Certificação é um dos caminhos para iluminar o Brasil com qualidade

dez, 2018

A discussão sobre certificação de lâmpadas e luminárias ainda é recente, mas já é obrigatória pelo Inmetro para a comercialização desses produtos. A arquiteta Juliana Iwashita, diretora da Exper, falou sobre tipos de certificações do Inmetro para lâmpadas LED e luminárias públicas.  “É importante destacar que a confiabilidade do produto não está só num selo. Depende de toda a cadeia para ter a qualidade e a vida útil adequadas”, disse.

Segundo ela, o processo de certificação das lâmpadas e luminárias iniciou há cerca de três anos. Os requisitos básicos são o selo do Inmetro, informação de potência, fluxo e eficiência luminosa.

Marcia Antônio da Silva, diretora de tecnologia da Rio Luz, responsável pela implantação e manutenção do sistema de iluminação pública do Rio de Janeiro, destacou como é o trabalho de certificação no município, que conta com 450 mil pontos de luz. No caso do Rio de janeiro, é exigido do fornecedor de luminárias públicas parâmetros de curvas IES que representam todos os vetores da luminária em 360º. Os itens são analisados por meio de software.

Ela explicou que um dos parâmetros para a avaliação do IES depende do fluxo e da uniformidade. “A impressão é a de que para iluminar é preciso só fluxo, mas o cérebro que constrói a imagem também precisa de contraste, de uniformidade. Numa via onde transitamos em velocidade, nossa visibilidade tem de ser muito boa para construirmos a imagem associada à velocidade que estamos transitando. Se houver faixa de claro e escuro na rua, nossa visão vai ficar permanentemente focando e desfocando e isso cansa e traz consequências no nosso tempo de reação, podendo causar acidente. Então analisamos todos esses dados no software e simulamos a forma mais adequada de iluminação para o local,” disse.

Outro parâmetro de avaliação da luminária, segundo Marcia, além do fotométrico, é o elétrico, principalmente na questão de segurança. “Analisamos itens que possam dar choque. Em grandes áreas de convivência, como praças, indicamos poste de fibra, que é isolante elétrico e a chance de choque para uma pessoa que eventualmente encoste no poste é muito baixa. Também conversamos com fornecedores para que eles envolvam tampões com materiais isolantes”, explicou.

A Rio Luz também exige dos fornecedores testes mecânicos de resistência, de vibração e de carga, já que as luminárias estão em cima de postes sujeitos a vibração e ao e vento.

Em relação à questão ambiental, o abrigo de inseto nas luminárias é a mais importante. “Por serem quentes, as luminárias atraem insetos que morrem no local e se depositam sobre o dissipador de calor. Isso pode comprometer a dissipação e impactar na vida do LED, então exigimos luminárias apropriadas para evitar isso.”

Um fator bastante considerado na cidade carioca é a estética. Para esse lugar turístico a Rio Luz determina mobiliários urbanos cleans.

O fornecedor de luminária pública no Rio de Janeiro passa por três fases de avaliação: documental, de amostra e avaliação da fábrica. Depois de homologação também há inspeção para não entregar produto diferente.

Para Adriano Pinheiros Fragoso, gerente técnico da Lablux, da Universidade Federal Fluminense, que realiza ensaios de certificações creditados pelo Inmetro. O carro chefe da empresa são os ensaios de segurança e de desempenho elétrico, que comtemplam toda a portaria do Inmetro, como ensaios fotométricos, de vida eletromagnético e mecânico.  “É indiscutível o quanto a regulamentação traz de benefícios para o produto. Mas ainda temos muito a desenvolver”, disse.

Uma dos desafios é a questão de especificação de produtos. O Brasil é um dos poucos países que aceita ensaio de fora. Mas se for exportar para Argentina, por exemplo, o produto tem de ser ensaiado lá. Com isso, estimamos que dois terços de ensaios de energia de iluminação e certificação são feitos fora do País. Isso tira nosso mercado e torna o produto mais difícil de se rastrear. É um ponto falho da certificação, embora seja ainda benéfica para o nosso mercado”, destacou

Segundo ele, a maioria dos produtos de iluminação é importado por causa do menor custo, mas a montagem de luminárias no Brasil voltou a crescer. A vantagem é que a portaria 20 do Inmetro estipulou que, em fevereiro de 2019, expira o prazo para importação desse tipo de produto. É um mercado promissor e acreditamos que a universidade tem de estar próxima da indústria, ajudando a formar profissionais com maior qualidade.”

Comentários

Deixe uma mensagem