Brasil recebe 77,8 milhões de raios por ano

nov, 2017

A nova rede denominada BrasilDATDataset, do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tornou mais exatas as informações acerca da incidência de raios no país. Levantamento divulgado neste mês de setembro revela que, nos últimos seis anos, a média anual registrada é de 77,8 milhões, 40% superior à última estimativa, de 2002, que apontava cerca de 55 milhões de raios anuais.

A diferença é atribuída às limitações do levantamento anterior feito com base em dados de satélites que apresentavam restrições devido à amostragem temporal (os satélites não eram geoestacionários), eficiência de detecção (dependente do tipo de tempestade) e discriminação entre as descargas que atingem o solo (raios) e aquelas que ficam dentro das nuvens. O novo sistema integra diferentes tecnologias de detecção de raios em superfície e permite identificar os raios com maior precisão.

Os novos dados apontam que 2012 registrou o número máximo de raios em todo o período analisado: 94,3 milhões. A justificativa está no aumento acentuado de raios na região norte relacionado ao evento La Niña observado naquele ano. Após 2012, um decréscimo quase que constante é visto ao longo do período. Em 2013 foram 92 milhões, em 2014 foram 62,9 milhões e em 2015 foram 68,6 milhões de raios, ano em que um acréscimo é observado devido ao registro do evento intenso El Niño, responsável pelo aumento acentuado dos raios nas regiões sul e parte das regiões sudeste e centro-oeste.

Foram detectados valores mais precisos da densidade de raios (quantidade de raios por quilômetro quadrado por ano) para os diversos estados e municípios brasileiros. O estado com maior densidade é o Tocantins, com 17,1 raios por quilômetro quadrado seguido por Amazonas (15,8), Acre (15,8), Maranhão (13,3), Pará (12,4), Rondônia (11,4), Mato Grosso (11,1), Roraima (7,9), Piauí (7,7) e São Paulo (5,2), que são os dez primeiros estados com maior densidade de raios por quilômetro quadrado por ano.

A cidade de Santa Maria das Barreiras, no Pará, apresenta um índice de 44,32 raios por quilômetro quadrado por ano e carrega o título de município com maior densidade de raios do país, enquanto que a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, é campeã na probabilidade de morrer atingido por raio, com 20,63 mortes por milhão de habitantes por ano. São Gabriel da Cachoeira tem uma densidade de raios de 24,51 raios por quilômetro quadrado por ano, superior a todas as capitais brasileiras.

O ranking das cinco primeiras capitais com maior densidade de raios por quilômetro quadrado por ano fica por conta de Rio Branco (30,13) Palmas (19,21), Manaus (18,93), São Luís (15,12), Belém (14,47) e São Paulo (13,26), ao passo que as capitais com maior probabilidade de morrer atingido por raio são respectivamente, Porto Velho, Boa Vista, Campo Grande, Rio Branco e Palmas.

Entre as cidades com mais de 650 mil habitantes, Osasco, Santo André, Guarulhos e São Bernardo do Campo, todas localizadas na grande São Paulo, apresentam, respectivamente, valores de densidade acima de 10, em consequência da influência da urbanização na ocorrência de raios. Por outro lado, entre estas cidades, São José dos Campos apresenta a maior probabilidade de morrer atingido por um raio.

 

Ameaças do céu

A relação entre os eventos severos do clima e os seus impactos no setor elétrico será abordada de forma inédita no documentário Ameaças do Céu. O documentário de média metragem conta com embasamento científico e abordará o assunto com uma linguagem acessível a partir de imagens impressionantes de tempestades severas, depoimentos de cientistas, de executivos do setor e de representantes governamentais. O lançamento está previsto para outubro de 2017, com exibição na Globo News.

“O documentário Ameaças do Céu surgiu da necessidade de levar ao público informações de que os eventos climáticos severos estão aumentando significativamente no Brasil, com impactos no setor de energia. Mostrar os bastidores do setor elétrico para enfrentar o clima irá contribuir para limitar o impacto dos eventos severos. À medida que as mudanças climáticas se intensificam é importante que sejamos capazes de conhecer melhor como estamos afetando o clima e como o clima está nos afetando”, declarou a diretora e roteirista do documentário, Iara Cardoso.

Ameaças do Céu apresentará ao público, o cenário atual dos danos e prejuízos que eventos climáticos severos causam nas linhas de transmissão, nas redes de distribuição e nas subestações. As tempestades severas causam hoje prejuízos ao setor elétrico que ultrapassam 100 milhões de reais por ano, e que deverão, em 2030, ultrapassar os R$ 200 milhões por ano, segundo o Elat/Inpe.

Comentários

Uma Resposta

  1. Joel Soprani disse:

    Uma pergunta para os especialistas:
    O raio “desce” ou “sobe?”
    Gostaria de receber dados científicos sobre este assunto.

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