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A eterna polêmica sobre eletrodo de aterramento: “junta, separa...”

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Edição 50, Março de 2010

Autoria: Jobson Modena

Não é por acaso que “aterramento elétrico” é um tema recorrente. Há alguns dias, após iniciar um curso para aproximadamente 30 engenheiros, constatei que muitos deles continuavam a ter como referência, quase que tatuada em suas mentes, o conceito de separação dos eletrodos de aterramento das instalações de energia, de sinal e do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), em uma mesma edificação.

Seja por exigência absurda de um fabricante que alega não dar garantia ao equipamento fornecido se ele não possuir o seu eletrodo exclusivo, com “x” Ohms de resistência elétrica, seja por falta de acesso à informação, a ideia de que eletrodo de aterramento deve ser único para a edificação e servir a todas as instalações elétricas (energia, sinal e SPDA) existentes continua obscura perante grande parte da comunidade técnica nacional.

O problema é tão contundente e mal interpretado que basta surgir algum evento que movimente a mídia, ainda que sem relação direta com o assunto, para começarem as especulações. Com relação ao padrão brasileiro de tomadas que consta da ABNT NBR 14136:2002 (versão corrigida em 2008) – Plugues e tomadas para uso doméstico e análogo até 20 A/250 V em corrente alternada – Padronização, cheguei a ouvir o seguinte disparate: “Está vendo? Agora é obrigatório ter um aterramento exclusivo para cada tomada”, como se todos os formatos existentes até hoje que já possuíssem três pinos tivessem nesse terceiro pino um objeto de adorno ou um “pino guia” para facilitar o encaixe dos demais.

Eletrodo de aterramento é, por definição, uma parte da instalação elétrica que fica enterrada e, portanto, não tem influência direta no terceiro pino da tomada, seja qual for o padrão utilizado.

As normas ABNT NBR 5410:2004, versão corrigida em 2008, a ABNT NBR 5419:2005, atualmente em revisão, a ABNT NBR 14039:2005 e a ABNT NBR 15751:2009 definem os termos eletrodo de aterramento, sistema de aterramento, condutor de proteção (PE), condutor e barramento de equipotencialização, bem como a forma correta de suas aplicações.

Conhecendo as informações contidas nessas normas, consideremos como exemplo um eletrodo de aterramento de um prédio comercial de 15 andares, com 20 m de largura e 50 m de comprimento. Se o eletrodo de aterramento projetado for constituído por um condutor de cobre, este deve seguir as seguintes condições mínimas:

  • ter seção transversal igual a 50 mm²;
  • circundar toda a edificação na forma de um anel fechado, preferencialmente se distanciado da mesma de 1 m a 1,5 m;
  • estar enterrado, no mínimo, a 0,5 m de profundidade;

A este eletrodo devem estar convenientemente conectados todos os componentes das instalações elétricas (energia, voz, dados, TV, etc.), os elementos metálicos que adentrem o prédio (blindagens, tubos metálicos, etc.) e as descidas do SPDA.

O segredo não está na separação dos eletrodos para o aterramento de cada componente, mas na forma como todos os componentes devem ser conectados a esse eletrodo único. O ponto principal de conexão deve ser, em primeira instância, o Barramento de Equipotencialização Principal (BEP), ou as demais denominações dadas a essa peça, cuja correta forma de localização e utilização pode ser encontrada nas normas já citadas.

Dessa maneira, podemos afirmar que é tão absurda a separação do eletrodo de aterramento em uma mesma edificação quanto a interligação direta entre a armadura estrutural do pilar e o terceiro pino da tomada de energia, por exemplo, no décimo andar do edifício. Afinal, acredita-se que ninguém em sã consciência queira seu equipamento energizado com correntes impulsivas quando ocorrer uma descarga atmosférica, correto? A maior certeza nisso tudo é que, de formas diferentes, acontecerá exatamente isso nos dois casos! O maior risco é o da desinformação.

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