Publicidade - Revista O Setor Eltrico
Publicidade - Revista O Setor Eltrico

Revista O Setor Elétrico


Atitude Editorial

 

 

Facebook - O Setor Elétrico Twitter - O Setor Elétrico You Tube - O Setor Elétrico RSS - O Setor Elétrico

Qual é o tipo de aquecimento para chuveiros mais eficiente e econômico?

E-mail Imprimir

Edição 43, Agosto de 2009

Por Carlos faria; Alexandre Sedlacek Moana; Pablo Matsuo; Délcio Rodrigues e Carlos Alexandre Cella

Considerado um dos grandes vilões do consumo residencial de energia elétrica, o chuveiro é alvo de estudos e defendido por especialistas, associações e outras entidades nas suas variadas formas de utilização. Enquanto uns defendem o aquecimento por meio da energia solar, outros sustentam o chuveiro elétrico como o mais eficiente e outros ainda apostam no aquecimento a gás natural. Confira, a seguir, as argumentações dos defensores de cada uma das tecnologias de aquecimento, que responderam, com embasamento técnico e teórico. o seguinte questionamento:

Qual é o tipo de aquecimento para chuveiros mais eficiente e econômico?



AQUECIMENTO SOLAR

CARLOS FARIA

Gestor de energia solar do Departamento de Energia Solar da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abava)

Sem sombra de dúvida a forma mais barata e eficiente de aquecer água é usar o Sol e acredito que isto esteja bem claro na cabeça das pessoas, afinal é uma forma de energia gratuita que demanda pouquíssima infraestrutura.

Do ponto de vista social, usar a energia elétrica ou o gás, duas formas energéticas riquíssimas para aquecer água, poderá em algum momento deixar de fazer sentido econômico, pois estes recursos serão destinados a aplicações mais nobres e mais importantes para a sociedade como um todo.

Com a tecnologia disponível, a realidade do mercado brasileiro é que o uso dos aquecedores solares demanda sempre uma parceria de sucesso. O aquecedor solar projetado de forma econômica e eficiente supre em média 70% da demanda anual de água quente, mas, claro, isto varia de acordo com o clima de cada cidade. Em algumas regiões e períodos do ano, o Sol pode suprir praticamente toda a necessidade de água quente dos usuários e, em outros períodos ou com muita chuva, o aquecedor solar trabalha em parceria com a eletricidade ou o gás. Já existem pesquisas para criar tecnologias solares que supririam 100% da demanda de calor independente das variações das condições climáticas.

É importante lembrar que estamos falando de um sistema de aquecimento, que pode ser muito econômico e eficiente e, em outras situações, pode não ser a melhor solução. Entendo que a melhor solução deve partir das cadeias de fornecimento e produções mais curtas. Para tomar banho com energia solar, o Sol é quem gera e transmite toda a energia necessária que incide sobre os coletores solares que aquecem a água.

No caso da eletricidade, por exemplo, a energia é gerada em usinas, transmitida por quilômetros de fios por todo o país e distribuída dentro das cidades pelos postes quando finalmente alimentará as diversas tecnologias disponíveis. No caso do gás, existe uma cadeia longa de extração e produção do gás e sua devida distribuição. Neste ponto, a cadeia solar é muito mais curta não demandando toda essa infraestrutura para o país.

 


 

SISTEMA HÍBRIDO

ALEXANDRE SEDLACEK MOANA

Diretor da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco)

Entre os modelos de chuveiros, sem dúvida, o aquecimento com o sistema híbrido é o mais eficiente. Com o sistema híbrido, nós podemos esperar que a água dos sistemas de aquecimento solar chegue aquecida dos reservatórios térmicos sem desperdiçar a água residual, que está fria dentro das tubulações. Isto porque o sistema aciona a resistência elétrica nesse momento e gradativamente a retira do sistema.

O sistema híbrido pode dar inteligência aos lares brasileiros, de forma que o horário de ponta, em que a energia é cara para o sistema elétrico nacional, pode ter sua potência articulada.

Algumas vantagens do sistema híbrido são: evita o desperdício da água residual que fica fria nas tubulações; é dotado de sensores de fluxo; permite estabelecimento de potência específica em dias e horários indicados; possibilita configuração de tempo de banho e de intervalo entre banhos, inclusive seus indicadores sonoros; é equipado com controle manual para decréscimo de potência; possibilita utilização de qualquer incremento de energia térmica na água para retirar a potência da resistência elétrica do chuveiro; e apresenta comunicação wireless para permitir o total fechamento da caixa que abriga a placa eletrônica.

Na verdade, o sistema de chuveiro elétrico convencional prejudica a rede convencional no que diz respeito à grande potência do que o consumo em si. O sistema híbrido, com inteligência de identificação de horário de ponta, pode reduzir um pouco o fluxo de água nesses horários-chave e, com isso, não interferir no banho do usuário de maneira significativa, além de implicar uma grande economia de recursos ambientais e econômicos.

 


 

 

SISTEMA A GÁS

PABLO MATSUO

Diretor Técnico da Associação Brasileira de Aquecimento a Gás (Abagas)

Recentemente houve uma divulgação de uma pesquisa mostrando dados de consumo entre chuveiro elétrico, a gás, solar e híbrido. A iniciativa da pesquisa foi válida, contudo, se equivocou não parametrizando certas variáveis, como vazão, tempo de banho, mesma distância da fonte geradora de água quente para o consumo e número de banhos.

O aquecimento solar é muito eficiente, pois utiliza um recurso natural que é o sol para aquecer a água de banho, mas após o banho, o termostato do reservatório aciona o seu aquecimento auxiliar, pois à noite não dispomos mais do Sol para repor a água quente e normalmente é utilizada uma resistência elétrica, havendo o consumo de energia elétrica. Na venda do sistema, é utilizado o apelo de um sistema ecológico, contudo, não é mencionada a necessidade de manter as placas limpas a fim de manter a sua eficiência e, ao longo do tempo, com a sedimentação de sujeiras nas placas, o sistema que deveria ser solar torna-se elétrico. As placas são instaladas no teto, de difícil acesso, e permanecem lá durante anos. Só para refletir, qual é o máximo de tempo que podemos deixar o nosso carro sem lavar na cidade? Qual o estado que ele fica? Pois bem, as placas estão no teto por muito mais tempo.

No sistema híbrido é utilizado o sistema solar e um chuveiro elétrico no ponto de consumo.

Deve-se tomar o cuidado que nem todos os chuveiros podem receber água quente, pois o diafragma que aciona o chuveiro não projetado para receber água quente, ao longo de sua utilização pode causar um sinistro.

Fazendo uma comparação direta entre o chuveiro elétrico e o aquecedor a gás e ainda, utilizando a física para nos auxiliar, por meio da fórmula Q = m.c.?T, e parametrizando as seguintes variáveis:

• 4 banhos por diax Vazão = 4 l/min (vazão aproximada dos chuveiros)

• Tempo médio de banho = 10 minutos

• 4 banhos por dia

Chuveiro elétrico (Potência em torno de 5,5 kW) – vai consumir em torno 111,63 kWh e, de acordo com o site da AES Eletropaulo (www.eletropaulo.com.br/portal/page.cfm?conteudo_id=1073&origem_link=buscadesc=Calcule%20o%20valor%20da%20sua%20conta) resulta no valor de R$ 36,04.

Aquecedor a gás (por exemplo, em GLP) – vai consumir em torno de 10,06 kg de GLP e pelo

valor médio apresentado pelo Sindigás (www.sindigas.com.br/estatisticas/index.asp?id_tipo=3 (R$ 2,75/kg GLP) resulta no valor de R% 27,67.

Isso mostra uma economia de 23%, portanto, diferente ao que foi anunciado anteriormente.

Há ainda novas aplicações para o complemento do sistema solar, utilizando aquecedor de água a gás, tornando o sistema mais econômico. A primeira opção é substituir a resistência elétrica pelo aquecedor a gás e a segunda é colocar o aquecedor na saída do sistema solar para complementar a temperatura caso esfrie, mantendo a temperatura estável na saída.

 


 

 

AQUECIMENTO SOLAR

DÉLCIO RODRIGUES

Coordenador da Iniciativa Cidades Solares

A necessidade de aumentar o emprego de aquecedores solares no Brasil baseia-se em alguns dados impressionantes: a população brasileira consome cerca de 6% de toda a energia elétrica gerada no país no aquecimento de água para banho usando chuveiros e aquecedores elétricos de acumulação; além disso, os chuveiros elétricos são responsáveis por 47% do pico de demanda de eletricidade do setor residencial e por até 18% da demanda de pico de algumas empresas distribuidoras de energia elétrica. Estas duas informações são fortes o suficiente para fazer qualquer pessoa preocupada com seu bolso, com a sustentação econômica do setor elétrico ou com o meio ambiente a procurar uma alternativa sustentável para o banho corriqueiro dos brasileiros.

Os aquecedores solares podem reduzir o consumo de energia elétrica para o banho em aproximadamente 70% e também reduzir em até 100% a pressão da demanda de água quente sobre a demanda de pico do sistema elétrico. Um programa extensivo de difusão do uso de energia solar para aquecimento de água teria as vantagens acima descritas e, também, reduziria os gastos dos cidadãos com energia elétrica; reduziria a pressão sobre os ecossistemas, postergando a construção de novas hidrelétricas ou, pior, termelétricas a combustíveis fósseis; e reduziria a emissão de gases de efeito estufa.

A indústria solar tem ainda uma grande vantagem social: gera mais emprego por unidade de energia. Se a energia nuclear gera cerca de 70 empregos por TeraWatthora e a hidroeletricidade cerca de 250, a indústria solar gera alguns milhares de empregos para a mesma quantidade de energia.

Estas vantagens da tecnologia levaram países como Israel, Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, Chipre, África do Sul, México, Índia e China, entre outros, a obrigar o uso de aquecedores solares nas edificações em todo seu território ou nas principais cidades. No Brasil, 25 cidades, entre elas São Paulo, seguiram o mesmo caminho e outras 100 cidades apresentam projetos semelhantes em tramitação nas suas Câmaras de Vereadores.

 


 

 

SISTEMA HÍBRIDO

CARLOS ALEXANDRE CELLA

Diretor do Grupo de Chuveiros Elétricos da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (GCA/Abinee)

Há muito tempo se discute no Brasil qual o sistema de aquecimento de água para o banho mais econômico que existe. Desde o início de 2009, já existe um estudo que prova qual o sistema mais econômico, quando se leva em consideração os gastos do consumidor com os insumos do banho (água, energia elétrica e/ou gás). Aqui é importante dizer que neste estudo não se levou em consideração os gastos com aquisição e instalação dos equipamentos. A ideia foi medir o quanto o brasileiro gasta, em reais, com seu banho diário, medindo apenas o consumo dos insumos.

Desenvolvido pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), entidade vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), o estudo “Avaliação do consumo de insumos (água, energia elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico” teve início em janeiro e se estende até dezembro. A divulgação do relatório parcial do estudo, que engloba os três primeiros meses do ano, permite afirmar que são dois os sistemas mais econômicos: o chuveiro elétrico e o sistema híbrido, aquele que combina aquecedor solar com aquecedor instantâneo de água no ponto de uso (chuveiro elétrico).

Segundo os dados levantados pelo professor Ivanildo Hespanhol, coordenador do projeto, um banho de oito minutos tanto com chuveiro elétrico quanto com o sistema híbrido custam R$ 0,22 contra R$ 0,35 do chuveiro solar, R$ 0,58 do a gás e R$ 0,78 do boiler elétrico. É interessante ressaltar que os voluntários que participam não têm qualquer orientação sobre seu banho, nenhum tipo de restrição sobre abertura maior ou menor do registro, tempo de banho, posição de chave seletora de temperatura, etc., e nem sabem em que tipo de sistema tomam seus banhos.

A explicação pelo excelente desempenho do chuveiro elétrico é simples: além de ter um consumo menor de água (entre três a quatro litros por minuto), o chuveiro elétrico não desperdiça água, afinal, é só abrir o registro que a água já sai quente (ao contrário dos outros sistemas em que a água quente demora entre um a dois minutos até ficar quente). Já o sistema híbrido potencializa as principais características do aquecedor solar e do chuveiro elétrico, proporcionando economia de energia elétrica, pois na maior parte dos dias o aquecimento da água é proporcionado pela energia solar e a complementação do aquecimento, quando necessária, é dada pelo chuveiro elétrico, que só consumirá energia enquanto estiver em utilização.

Veja também:

Itens relacionados:
Itens mais atuais:
Itens mais antigos: