Crescimento de baterias permitirá ampliação da oferta de eólica e solar

jul, 2018

Termoeletricidade a carvão deverá passar de 38% para 11% da geração global até 2050

A energia eólica e a energia solar deverão aumentar para quase 50% da geração mundial até 2050 devido à redução drástica de custos e ao advento de baterias mais baratas, o que permitirá que a eletricidade seja armazenada e descarregada para atender a mudanças na demanda e no fornecimento. O estudo é da Bloomberg NEF, que divulgou, em junho, sua análise anual de longo prazo sobre o futuro do sistema elétrico global – o New Energy Outlook (NEO) de 2018.

As perspectivas deste ano são as primeiras a destacar o enorme impacto que a queda nos custos das baterias terá no mix de energia nas próximas décadas. A BNEF prevê que os preços da bateria de lítio-íon, que já caíram cerca de 80% por megawatt-hora desde 2010, continuarão a cair à medida que a produção de veículos elétricos aumente ao longo dos anos 2020.

Seb Henbest, chefe da Europa, Oriente Médio e África da BNEF e principal autor do NEO 2018, disse: “A estimativa é que US$548 bilhões sejam investidos em baterias até 2050, dois terços disso conectado à rede e um terço instalado behind-the-meter em residências e empresas. A chegada do armazenamento barato de bateria significa que fica cada vez mais possível aprimorar a entrega de eletricidade a partir da energia eólica e solar, para que essas tecnologias possam ajudar a atender à demanda mesmo quando o vento não estiver soprando e o sol não estiver brilhando. Como resultado, as energias renováveis tomarão uma parte cada vez maior do mercado existente de carvão, gás e energia nuclear”.

O NEO 2018 prevê um investimento de US$11,5 trilhões em todo o mundo em nova capacidade de geração de energia entre 2018 e 2050, com US$ 8,4 trilhões deste total em energia eólica e solar, e outros US $1,5 trilhão em outras tecnologias de carbono zero, como hidrelétrica e nuclear.

Esse investimento produzirá um aumento de 17 vezes na capacidade solar fotovoltaica em todo o mundo e um aumento de seis vezes na capacidade de energia eólica. A estimativa é que o custo nivelado da eletricidade de novas usinas fotovoltaicas caia mais 71% até 2050, enquanto eólica terrestre cairá mais 58%. Estas duas tecnologias já registraram reduções de 77% e 41%, respectivamente, entre 2009 e 2018.

Elena Giannakopoulou, chefe de economia de energia da BNEF, disse: “O carvão surge como o maior perdedor a longo prazo. Superado pelo custo da energia eólica e fotovoltaica para geração de eletricidade em massa, e baterias e gás pela flexibilidade, o sistema elétrico futuro se reorganizará em torno de energias renováveis baratas – o carvão será pressionado”.

O papel do gás no mix de geração evoluirá, com aumento na construção e utilização de usinas elétricas a gás para proporcionar suporte para as energias renováveis, em vez de produzir a chamada eletricidade de carga base ou contínua (round-the-clock). A BNEF estima que a geração a gás tenha um aumento de 15%, entre 2017 e 2050, embora sua participação na eletricidade global caia de 21% para 15%.

O NEO 2018 também analisa o impacto da eletrificação do transporte no consumo de eletricidade. A estimativa é que os carros elétricos e ônibus estarão usando 3.461TWh de eletricidade globalmente em 2050, o equivalente a 9% da demanda total. A previsão é que cerca de metade da tarifação necessária será feita numa base “dinâmica”, aproveitando os momentos em que os preços da eletricidade estão baixos devido à elevada produção de energias renováveis.

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