CINASE em nova fase

jun, 2015

Reformulado e com elevados índices de satisfação, o Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) reforça sua importância para profissionais que buscam atualizar-se profissionalmente

Há seis anos, o Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) é reconhecido como um dos mais importantes congressos técnicos do país na área da engenharia elétrica. É um evento que nasceu com a inédita proposta de levar para cidades fora do eixo São Paulo-Rio, mas não menos importantes, discussões técnicas sobre o mundo das instalações elétricas por meio de palestras realizadas por profissionais gabaritados em suas áreas de atuação e de um espaço de exposição de produtos e tecnologias do setor.

A primeira edição deste ano de 2015 aconteceu nos dias 10 e 11 de junho no Centro de Convenções e Exposições Expoville, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. Reformulado, o congresso não apenas confirmou, como superou a expectativa de todos – organizadores, congressistas, expositores e palestrantes – pelo alto nível dos participantes presentes, pela elevada qualidade do conteúdo apresentado e pela boa organização do evento. O auditório foi tomado por aproximadamente 300 profissionais, entre engenheiros, executivos, técnicos, tecnólogos e estudantes.

Com o tema “Uma viagem pelas instalações elétricas”, o CINASE passou por uma grande transformação neste ano. De uma maneira conceitual, o objetivo do congresso foi proporcionar ao participante uma verdadeira imersão ao mundo das instalações elétricas, desde a geração de energia, passando pela transmissão e distribuição, até chegar à baixa tensão e, efetivamente, ao consumo da eletricidade. Assim, as palestras foram organizadas de modo a abordar diversas temáticas do ciclo da energia elétrica, como a dinâmica dos transformadores, a qualidade da energia, os painéis de média e baixa tensão, a eficiência energética na indústria, a proteção e o aterramento, a segurança do trabalho, as linhas elétricas e a iluminação.

O diretor do evento, Adolfo Vaiser, explica que o CINASE é uma combinação de oportunidades para aqueles que se interessam em ampliar seus conhecimentos e discutir com grandes ícones desse setor assuntos relativos ao setor elétrico como um todo, abrangendo as mais diferentes áreas. Para isso, a preparação do congresso contou com a coordenação técnica de dois engenheiros eletricistas especializados, Jobson Modena e José Starosta, profissionais experientes em suas respectivas áreas de atuação

A abertura do primeiro dia de congresso, com a plateia cheia, contou com uma apresentação de peso, que já denunciava que o CINASE seria um evento de sucesso. O presidente da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Cleverson Siewert, abriu os trabalhos com uma palestra emocionante e otimista acerca do futuro do setor elétrico brasileiro. Em sua análise, ele admitiu que a alta das tarifas é uma das grandes dificuldades do setor, mas acredita em uma perspectiva de redução do preço da energia em médio prazo, tendo em vista uma melhoria das condições hidrológicas e a contribuição da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo que começou a ser cobrado novamente neste ano com a finalidade de socorrer o setor em momentos de crise.

Segundo ele, a eficiência energética é a solução que deve ser trabalhada por todos neste momento. Citou como referência a própria Celesc que, em 2011, apresentava média de investimentos nessa área da ordem de R$ 5 milhões por ano, e agora está investindo R$ 40 milhões em eficiência energética. Siewert concluiu sua apresentação fazendo uma breve análise sobre o cenário econômico. “Economia tem muito a ver com o setor elétrico. É um momento muito delicado, com uma série de dificuldades, mas vamos pensar que já passamos por várias delas, somos um povo forte, firme, guerreiro e nas dificuldades também encontramos oportunidades. Se a gente tiver criatividade e inteligência, podemos juntos pensar de forma positiva, enfrentar os problemas e, juntos, fazermos um futuro de força e luz”, finalizou.

As palestras que se seguiram foram proferidas por profissionais técnicos especializados e reconhecidos nos setores em que atuam. É o caso, por exemplo, do engenheiro João José Barrico, que participou da comissão tripartite que revisou a Norma Regulamentadora nº 10 (NR 10) em 2004, e que elucidou diversas dúvidas ainda existentes a respeito do documento normativo.

O tema NR 10, aliás, foi um dos que mais chamou a atenção dos congressistas, os quais, logo após a apresentação, cercaram o palestrante na tentativa de esclarecer outras questões da norma regulamentadora. Outro tema que foi recebido com muito entusiasmo pelos participantes diz respeito à recém-publicada ABNT NBR 5419, que trata dos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas. O coordenador da comissão que revisou a norma, Jobson Modena, também coordenador técnico do evento, fez uma explanação de modo a transmitir o máximo de informações a respeito das mudanças trazidas pela nova norma (veja mais sobre isso a seguir).

Uma das novidades do novo CINASE foram as breves apresentações realizadas pelas empresas expositoras entre as palestras principais. Os temas abordados por elas também foram alocados de modo que o expositor complementasse o tema anteriormente já explanado pelo palestrante. Dessa forma, todas as apresentações tiveram caráter técnico, contribuindo para a formação do congressista, que, por sua vez, poderia buscar mais informações junto ao expositor durante os intervalos. Para o diretor técnico da Clamper, Wagner Barbosa, este é o modelo ideal de evento. “A Clamper acredita muito nesse padrão, em que você tem uma palestra técnica que gera credibilidade ao congressista, e tem o fabricante como apoiador. Esse modelo sempre traz bons resultados, em termos de contatos e promessas de negócios futuros”, avaliou.

Paulo Santos, da fabricante de conexões e eletrodutos Daisa, endossa a opinião de Barbosa. Para ele, o evento é ideal para divulgação de seus produtos. “O mais importante em congressos como este é cuidar para que o trabalho de divulgação tenha repercussão, dessa maneira, a venda acontece em médio prazo, em um trabalho posterior desenvolvido por sua equipe de vendas”.

O diretor comercial do CINASE, Massimo Di Marco, explica que, para obter bons resultados, o espaço do expositor organizado pelo evento muito contribui: “trata-se de uma área comum para todos, sem concurso de estandes e os intervalos são cuidadosamente planejados para que haja interação entre congressista e expositor”.

Os números da pesquisa realizada pela organização do evento confirmam a avaliação positiva dos patrocinadores. De modo geral, 78% se manifestaram satisfeitos com o congresso e 22% deles afirmaram estar muito satisfeitos. A Novemp, por exemplo, foi uma das empresas expositoras que já participou de outras edições do CINASE e enfatizou o público qualificado como um dos pontos altos do evento. “Para a Novemp, o resultado foi ótimo porque estamos tentando implementar nossos produtos aqui em Santa Catarina. Fomos muito bem recebidos pela concessionária local e já conseguimos, inclusive, marcar uma reunião com a Celesc para homologar nossos barramentos blindados”, comemorou o engenheiro da Novemp, Carlos Frederico Bomeisel.

Também na opinião dos participantes, a avaliação do CINASE foi a melhor possível. De acordo com o mesmo levantamento, 34% dos congressistas ficaram muito satisfeitos com o congresso e 66% deles declaram-se satisfeitos. Com relação ao conteúdo das apresentações, 72% dos participantes ficaram satisfeitos e 25% muito satisfeitos com o material apresentado. 89% deles admitiram que o evento lhes permitiu fazer contatos profissionais úteis, tanto durante as palestras, quanto nos momentos de intervalo para o coffee break e para almoço.

O engenheiro da Celesc, Wladimir da Silva, foi de Criciúma especialmente para participar do evento e sugere que sejam três dias de congresso. “Eu achei o evento ótimo. A organização foi nota 10. O detalhe crítico diz respeito à correria, um programa muito extenso, apesar da importância de cada um. Talvez um modelo com três dias valesse a pena”.

O participante se refere às 11 palestras de especialistas e outras 16 mini palestras dos expositores. O extenso programa foi necessário para cobrir todos os assuntos propostos pelo evento para que a “viagem pelas instalações elétricas” fosse efetivamente realizada por meio das apresentações. No primeiro dia, logo após a abertura, o engenheiro Nunziante Graziano falou sobre os conceitos modernos de especificação e de uso de subestações e painéis de média tensão e o engenheiro Marcelo Paulino abordou conceitos e práticas sobre operação, manutenção e ensaios em subestações e painéis elétricos. O diretor de vendas para a América do Sul, da Weg, Fernando Cardoso Garcia, abordou o tema eficiência energética como investimento necessário para a indústria. Em seguida, José Starosta tratou do assunto qualidade da energia elétrica e de outros aspectos relacionados, incluindo a própria eficiência energética. O primeiro dia foi finalizado pelo engenheiro Eduardo Daniel, que deu algumas informações sobre o que deverá ser alterado na norma de instalações elétricas de baixa tensão, ABNT NBR 5410, que está em processo de revisão.

No segundo dia de congresso, além dos temas NR 10 e ABNT NBR 5419 já mencionados, o engenheiro Nunziante Graziano falou novamente, agora em parceria com o engenheiro Wamilton Silva, da Celesc, sobre novas diretrizes de projeto e aplicação de painéis de baixa tensão e barramentos blindados. A tarde foi dedicada à temática da iluminação. O engenheiro Plinio Godoy mostrou cases com aplicação do Led e a importância de se avaliar a fotometria do conjunto ótico e não apenas dos equipamentos individualmente.

O congressista Paulo Braga, engenheiro de telecomunicações e eletroeletrônico, atua na área elétrica há 42 anos e afirma que eventos como este são fundamentais para a atualização profissional. “A eletricidade está em constante evolução e temos sempre que estar aprendendo. Com o CINASE, tivemos acesso a informações muito valiosas. Acredito que algumas palestras poderiam ter mais tempo de duração, especialmente as referentes às normas”.

Também congressista, a engenheira eletricista e arquiteta urbanista Schirley da Silva Quandt, que já havia participado do primeiro CINASE na cidade de Joinville, notou que o número de participantes é sempre muito expressivo. “É difícil acompanhar o que acontece no setor elétrico no dia a dia; esses eventos trazem isso para nós”, afirmou.

 

Workshop

 

A grande novidade da edição 2015 do Circuito Nacional do Setor Elétrico (CINASE) ficou por conta do workshop, momento em que, no final do segundo dia de congresso, os participantes puderam testar seus conhecimentos com um exercício prático. “O workshop é a oportunidade de se testar a teoria adquirida. É o instante em que todos podem fazer seus exercícios práticos sobre o conteúdo apresentado nos dois dias de congresso e contar com sistema de monitoramento contínuo de palestrantes, expositores e professores voluntários”, explicou o coordenador técnico do evento, o engenheiro José Starosta. Também coordenador do congresso, o engenheiro Jobson Modena, acrescenta: “O arranjo do evento somado à dinâmica do workshop é a combinação perfeita para que o congressista entenda o sentido da técnica e aplique, efetivamente, o conhecimento assimilado em sua rotina”.

A proposta do workshop foi reforçar com os congressistas todo – ou o máximo possível – do conhecimento adquirido nos dois dias de evento. Para isso, foi elaborada uma série de exercícios que incluiu toda a cadeia do setor elétrico e que ao mesmo tempo tenha sido parte do conteúdo programático do congresso. Essa prática contou com a participação de uma equipe de professores da Sociedade Educacional de Santa Catarina (Unisociesc), que, juntamente com os coordenadores técnicos do evento e os patrocinadores, apoiaram os congressistas na produção das atividades.

Bomeisel, da Novemp, conta que achou o workshop uma ideia inovadora e muito interessante. “houve uma participação muito grande dos congressistas e foi possível reunir o que foi apresentado pelos palestrantes e expositores em um grande esquema unifilar e todos os patrocinadores puderam contribuir”, analisou.

O coordenador de energia elétrica da Unisociesc, Carlos Roberto da Silva Filho, conta que a interação com os coordenadores técnicos do evento foi fundamental para o sucesso do workshop. “Além disso, escolher a cidade de Joinville foi um grande ponto forte, pois se trata de uma cidade industrial que precisa desse conhecimento que foi disseminado”. A professora de engenharia elétrica da Unisociesc, Solange Alves de Oliveira concorda e enfatiza: “os congressistas se envolveram bastante e se esforçaram para responder as questões propostas. É um modelo que funciona, foi bastante produtivo”.

Diversas foram as empresas que acreditaram no CINASE e patrocinaram a edição de Joinville: Andra, BRVal, Clamper, ConexLed, Daisa, Eaton, Flir, Itaim, Kian, KitFrame, Maccomevap, Maxibarras, Nexans, Novemp, Prodesmec, RDI, Rittal e Taf. O congresso contou ainda com o apoio de entidades regionais, nacionais e internacionais, como a Associação Catarinense de Engenheiros (ACE), a Abracopel, a CEAJ, a Celesc, o Crea-SC, o IEEE, a Minipa, a Santa Rita, o Sinduscon, a Stemac, o portal Voltimum, a Unisociesc e a Weg.

A próxima edição do evento já tem data marcada. Acontecerá nos dias 8 e 9 de setembro, na cidade de Recife (PE).

 

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