Áreas classificadas – a necessidade de se capacitar os projetistas

 Edição 53 – Junho de 2010

Por Sérgio Rausch

A edição 2004 da NR 10 exige, no item 10.8.8.4, que os trabalhos para edificações que apresentem áreas sujeitas a riscos de explosão devam ser desenvolvidos por profissionais que – além da formação específica em eletricidade e instrumentação e das 40 horas do curso básico de segurança em eletricidade – participem de programas de treinamento específicos em equipamentos e instalações para atmosferas explosivas.

Dentre os envolvidos em serviços para áreas classificadas, observamos que estão inseridos profissionais de projeto, montagem, segurança, processos, operação, manutenção, reparos, fiscalização, inspeção e comissionamento de diferentes especialidades, inclusive não somente os diretamente envolvidos, mas também os usuários dessas instalações, conforme o item 10.1 da norma. Isso porque todos devem ter noção dos riscos envolvidos, bem como das soluções adotadas para o correspondente gerenciamento.

Portanto, embora todos devam passar por, pelo menos, um treinamento para capacitação, é imperativo que os projetistas de elétrica e de instrumentação, sejam técnicos, tecnólogos ou engenheiros, tenham um curso de especialização em equipamentos e instalações para atmosferas explosivas, com base na normalização e legislação vigentes, uma vez que são os responsáveis legais (registro da ART do projeto) pela escolha dos equipamentos e correspondentes formas de instalação e interligações.

Este curso deve incluir, entre outros tópicos, discussões sobre comportamento dos gases, vapores, poeiras e fibras combustíveis ou inflamáveis, princípios de classificação de áreas, características dos tipos de proteções normalizados para equipamentos, soluções para segurança de processo, detalhamento dos métodos de instalação, inspeção e comissionamento.

Além disso, tendo em vista o alinhamento formalizado entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) com a ISO/IEC, o comitê SC-31 do Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Telecomunicações e Iluminação (Cobei), que trata da normalização de equipamentos e instalações para atmosferas explosivas, está elaborando o projeto “Competências Pessoais para Atmosferas Explosivas”, objetivando a certificação dos profissionais via Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoas (SNQC).

No entanto, a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi) está elaborando sua norma para certificação de pessoas, que relaciona os conhecimentos específicos a serem comprovados por parte dos profissionais que atuam nestes ambientes, subdivididos conforme suas áreas de atuação: projetos, montagens, manutenção, inspeção, reparos, etc.

Há que se destacar, ainda nesse sentido, os treinamentos que vêm sendo ministrados pela Associação Brasileira para Prevenção de Explosões (ABPEx), com a finalidade de capacitar profissionais que lidam com atmosferas explosivas.

Cumpre citar que, não obstante a futura exigência da certificação de profissionais, esta transcende o âmbito da empresa, resultando em projeção e oportunidades internacionais para todos aqueles que vierem a participar deste processo.

 

  Esta dica é do engenheiro eletricista Sérgio Rausch, consultor técnico da Associação Brasileira para Prevenção de Explosões (ABPEx) e membro do comitê SC-31 do Cobei/ABNT: Equipamentos e Instalações para Atmosferas Explosivas.

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