CBQEE em constante evolução

nov, 2019

Diretoria  da  SBQEE*

Se olharmos para o início da utilização da energia elétrica pela humanidade, basicamente, a qualidade era medida pela disponibilidade  ou não da mesma. Ou  seja, o único indicador era quanto  tempo tínhamos uma fonte de energia elétrica disponível.

Com a evolução dos sistemas, aumentou-se a percepção de que somente o indicador de disponibilidade da energia elétrica não era suficiente para medir a qualidade, pois diversos equipamentos começaram a falhar, ter vida útil reduzida, aumentar o consumo etc. Desta forma, outros indicadores como valor ficaz da tensão, distorção harmônica, flutuação de tensão, desequilíbrio de tensão etc., foram surgindo. E os problemas nem sempre eram  de  fácil resolução, haja  vista  que o sistema elétrico estava evoluindo rapidamente.  Já no início da década de 1990, surgiam os primeiros eventos internacionais para reunir especialistas e fomentar  discussões sobre estes assuntos.

Estas mesmas questões motivaram a criação de um evento nacional dedicado ao tema Qualidade da Energia  Elétrica, o qual congregasse academia, indústrias, concessionárias   de     energia,   centros de pesquisa, entre  outros.  Assim, em 1996,  foi realizado o primeiro  Seminário Brasileiro sobre Qualidade da Energia Elétrica. A partir da sexta edição, a qual ocorreu em 2007, o evento começou a ser chamado de Conferência Brasileira sobre Qualidade da Energia  Elétrica (CBQEE). Esta conferência é realizada bienalmente e já esteve presente em todas as regiões do Brasil. A conferência se  consolidou rapidamente e hoje é o maior  evento  dedicado ao assunto em toda a América do  Sul, recebendo contribuições não só do Brasil, mas também de diversos países vizinhos.

Desde a criação  da CBQEE, até  a atualidade, o sistema elétrico mudou muito. No princípio, se tinha  uma ideia de que boa parte dos problemas eram advindos das cargas, sejam elas intermitentes, não lineares  etc.  Além do  mais, nos sistemas de geração e transmissão, havia poucos elementos perturbadores – podemos ressaltar a linha de transmissão em corrente contínua, a qual transporta a energia da parte paraguaia de Itaipú para a região metropolitana de São Paulo –, e poucos compensadores estáticos. Portanto, os trabalhos focavam muito em cargas (tanto  como  geradoras de distúrbios, quanto    como    a   sensibilidade    que elas  tinham  aos  distúrbios   presentes na energia elétrica) e em soluções mitigadoras. Todavia, atualmente, o cenário está  bem  diferente, a saber:

  • As cargas que  eram   sensíveis   a problemas na rede elétrica estão cada vez mais imunes a estes;
  • Por  outro     lado,     as    cargas   não lineares,   que   eram   encontradas quase  que  exclusivamente  em ambientes industriais, hoje, estão presentes nas residências. Podemos citar equipamentos eletrônicos (computadores, televisões, celulares etc.), lâmpadas a LED, equipamentos com conversores de frequência (refrigeradores,   máquinas  de    lavar   e ar-condicionado), entre outros;
  • Voltando-se ao   sistema  de   geração, a energia eólica e solar hoje são realidade,  trazendo  maior  diversidade e segurança para  a  matriz  energética brasileira. São fontes renováveis e de baixo impacto ambiental. No entanto, possuem  conversores de  frequência para compatibilizar a intermitência da fonte  primária  de  energia (velocidade do vento e incidência solar) com os padrões necessários à conexão na rede elétrica;
  • O sistema de transmissão também teve muita mudança, podendo-se destacar a entrada de novas linhas de transmissão em corrente contínua e inserção de compensadores estáticos;
  • Quanto à  distribuição, está   havendo uma revolução com as denominadas “smart  grids”.  Estas impactam em melhores indicadores de qualidade de serviço, ajuste de demandas, além de contemplarem a inclusão de fontes de geração distribuídas;
  • Por fim, com o aumento da capacidade de processamento dos computadores, destaca-se também o avanço das simulações, contemplando inteligência artificial e simulações que utilizam dados reais obtidos em campo.

Desta  forma,   com   o   aumento   da complexidade  dos sistemas, problemas que, na primeira edição, eram praticamente irrelevantes, como a responsabilidade das causas dos distúrbios na Qualidade da Energia Elétrica, hoje, estão em foco.

Durante todos estes 23 anos de existência da CBQEE, o sistema elétrico evoluiu significativamente e a CBQEE está   sempre acompanhando  esta evolução. Na XIII CBQEE, realizada de  01 a 04 de setembro de 2019, no Instituto de Tecnologia Mauá,  em São Caetano do Sul (SP), temas como processamento de sinais, compartilhamento de responsabilidade e impacto  de   renováveis  foram   os  temas da vez. Mais de 250 conferencistas participaram dos quatro dias de evento que, além  de  sessões técnicas e plenária, contou com um minicurso sobre questões relevantes do Módulo 8 do PRODIST.

Mais  informações  e  inscrições em: www.sbqee.org.br/cbqee

Grande abraço!

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