecendo maior produtividade, segurança e turismo. O diretor executivo da Baur do Brasil, Daniel Bento, explicou o motivo dessas vantagens no módulo Distribuição de Energia & Subestações, no Cinase São Paulo.

As indústrias que optam por redes subterrâneas, segundo Bento, ganham em confiabilidade, qualidade e vários benefícios em relação a uma rede não isolada. Um benefício é a maior vida útil do cabo.

Cálculo da dilatação térmica em barramentos blindados em altos de edifícios

O Cinase trouxe ainda o especialista italiano, fundador do primeiro barramento blindado da Europa, em 1942, Giorgio Pogliano, diretor de negócios da Pogliano Blindosbarra, para falar de sua experiência no projeto de fornecimento de barramentos blindados para o arranha-céu mais alto do mundo no Oriente Médio, em Dubai: The Al Wasl Tower.

Pogliano explicou que a torre necessita de longas linhas de barramentos blindados para trafegarem em um ambiente extremamente quente, o que requer profundas análises de adequação do barramento da companhia para temperatura ambiente de 50ºC, queda de tensão e expansão térmica.

Estudos no campo

O módulo Qualidade de Energia & Eficiência Energética apresentou pesquisas que impactam no desempenho de distribuidoras e empresas de energia. Entre elas, o estudo recente sobre medições de consumo em cargas distorcidas, da UFU – Universidade Federal de Uberlândia, com 106 medidores calibrados a 0,1% de faixa de erro, constatando-se que a energia ativa também causa distorções harmônicas do barramento para a carga e este impacto está onerando exclusivamente as distribuidoras.

No último painel do módulo, Mateus Duarte, presidente da SBQEE – Sociedade Brasileira de Qualidade de Energia Elétrica, abordou os Aspectos Gerais de Medição de Qualidade de Energia, mostrando casos práticos.

Convergência para a indústria 4.0

Estamos cada vez mais próximos da Indústria 4.0 e, no setor elétrico, essa tendência já pode ser vista em algumas ferramentas que chegam para revolucionar o mercado. A Internet das coisas (IoT) – Internet of Things, em inglês, onde é possível tornar qualquer coisa passível de registro, gerenciamento e controle por meio da Internet, mudou completamente a forma de ver o mundo. O tema foi discutido no painel Instalações Elétricas de Baixa Tensão – Evolução & Tendências.

Entre os destaques neste módulo foi o uso do BIM – Building Information Model (Modelagem da Informação da Construção) nos projetos de instalações elétricas. O BIM simula virtualmente uma edificação real, fornecendo todas os detalhes de cada elemento, incluindo das instalações elétricas antes do projeto ser iniciado.

A iluminação e a evolução tecnológica

Nos últimos três anos, o mercado de iluminação passou por algumas mudanças positivas que apontam evolução em relação às lâmpadas LED. Essa percepção foi apresentada na pesquisa da arquiteta Juliana Iwashita, diretora da Exper, sobre a visão do projetista de iluminação em relação ao mercado nacional em 2018 em comparação com a mesma pesquisa realizada em 2015, durante o módulo Iluminação, no Cinase.

Ainda no módulo Iluminação, Paula Carnelós, presidente da ASBAI – Associação de Arquitetos de iluminação, apresentou as principais características num projeto de iluminação e reforçou que é utopia dizer que o melhor projeto é o que oferece menor preço em menor tempo.  Já Mauro Kusznir falou sobre controle de iluminação e IoT: além da eficiência energética. Segundo ele, o controle de iluminação vem para trazer conforto, segurança e economia.

Geração distribuída e energia fotovoltaica

Este módulo tratou sobre as oportunidades e desafios da geração distribuída solar fotovoltaica no Brasil, painel apresentado por Ronaldo Koloszuk, presidente da Absolar – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.  Outro painel que chamou a atenção foi sobre o papel da geração distribuída no planejamento energético brasileiro, por Thiago Toneli Chagas, da EPE – Empresa de Pesquisa Energética. Aspectos regulatórios e modelos de negócios foram outros temas deste módulo, desenvolvido por Rodrigo Marcolino, do Conselho de Administração da Absolar.


Por Adriana Dorante
Edição Cristiane Pinheiro
Fotos: Cesar Cinato

 

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