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Manutenção de instalações de MT

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Edição 70 / Novembro de 2011
Por Luis Fernando Arruda

Quem já atuou junto a unidades consumidoras de média tensão (MT) e teve a oportunidade de visitar instalações em várias regiões do Brasil sabe que o que vou descrever adiante não contém qualquer exagero.

Nas instalações menores, principalmente, mas também de forma geral, em qualquer instalação de MT, nota-se o abandono da manutenção e que ações de engenharia de operação ficam confinadas àquelas corretivas, quando algo definitivamente não permite mais seu funcionamento.

Vamos começar pelo transformador. Não é incomum constatar que há vazamento de óleo! É uma falha que se percebe visualmente, mas mesmo assim, na maioria dos casos, o proprietário do empreendimento prefere aguardar a tomar qualquer medida corretiva.

Assim, durante meus quase 25 anos atuando em concessionárias de distribuição, me acostumei aos pedidos de empréstimo de transformador pelos clientes que tiveram “problemas” em sua instalação. Nestas condições normalmente eram perdidos também barramentos , cabos, relés primários e, muitas vezes, o próprio disjuntor, pois a proteção que atuava era apenas a chave na derivação da rede. Não raramente, até mesmo a alvenaria era comprometida.

O transformador era cedido e a subestação funcionava de forma precária até que uma (praticamente nova) era providenciada gerando custos muito superiores aos evitados pela ausência de manutenção (incluindo aí a interrupção das atividades da empresa). Infelizmente, algumas vezes, estes “problemas” trazem consigo acidentes envolvendo pessoas, com menor ou maior gravidade.

Também não foram poucos os casos em que se deparou, durante inspeções de rotina com a proteção de sobrecorrente – muitas ainda na era do relé “pica-pau”, com ação direta no disjuntor via bobina de trip de atuação mecânica – desligada por ter apresentado problemas (atuação, às vezes, até correta, considerando que a sobrecarga da subestação com relação à regulagem inicial).

Existem casos de acidentes (não foram poucos) em que a manutenção desejada se restringe à aparência externa da subestação consumidora, em que um pintor é contratado para fazer o devido rejuvenescimento das paredes externas.

Principalmente por conta disso, atualmente, em algumas concessionárias, o padrão de entrada em qualquer tipo de subestação consumidora se dá por cabos isolados, seja pelo ramal de ligação, seja pelo ramal interno da subestação – quando esta não está localizada junto à divisa da propriedade particular com a via pública.

Em subestações unitárias (em algumas áreas de concessão para transformadores de até 300 kVA), temos muitos problemas também com a falta de manutenção no sistema de suporte do transformador no poste ou nos postes, em casos mais antigos onde se montava uma plataforma de madeira para a instalação do transformador. Nestes casos, a medição e a proteção (secundária, por disjuntor termomagnético) ficam situadas em caixas instaladas no próprio poste ou em mureta de alvenaria especialmente construída para abrigar caixas e eletrodutos.

Não é raro encontrar nestas subestações compactas as caixas completamente oxidadas e a medição e a proteção com funcionalidades comprometidas em função de estarem expostas a intempéries. Também não é difícil encontrar plataformas de suporte com a madeira totalmente podre, com suas características mecânicas altamente comprometidas. Puro desleixo que pode trazer consequências graves.

Dizem que é natural do ser humano postergar ações e gastos que pensa serem dispensáveis. Cabe, portanto, a nós, especialistas e órgãos normalizadores, alertar de forma bem clara aos clientes o risco que se corre ao negligenciar ações de manutenção. Provavelmente, a correção deste comportamento só virá com a criação de legislação que estabeleça responsabilidades e penalidades aos que se omitirem dos cuidados devidos em suas instalações consumidoras.

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