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Considerações eletroambientais: no final do dia, tudo é CO2!

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Edição 68 / Setembro de 2011
Por Hilton Moreno

Não é preciso gastar muitas linhas para dizer que sustentabilidade é um tema cada vez mais importante em todas as atividades. Dessa forma, as redes elétricas em geral e as instalações elétricas em particular não ficam em um mundo separado desta realidade. É preciso começar a repensar o modo como temos dimensionado as redes e as instalações elétricas nas últimas muitas décadas e então passar a incluir os requisitos ambientais neste assunto.

O assunto aqui batizado de “eletroambiental” ainda não faz parte do currículo das escolas, dos cursos de especialização e dos livros sobre elétrica. O tema é relativamente novo no mundo, que só recentemente fez a ligação direta entre kWh gerado e gás carbônico (dióxido de carbono – CO2) emitido na atmosfera. Nunca é demais lembrar que o dióxido de carbono é um gás do chamado efeito estufa, responsável por danos ambientais comprovados.

O conceito é simples: a toda geração de eletricidade corresponde uma dada emissão de CO2, que é função da matriz energética daquela fonte. Dessa forma, usinas térmicas a óleo ou carvão emitem muito mais CO2 por kWh gerado do que usinas eólicas, fotovoltaicas, nucleares ou hidrelétricas. Utilizar um gerador de substituição ou reserva movido à gasolina, diesel, etanol ou gás também faz diferença na correspondente poluição.

A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) faz um levantamento global das emissões de CO2 por kWh gerado de centenas de países/regiões. A última versão do estudo é de 2010 e pode ser baixada gratuitamente no site da entidade em:

http://www.iea.org/publications/free_new_Desc.asp?PUBS_ID=2143.

Neste relatório são consideradas todas as fontes de geração do país/região e então é calculada pela IEA a média ponderada de todas elas. Para efeito de ilustração e comparação, a tabela a seguir indica alguns índices.

País/Região

Índice (gramas CO2 / kWh)

Mundo (média)

502

Noruega

5

França

83

Brasil

89

Rússia

326

Comunidade Europeia (27 países)

351

Argentina

366

Chile

412

Japão

436

Alemanha

441

Estados Unidos

535

China

745

Índia

968

 

Como indicado na tabela, a posição relativa do Brasil neste ranking é muito boa, particularmente quando comparado aos seus concorrentes do BRIC (Rússia, Índia e China), assim como em relação à média mundial.

Evidentemente, a geração de eletricidade tem relação direta com o consumo e, portanto, com a potência (kW) e o tempo de funcionamento (h) dos equipamentos de utilização (iluminação, motores, etc.). Neste caso, a escolha criteriosa das cargas elétricas e de seu ciclo de operação é determinante na emissão de CO2 na atmosfera. Note que a responsabilidade ambiental de um profissional da área elétrica é relativamente muito maior se ele trabalha, por exemplo, na China, Índia, Rússia, Estados Unidos, Japão e Alemanha do que no Brasil, Noruega e França. No entanto, como só temos uma atmosfera no planeta, brasileiros, noruegueses e franceses também serão afetados pelas ações dos colegas dos outros países citados.

No contexto da sustentabilidade na área elétrica, tem havido algumas ações recentes no Brasil que direta ou indiretamente contribuem com o meio ambiente. Dentre elas, destaques para a recente publicação da norma brasileira ABNT NBR 15920 sobre dimensionamento econômico de condutores elétricos, para a iniciativa do Procel pelo Programa Edifica de Eficiência Energética de Edificações, para a certificação voluntária Leed do Green Building Council e para as ações de promoção do dimensionamento ambiental de circuitos elétricos do Procobre Brasil.

Considerando-se que estamos próximos de iniciar os trabalhos de revisão da norma de instalações elétricas de baixa tensão ABNT NBR 5410, poderia ser um grande avanço incluir temas de sustentabilidade nesta importante norma. Os conhecimentos adquiridos na área de instalações elétricas por meio das iniciativas indicadas no parágrafo anterior podem ser um excelente ponto de partida para as discussões da referida norma. Com isso, a norma de instalações, que já é rica em prescrições e cuidados com a segurança das pessoas e do patrimônio, ajudaria também os profissionais de elétrica a fazerem a sua parte no tema de sustentabilidade. Vamos lá!

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Comentários  

 
+5 #5 perguntaIzabel Gomes 2012-02-07 15:45
o que o sr acha sobre a cosntrução de usinas atômicas e hidrelétricas no Brasil.

grata,
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+3 #4 perguntaIzabel Gomes 2012-02-07 15:40
Sr. Hilton Moreno, o que o sr. acha sobre a construção de usinas atômicas e hidrelétricas no Brasil? Gostaria que enviasse a resposta para meu email.
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+5 #3 NBR 15920Wiliam 2011-11-18 10:41
Realizando o dimensionamento de cabos adotando a seção econômica quanto à operação da linha elétrica gera menos desperdício de energia elétrica, mas deve ser adotada de forma criteriosa seguindo os preceitos da NBR 15920, pois sempre leva a seções bem maiores do que a determinada pelo método que obtém a seção técnica.
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0 #2 Agência Internacional de Energia - IEAWiliam 2011-10-18 14:33
Não consegui acessar o link citado no artigo.
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+5 #1 Energias limpasWiliam 2011-10-18 14:28
Ótimo artigo do Prof. Hilton! Gostaria de sugerir que a NBR-5410 incluísse prescrições para instalações de interface da rede de concessionárias de energia elétrica com aquelas geradas por sistemas fotovoltaicos e eólicos. E que fosse criada uma padronização maior destes sistemas (fotovoltaico e eólico)!
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