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Geração distribuída para fontes de energia incentivada

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Edição 78 / Julho de 2012

Por Luis Fernando Arruda

Dentro desta série de comentários sobre smart grid eu tinha planejado para este mês tratar de alguns pontos sobre software de gestão da medição e sobre o papel da Tecnologia da Informação (TI).

 

Mas prefiro aguardar e abordar a DN 482/2012 emitida pela Aneel em 17/04/2012, que trata da micro e mini geração distribuída para fontes de energia incentivada até porque esta medida vai ser mais um ponto de pressão (ou incentivo) para uma automação mais completa e inteligente da operação de distribuição.

Grande acerto da Aneel! Concisa, simples, não tenta padronizar equipamentos e simplesmente abre a possibilidade de uso de energias alternativas sem que haja a necessidade de estocar energia. Este é o pulo do gato! E que a sociedade organizada encontre caminhos para viabilizar bons negócios!

Por esta DN, as distribuidoras vão medir o que se consome e o que é injetado no seu sistema e fazer as devidas compensações. E a compensação pode envolver várias unidades consumidoras.

Vamos poder gerar energia sem nos preocupar com o sincronismo entre a geração e o consumo.

Para a geração solar (fotovoltaica), por exemplo, isto é fundamental, pois, além de cortar os custos de estocar energia, também nos torna livres da pesada carga de impostos que incide sobre cada kWh consumido das distribuidoras. Livra-nos também de tarifas muito elevadas que, entre outros componentes, carregam perdas não técnicas muitas vezes de dois dígitos. O sistema de compensação por kWh resolve isso muito bem: quanto maior a tarifa da concessionária, melhor negócio se torna investir na geração incentivada!

Assim, abre-se a possibilidade de excelentes negócios para empresas que poderão comercializar, projetar e instalar sistemas de mini e micro geração.

Parece-me que vamos inaugurar um novo momento em que poderemos aos poucos e, de acordo com o orçamento, investir em energia renovável e limpa como a solar fotovoltaica.

Ao longo do tempo, se olharmos para o futuro, poderemos ver que a maior fatia de geração vai estar distribuída, superando as grandes empresas de hoje!

Quando algum grupo econômico tiver a coragem de investir em uma unidade fabril no Brasil (temos todas as matérias-primas necessárias e a tecnologia envolvida já é de conhecimento de várias empresas) teremos então o “boom” e, pelas condições de clima e localização do Brasil, poderemos assumir novamente ações que limpem nossa matriz de geração de energia elétrica (para quem não sabe existem hoje muitos milhares de geradores diesel em operação no país em função de tarifas elevadas para o horário de ponta do sistema elétrico e eles nem precisam de licença: é só comprar!).

Um ponto que me preocupa é como inibir que se utilizem fontes não incentivadas (gerador diesel de emergência, por exemplo), cujo valor de kWh gerado é mais baixo e se obtenha os mesmos incentivos da compensação!

Certamente não vai faltar quem pensará nisso e vai ficar difícil caracterizar esta carona irregular, já que se trata de evento interno nas unidades consumidoras ou, como poderão vir a ser chamadas, “prosumidoras”.

Outro ponto que também preocupa é que algumas distribuidoras vão querer criar barreiras para impedir a proliferação dos pontos com mini e micro geração e a Aneel terá de atuar fortemente para impedir isso.

Dificuldades operacionais para as distribuidoras não vão faltar. Problemas relacionados à segurança do pessoal que lida com a rede serão em maior escala e mais frequentes.

As normas de fornecimento de energia terão que ser atualizadas. O sistema comercial (faturamento, informação de consumidores e outros softwares) também deverá ser revisado e o prazo estipulado é até o fim deste ano. Ossos do ofício.

Mas, definitivamente, a Aneel foi extremamente competente em viabilizar ao consumidor comum o acesso ao mundo dos autoprodutores ou produtores independentes de energia renovável.

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