E segue o crescimento dos Certificados de Energia Renovável

jan, 2020

*por Elbia Gannoum

Não gostaria de terminar o ano sem falar de um assunto que cresce em importância para o setor de energias renováveis. Refiro-me ao Programa de Certificação de Energia Renovável, que está registrando um crescimento considerável no Brasil e demonstra que existe um futuro promissor para as empresas que quiserem investir neste negócio. No último artigo de 2018, também resolvi falar deste tema e a explicação é simples: sinto que precisamos abordá-lo cada vez mais, para tirar dúvidas, explicar detalhes e fazer a nossa mensagem chegar à sociedade. Os certificados são mais um fruto importante dos nossos bons ventos e que trará benefícios não apenas para as empresas que aderirem ao programa, mas para o próprio setor eólico como um todo, já que impulsiona seu crescimento.

O fato é que a demanda por RECs é maior a cada dia. Até novembro de 2019, por exemplo, já havíamos chegado à marca de 2,1 milhão de certificados comercializados no ano, o que já era o dobro do que foi comercializado em 2018. Em 2020, a estimativa é chegar a cinco milhões de certificados. A cada quatro RECs transacionados no Brasil, três RECs são de empreendimentos eólicos de nossos associados. O crescimento do interesse pela certificação e compra dos RECs sinaliza que as empresas estão preferindo consumir energia renovável e, ao mesmo tempo, mostra o compromisso com a mudança de comportamento energético. Quanto mais cresce a procura por RECs, mais cresce a necessidade de termos geradoras de energia renovável. Para que uma determinada geradora possa emitir RECs e vendê-los, ela precisa passar por um processo de certificação. No site do Programa www.recbrazil.com.br, é possível ter informações detalhadas sobre todo o processo e como é feita a compra e venda verificadas, em ambiente certificado, de acordo com as legislações vigentes que normatizam este sistema.

Estes dados que estou mencionando são fornecidos pelo Instituto Totum, emissor local de RECs no Brasil credenciado pela organização mundial I-REC Services. O Programa de Certificação de Energia Renovável, por sua vez, foi criado pela Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) e a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), e já conta com apoio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Como nós já percebemos, existe, por vezes, alguma dificuldade de entender como funcionam os certificados e seu processo de certificado. Nós, inclusive, entrevistamos recentemente, no Cabeça de Vento, o Podcast da ABEEólica, Fernando Lopes, do Instituto Totum, para que explicasse a nossos associados os principais pontos do programa de certificação. Repito a dica aqui e quem quiser ouvir as didáticas explicações do Fernando, é só procurar o “Cabeça de Vento” no Spotify, Deezer e Itunes. Bom, mas acho que também vale explicar um pouco aqui no texto. O sistema funciona por um sistema de contabilização que controla o equilíbrio entre entrada e saída de certificados. Quando uma geradora é certificada, a energia gerada é acompanhada da geração dos Certificados de Energia Renovável (RECs) correspondentes ao montante produzido. Um REC é a prova de que 1MWh (um megawatt hora) foi injetado no sistema a partir de uma fonte de geração de energia renovável. Quando um consumidor compra um REC de uma geradora, ele se apropria, por meio de um certificado, daquela energia que foi injetada no sistema, e aquele REC não será usado por mais ninguém e aquela quantidade de energia sai da conta do sistema. Os RECs com a chancela do nosso Programa REC Brazil também trazem consigo ações de sustentabilidade auditadas relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Como já escrevi anteriormente, nós estamos investindo nesse Programa porque acreditamos em seu enorme potencial e em seus benefícios para a sociedade. E queremos que nossa mensagem se espalhe para empresários e para a sociedade. Em breve, inclusive, o Instituto lançará uma campanha de vídeos didáticos sobre o assunto e eu voltarei a falar deste tema aqui neste espaço.

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