A responsabilidade de cada um de nós pela energia do futuro

jul, 2018

Estamos nos afastando das fontes poluentes e priorizando as renováveis de baixo ou baixíssimo impacto ambiental. Esse movimento é incontestável e, independentemente da velocidade, o fato é que esta mudança é irreversível e devemos nos engajar para que ela aconteça de forma cada vez mais eficiente e rápida em todo o mundo.

O Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council – GWEC) divulgou recentemente seu Relatório Anual Global de Energia Eólica, mostrando uma indústria madura competindo com sucesso no mercado mundial, mesmo contra tecnologias tradicionais de geração de energia altamente subsidiadas em alguns países. Mais de 52 GW de energia eólica limpa e livre de emissões foram adicionados em 2017, levando o total de instalações a 539 GW globalmente.

Com novos recordes estabelecidos na Europa, na Índia e no setor offshore, os mercados retomarão um crescimento rápido após 2018, analisou o GWEC no material de divulgação do relatório, frisando que a energia eólica está liderando a mudança na transição para longe dos combustíveis fósseis e continua a impressionar em competitividade, desempenho e confiabilidade. O GWEC acredita que, tanto em projetos onshore quanto offshore, a energia eólica é a chave para definir um futuro energético sustentável.

O futuro, portanto, é promissor para a fonte eólica. Devemos, no entanto, ampliar a discussão para discutir as disrupções que vão mudar toda a forma de funcionamento do setor elétrico, com impactos de diferentes proporções em cada mercado. Os fatores para que isso aconteça já são claros: as renováveis de baixo impacto, como eólica e solar, mostram notáveis taxas de crescimento oferecendo energia mais barata, com baixíssimo impacto ambiental e implantação rápida. Temos que colocar neste cenário a queda dos preços das baterias, os veículos elétricos que tendem a ter um boom nos próximos anos e vão significar um choque de demanda de eletricidade, os parques híbridos, o crescimento da geração distribuída e da microgeração que vai trazer grandes desafios para os sistemas de transição.

Temos que considerar, ainda, o desenvolvimento industrial avançado que está entrando no que os acadêmicos chamam de “Quarta Revolução Industrial”. Este cenário ainda traz a internet das coisas, inteligência artificial, velocidades de conexão cada vez maiores, bitcoins, bigdata, etc. E tudo isso vai exigir mais eletricidade dos sistemas. Neste novo futuro que vai se desenhando, podemos considerar a eletricidade como sua coluna vertebral: sem ela, ele não se sustenta.

As novas fontes de energia deste futuro cheio de disrupções precisam trazer benefícios ambientais e sociais, critério este que as eólicas cumprem perfeitamente. É importante considerar, finalmente, que este futuro cheio de possibilidades também exige a condução de líderes inovadores, criativos, humanistas, empáticos e que saibam enxergar o futuro destas disrupções a favor do planeta. Empresas, governos e sociedade civil precisam ter isso em mente. O que pode conduzir a humanidade para um futuro melhor são pessoas engajadas com ideais de uma sociedade mais sustentável, justa, equilibrada e que respeite a natureza como um todo. As tecnologias, todas estas que mencionei neste artigo, são nossas ferramentas. A energia do bem que pode fazer a diferença na boa utilização dos recursos vem de cada um de nós, da visão de mundo que temos e de nossa vontade de agir de forma coletiva.

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