Complexo eólico é inaugurado no Rio Grande do Norte

nov, 2017

Fontes de energia renováveis e limpas não são mais maneiras alternativas de produzir eletricidade há anos e assumem, definitivamente, papel essencial nas matrizes elétricas de diversos países por todo o mundo. No Brasil, signatário do Tratado de Paris em 2015, o crescimento dessas fontes, eólica e solar especialmente, parecia inimaginável há algum tempo, mas vem se tornando cada vez mais real nos últimos anos.

Inaugurado no último dia 19 de outubro, o Complexo Eólico São Miguel do Gostoso, localizado na cidade de mesmo nome a 101 km da capital potiguar Natal, é o mais novo exemplo do crescimento da utilização das energias renováveis no país. A obra, que durou 823 dias e gerou em seu pico 590 empregos diretos, foi encerrada em junho de 2015, mas teve sua operação iniciada há apenas quatro meses, quando se conectou ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e iniciou sua operação comercial.

 

complexo eolico

A Voltalia, multinacional produtora de energia a partir de fontes renováveis é a grande investidora do projeto, com 51% das ações, em parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), que detém os outros 49%. Com apoio do financiamento do BNDES, foram investidos R$ 500 milhões na nova operação, que conta com capacidade instalada de 108 MW e pode produzir 520 GWh ao ano, gerando energia para até 270 mil famílias, além de reduzir a emissão de CO2 em até 205 toneladas por ano.

Fornecidos pela empresa espanhola Acciona, os 36 aerogeradores, com 120 metros de altura e 125 de diâmetro, estão divididos igualmente nos quatro parques do complexo – Santo Cristo, São João, Carnaúbas e Reduto. Os terrenos de todos os parques são arrendados e as atividades já existentes nas regiões foram mantidas, como a criação de gado de corte, plantação de frutas e cultivo de espécies nativas da região. O contrato de manutenção e operação do complexo é de 20 anos.

O diretor geral da Voltalia no Brasil, Robert Klein, relembrou como foi o início desacreditado da empresa no Nordeste. “A Voltalia apostou desde o início nos ventos do Rio Grande do Norte. Andei por estas terras há mais de dez anos, pensando sobre como seria ver um parque eólico feito por nós. Hoje, me sinto feliz em ver meu sonho ser realizado”, declarou.

O presidente da Copel, Antônio Guetter, comentou sobre a heterogeneidade dos investimentos feitos pela empresa, que investe em algumas instalações no Rio Grande do Norte, estado que está localizado a mais de três mil quilômetros da cidade de Curitiba, sede da empresa. “Participamos do projeto em São Miguel do Gostoso porque aqui os ventos sopram com mais abundância. Estamos diversificando nossa matriz energética e garantindo retorno aos paranaenses”, justificou.

O valor total dos investimentos feitos pela Voltalia em parques eólicos no Rio Grande do Norte é de R$ 2,5 bilhões, dos quais 70% foram provenientes de financiamentos do BNDES. Vale lembrar que São Miguel do Gostoso é um dos cinco empreendimentos que a empresa tem no estado, se juntando a: Areia Branca (90 MW), Vamcruz (93MW), Serra Pará (99 MW) e Vila Acre I (27,3MW). Um projeto híbrido (térmica, solar e PCH) no Oiapoque (AP) (12MW) fecha a operação da multinacional no Brasil, que contabiliza 429,3 MW instalados.

 

Futuro

Com o complexo de São Miguel do Gostoso finalizado, a Voltalia não conta com mais nenhuma obra de operação em andamento. Isto poderia ser diferente, caso o para novas linhas realizado em 2016, não tivesse sido cancelado. Faltando dois meses para o leilão deste ano, cresce a expectativa da empresa para o começo de novos investimentos.

Pensando na frente, Klein destaca a expectativa para o próximo leilão que acontecerá no final do ano. “Queremos participar com vários projetos que acredito que são muito competitivos. Estamos prontos para o leilão e esperamos vencer para dar continuidade aos investimentos. Pretendemos continuar investindo em projetos que consideramos essenciais para o desenvolvimento econômico e social do estado e da região em especial”.

 

PROJETOS SOCIAIS

Tendo em vista os impactos socioambientais causados pelas obras de geração de energia, mesmo no caso da eólica, a Voltalia e a Copel implantaram alguns projetos sociais na região como contrapartida. Desde a chegada a São Miguel do Gostoso, foram colocados em prática 42 projetos sociais, dos quais 31 já foram desenvolvidos e 11 estão em desenvolvimento.

Os projetos acontecem nas mais diferentes áreas, como: responsabilidade social, educação, desenvolvimento sustentável. No que diz respeito à cultura, alguns exemplos são a “3ª Mostra de Cinema de São Miguel do Gostoso e o “Projeto Só Melodia”. Na área da saúde, o destaque é a “Operação Sorriso”, organização global com mais de cinco mil voluntários dedicados a ajudar crianças com deformidades faciais, como o problema da fissura labiopalatina presente em uma a cada dez crianças nascidas no mundo.

No Brasil, a parceria com a Voltalia teve seu contrato formalizado em 2016 e irá até 2019, divida em três etapas. As duas primeiras partes já realizadas beneficiaram 200 crianças, sendo feitos 142 procedimentos e 1836 consultas. A última etapa deverá acontecer no próximo ano no município de São Miguel do Gostoso.

 

 

Por Guilherme Semerene.
O jornalista e viajou a São Miguel do Gostoso (RN) a convite da Voltalia.

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