Compartimentação de um quadro elétrico de baixa tensão: como escolher

maio, 2020

Prezado leitor, muito se discute sobre a forma construtiva de um quadro elétrico de baixa tensão, mas trago à baila hoje esta discussão para entendermos o porquê desta diferenciação em 7 modelos e qual a razão de ser destas opções.

Inicialmente, devemos entender como se diferencia cada uma das opções. Para isso, veja a Figura 1:

O invólucro externo do painel é representado na Figura 1 como o retângulo que envolve o barramento, as unidades funcionais e o ponto de conexão externo. Esta construção recebe a designação de forma construtiva 1.

A forma construtiva 2 apresenta a inclusão de uma separação física, geralmente metálica, entre o barramento e as unidade funcionais. Veja a Figura 2 a seguir:

É importante notar que a diferenciação entre das formas 2A e 2B se dá pela separação ou não do ponto de conexão externo (local onde conectaremos os cabos de saída), que pode estar junto com a unidade funcional (Forma 2B) ou no compartimento dos barramentos (Forma 2A).

A forma construtiva 3, em comparação com a 2, apresenta a inclusão de separação física, geralmente metálica, entre cada uma das unidades funcionais.

É importante notar que a diferenciação entre das formas 3A e 3B se dá pela separação ou não do ponto de conexão externo (local onde conectaremos os cabos de saída), que pode estar separado das unidades funcionais e do barramento (Forma 3B) ou no compartimento dos barramentos (Forma 3A).

A forma construtiva 4, em comparação com a 3, apresenta a inclusão de separações físicas, geralmente metálicas, entre cada uma das unidades funcionais e dos pontos de conexão externos.

É importante notar que a diferenciação entre das formas 4A e 4B se dá pela separação individual ou não do ponto de conexão externo (local onde conectaremos os cabos de saída), que pode estar individualmente separado das unidades funcionais e do barramento (Forma 4B) ou no respectivo compartimento da unidade funcional (Forma 4A).

Ora, me interpela o leitor, essa é a explicação que está na norma! Ok, respondo eu, mas para que serve cada uma delas se, incluindo mais separações internas eu incluo mais barreiras (que agregam custo) e dificulto a ventilação interna (o que torna o painel cada vez mais quente e que exige mais cobre ou projetos mais sofisticados, o que sempre encarece cada vez mais o painel)?

A explicação está sempre na necessidade de interação com partes internas do painel nas atividades de operação e manutenção. Quanto mais sofisticado é o processo produtivo que depende deste painel, mais difícil é seu regime de manutenção e menos vezes e por menos tempo eu posso desligá-lo para fazer uma manutenção preventiva ou corretiva. Sendo assim, se o painel não pode ser desligado para manutenção, se faz necessário compartimentar internamente de modo que se possa isolar e aterrar a parte onde eu necessito intervir mantendo as unidades funcionais adjacentes, barramento e pontos de conexão externos das outras unidades funcionais energizados e em operação, sem com isso expor o profissional que interage com o painel a risco.

Portanto, a escolha da compartimentação adequada é resultado de uma boa análise de como será o processo de operação e manutenção do painel antes de sua construção,  visto  que a diferença de preço entre um painel forma construtiva 1 e um painel forma construtiva 4B pode chegar a 4 vezes! Portanto, como é sempre desejável desligar e aterrar o ponto de intervenção para manutenção, verifique o processo que está sendo alimentado pelo painel e escolha corretamente de acordo com a sua necessidade.

Boa leitura!

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