Diagnóstico em cabos de média tensão evita emissão de gases de efeito estufa

fev, 2019

Análise realizada pela Baur do Brasil em 207 cabos elétricos de média tensão em uma planta industrial da Ajinomoto comprovou o perfeito estado de conservação de cabos previamente condenados e evita a emissão de 10,85 toneladas de GEE

Seguindo uma tendência mundial, as empresas estão cada vez mais preocupadas em reduzir o impacto ambiental de suas operações, incluindo as atividades relacionadas à manutenção de máquinas e equipamentos. Uma dessas ações é a gestão do estado de conservação de cabos elétricos de média tensão, prática ainda pouco empregada no Brasil.

Os cabos elétricos têm uma expectativa de vida longa, entre 25 e 40 anos a depender da qualidade de fabricação do cabo, de uma adequada instalação e das condições de operação. No entanto, em um determinado momento eles precisam ser substituídos. Para fazer esta análise em sua unidade industrial de Limeira, a Ajinomoto, empresa do setor alimentício, contratou a Baur do Brasil.

“Nesta planta, foram identificados 207 cabos de média tensão com idades de operação variadas. Os cabos mais antigos possuíam em torno de 30 anos de vida. Tendo em vista todo este tempo de operação, havia o entendimento de que eles já estavam no fim da sua vida útil e deveriam, portanto, ser substituídos”, explica o diretor executivo da Baur do Brasil, Daniel Bento. O trabalho de análise e diagnóstico da empresa tinha, então, o propósito de avaliar individualmente a condição em que cada cabo em operação se encontrava. Tendo em vista a relevância do trabalho, o diagnóstico não se limitou apenas aos cabos com maior tempo de instalação, mas sim a todos os 207 cabos existentes na fábrica.

O resultado foi que, entre os 165 cabos na lista dos mais antigos, apenas 57 cabos estavam de fato em um estágio avançado de degradação, sendo efetivamente recomendada a sua substituição. “Esta ação, além de gerar uma redução de custo para a empresa, também proporcionou redução na emissão de gases causadores do efeito estufa e evitou geração de resíduos com o descarte dos cabos antigos preservados”, avalia Bento.

O diagnóstico permitiu que fosse postergada a substituição de 108 cabos, totalizando 18 km de cabos. Considerando as emissões evitadas com a fabricação e o transporte dos cabos que deixaram de ser produzidos, a Ajinomoto evitou a emissão de 10,85 toneladas de gases de efeito estufa. Para se ter uma ideia, esse volume corresponde à emissão provocada por um carro popular ao percorrer 62 mil km, o equivalente a uma volta e meia no planeta Terra.

O cálculo das emissões foi feito com base na metodologia do Sustainability Reporting Guidelines do Global Reporting Initiative (GRI), referência em relatórios de sustentabilidade.

Técnica de gestão dos cabos

A análise do estado de conservação dos cabos é realizada por meio do monitoramento dos parâmetros de controle. As referências internacionalmente consideradas para a manutenção de cabos isolados de média tensão são as normas do IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers Standards Association). No caso dos ensaios de isolação e da blindagem, são adotadas as normas IEEE 400.2 e IEEE 1617, que abordam, respectivamente, os ensaios de Tangente Delta da isolação e reflectometria da blindagem.

Estes ensaios analisados em conjunto permitem a realização de uma avaliação profunda da condição de conservação, tornando possível diagnosticar se os cabos apresentam moderado, médio ou elevado grau de degradação.

O ensaio de tangente delta é realizado a partir de tensão aplicada em baixa frequência, conhecido como VLF – Very Low Frequency, tecnologia utilizada pela Baur do Brasil em seus diagnósticos. Tal método se opõe a outras formas mais simples de realizar ensaios em cabos que empregam corrente contínua, que, no caso da Ajinomoto, não foram considerados pelo fato de que podem introduzir defeitos nos cabos, que até o momento não existiam, em função da polarização do material isolante durante o ensaio.

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